domingo, junho 26, 2011

O caso dos “aloprados” alopra a decência do país

Adelson Elias Vasconcellos




Na semana passada, reproduzimos texto da Revista Veja em que se revelam os bastidores do escândalo escabroso que ficou conhecido como “Escândalo dos Aloprados”, cujo objetivo era bastante simples: utilizando-se da poderosa ferramenta tão a gosto dos petistas, tentou-se armar um dossiê fajuto que mirava na candidatura de José Serra, então candidato ao governo de São Paulo e que, por tabela, destruiria a incipiente campanha de Geraldo Alckimin, então candidato da oposição à Presidência do país brigando justamente contra Lula, que buscava sua primeira reeleição.

Muito embora todas as evidências e provas mostrassem a trama, com participações comprovadas de figuras ilustres da cozinha presidencial, a até então festejada Polícia Federal se mostrou falha para apurar o crime, e mais ainda: com tudo que se tinha nas mãos, o Ministério Público não conseguiu produzir um processo que, na Justiça, resultasse em punição aos verdugos.

Somente após a saída de Lula é que certos fatos vieram a público e tiveram, ao menos isto, o dom de fazer com que o Ministério Público reabrisse o caso. É de se esperar que daí resulte em punições, muito embora, com a justiça que temos, não leve muita fé. Tenho motivos, como de resto o país todo os têm, para não acreditar no Poder Judiciário brasileiro. Aquilo que deveria ser a regra, julgamento justo e correta condenação e prisão aos culpados, tornou-se exceção. E, quanto mais alto os culpados se encontrarem na política, ou com ela mantenham relações promíscuas, maior a probabilidade que tenhamos crimes com vítimas e provas, mas sem culpados.

Pois bem, a edição da Revista Veja traz neste final de semana mais um capítulo do dossiê dos Aloprados, designação esta concedida pelo próprio Lula quando o caso estourou e veio a público.

Desta vez, além de Mercadante que já estava envolvido – aliás, caso a tramoia tivesse vingado, seria ele o principal beneficiado – também outro figura do ministério de Dilma participou da lambança. Desta vez, ninguém menos do que Ideli Salvatti, o que para mim não é nenhuma surpresa.

Ideli sempre foi o pit bull petista a agir nos subterrâneos do Congresso, Senado principalmente, para o servicinho sujo de esconder as sujeiras dos companheiros, ou de aliados importantes, como foram exemplo José Sarney e Renan Calheiros. Sempre foi um aríete para impedir que o Congresso investigasse os escândalos patrocinados no seio do poder petista. Quando foi guindada à ministra das Relações Institucionais disse aqui, com plena segurança, e isto foi no dia 12.6, que se tratava de uma piada, que Dilma enlouquecera e que esperava que a presidente não viesse a se arrepender pela escolha. E fiz um alerta: apertem os cintos.

Agora leiam este trecho da reportagem da Veja, publicado no blog do Reinaldo Azevedo. Volto para concluir.


Ideli Salvatti, a ministra das relações nada institucionais: "Quem? Eeeuuu???"

(…)
Logo depois do encontro, do gabinete da senadora foi iniciada a preparação do que deveria ser a etapa derradeira do plano - a publicação do falso dossiê. As negociações do PT com os empresários que atuariam na farsa já estavam acertadas. Os criminosos queriam 20 milhões de reais pelo serviço, mas acabaram aceitando o valor de 1,7 milhão de reais oferecido pelo partido, dinheiro que Mercadante se comprometeu a conseguir com a ajuda do ex-governador Orestes Quércia, segundo as revelações de um dos participantes da reunião, o bancário Expedito Veloso. Na reunião, os cinco - Mercadante, Ideli, Expedito. Lorenzetti e Bargas - manusearam uma lista com números de cheques e fotos de um empresário já falecido que, na montagem da história, seria apresentado como elo da quadrilha com os tucanos. Uma cópia do material foi deixada com a senadora. E ela deu início ao que deveria ser a apoteose do trabalho: procurou jornalistas interessados em divulgar o conteúdo, exibiu os papéis e disse que aquilo era apenas uma pequena amostra da munição que o PT tinha para fulminar os tucanos. Ela conhecia todos os detalhes do dossiê e deixou sua assessoria à disposição para ajudar no trabalho de divulgação. A senadora, aliás, não escondia os motivos de seu empenho: as revelações, segundo ela, atingiriam Serra e beneficiariam o PT na eleição em São Paulo, mas também repercutiriam na disputa presidencial em favor da reeleição do presidente Lula.

*****

COMENTO:
É claro que Ideli Salvatti vai tratar de negar. Esta turma do PT, sempre envolvida em crimes diversos, jamais os admitem, mesmo diante da prova mais indiscutível. Mas o crime existiu, o dossiê estva com a turma, o dinheiro foi mostrado pela Polícia Federal para todo o país, o dossiê acabou tomado pelos agentes da Polícia Federal, e as confissões só foram aparecendo agora, depois do caso encerrado, mas que não terá o dom de desfazer a lambança cometida.

Quando analisei a escolha de dona Dilma, a participação de Ideli no caso dos Aloprados não era conhecida. Julguei-a inapta para o cargo de relações institucionais por não ver na escolhida a indispensável capacidade de articulação, equilíbrio emocional suficiente para agir na diplomacia das negociações políticas, principalmente, levando-se em conta os tipos com que teria de lidar.

Que o antigo ocupante do cargo, Luiz Sérgio, fosse uma negação completa, disto ninguém duvida. Que havia a necessidade mudar, dado os projetos de interesse do governo aguardando votação no Congresso, disto também ninguém duvida. Mas a escolha precipitada da presidente, infelizmente, a fará, cedo ou tarde, provocar nova mudança. E neste dia, espera-se, que a escolha leve em conta o perfil que o cargo exige, e não apenas uma mudança para mostrar “quem manda sou eu”.