domingo, abril 15, 2007

Cresce "fogo amigo" no governo contra política monetária

BRASÍLIA - O modelo econômico que o Banco Central (BC) usa para calcular as projeções de inflação e definir o rumo da taxa de juros está errado e leva o Comitê de Política Monetária (Copom) a alcançar um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) abaixo da meta de 4,5% fixada pelo governo, impedindo uma redução mais rápida dos juros.

Essa avaliação está sendo feita por economistas do governo que defendem a retomada da discussão do processo de queda dos juros pela Câmara de Política Econômica, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo uma fonte envolvida nas discussões, o modelo do BC não reflete o que está acontecendo na economia. "As ações do Banco Central indicam que eles estavam perseguindo uma inflação abaixo da meta", disse a fonte, ressaltando que o importante, no sistema de metas de inflação, é perseguir o centro da meta para dar previsibilidade aos agentes do mercado financeiro.

"Se o BC não persegue a meta, aumenta a incerteza e nunca se sabe se é inflação de 2,5% ou 6,5%", afirma a fonte, em uma referência ao teto e piso da banda dentro da qual a meta pode ser dada por cumprida. A avaliação é que o problema cambial existente hoje no Brasil torna urgente a mudança do modelo para impedir uma desvalorização mais acentuada do dólar frente ao real.

É que o processo de queda lenta da taxa básica, a Selic, influenciado pelo modelo de cálculo das projeções de inflação do BC, acaba atraindo para o País dinheiro de investidores em busca dos altos ganhos proporcionados pelos juros brasileiros.

Esse movimento tem ajudado a derrubar as cotações da taxa de câmbio. "Se o câmbio furar a barreira de R$ 2, temos que estar preparados", disse a fonte. A expectativa é de que a substituição de Afonso Bevilaqua por Mário Mesquita na diretoria de Política Econômica do BC deve favorecer o debate sobre as mudanças.

De acordo com as fontes, o problema mais evidente do modelo do BC é verificado nas projeções de preços administrados, consideradas excessivamente pessimistas pelo próprio mercado. Enquanto os analistas esperam que os preços administrados, como combustíveis, telefones e energia elétrica, subam 3,7%, em média, neste ano, o BC, no último relatório de inflação, divulgado na semana passada, informou que esperava elevação de 4,5%.

Com a correção do modelo, a expectativa é de que a taxa de juros possa cair de forma mais acentuada, sem que o BC precise tomar ações preventivas para trazer a inflação para o centro da meta de 4,5%.