domingo, abril 15, 2007

Divergência sobre câmbio afasta Gomes de Almeida do governo

Fernando Exman, Jornal do Brasil

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem mudanças na sua equipe de assessores. Júlio Sérgio Gomes de Almeida deixa a Secretaria de Política Econômica, que será comandada por Bernard Appy, até então secretário executivo da pasta. Ex-ministro da Previdência Social, Nelson Machado sucederá Appy. Mantega disse que não pretende realizar mais trocas. Até a semana passada, havia a expectativa de que Appy e os secretários da Receita Federal, Jorge Rachid, e do Tesouro Nacional, Tarcísio de Godoy, fossem substituídos.

De acordo com Mantega, Gomes de Almeida apresentou pedido de demissão no dia 2.

- Ele prestou relevantes serviços e pediu demissão por motivos pessoais.

O ministro negou que críticas de Gomes de Almeida ao Banco Central, divulgadas ontem, tenham motivado a demissão. O ex-secretário disse que a valorização do real em relação ao dólar, estimulada pelo que classificou de mais alta taxa de juro do mundo, causa desemprego e prejudica a indústria nacional.

- O Júlio já falou como se estivesse fora do governo. Ele já tinha pedido demissão.

Antes de ir para o governo, Gomes de Almeida era diretor executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). A indústria de transformação tem sido a maior prejudicada pela queda do dólar. O ministro demonstrou insatisfação com as declarações do ex-secretário. Disse que a atuação do BC está correta. Provas disso, argumentou, são a queda do risco-Brasil, o crescimento da economia, a redução contínua dos juros e a inflação sob controle.

Mantega disse que Appy continuará na coordenação da reforma tributária e fará avançar as reformas institucionais que garantirão o desenvolvimento sustentável do país. Appy já comandou a Secretaria de Política Econômica no primeiro mandato do presidente Lula.

COMENTANDO A NOTICIA: Na verdade, Gomes de Almeida foi e acredito que permanecerá crítico da política cambiam do governo Lula. Tanto ele, quanto nós. Trata-se de uma política pedradora em relação à economia nacional. Tanto é prejudicial em relação ao comércio externo, uma vez que permite a entrada de bugigangas que fecham fábricas e acabam com empregos de pequenos e médias indústrias, quanto tira fora da pauta de exportações produtos tradicionais do país como calçados e têxteis. Além disto, força o Banco Central ao acúmulo desnecessário de reservas.

A crescente valorização da moeda real em relação ao dólar torna-se ainda mais perigosa em decorrência e, segundo Gomes de Almeida, quando combinada com a política de juros. Posição correta ao nosso ver, uma vez que isto é que tem forçado uma entrada excessiva de dólares no país e,esta entrada, mais tem sido em função dos juros do que da balança comercial. É bom lembrar que no financiamento de dívida pública, o ingresso de dólares é desonerado de impostos. Por isso, tem sido praxe vender-se títulos de dívida externa para trocá-los por títulos de dívida interna, por remunerarem melhor. E neste ponto, Gomes de Almeida está absolutamente. Esta tem sido a perversa equação que força a depreciação da moeda americana frente ao real, com as conseqüências danosas para investimentos em produção e manutenção e sobrevivência das indústrias no país, assim como nos tornamos exportadores de capitais para investimentos produtos no exterior além de excelentes exportadores de emprego ...