João Pedro Caleiro
Exame.com
Alta dos preços voltou a acelerar em fevereiro para 0,69% e levou o acumulado dos últimos 12 meses para 5,68%
André Valentim/EXAME.com
Supermercado no Rio de janeiro: inflação continua acima do centro da meta
São Paulo - O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de fevereiro foi de 0,69%, acima dos 0,55% de janeiro e praticamente igual ao 0,60% de fevereiro do ano passado.
Com isso, a inflação acumulado de 12 meses ficou em 5,68% - acima do centro da meta do governo, de 4,5%, mas ainda abaixo do teto, de 6,5%.
Dos nove grupos pesquisados, cinco tiveram alta. Por causa das mensalidades dos colégios, o maior aumento foi, de longe, no setor de educação: 5,97%, com impacto de 0,27 ponto percentual no índice final.
A alta no setor de artigos de residência também acelerou, de 0,49% em janeiro para 1,07% em fevereiro. Subiram eletrodomésticos (1,78%), mobiliário (1,20%) e cama, mesa e banho (1,33%), entre outros.
A pressão dos itens aluguel (1,20%) e condomínio (0,80%) ajudou a empurrar para 0,77% a inflação do setor de habitação.
A alta dos alimentos desacelerou de 0,84% em janeiro para 0,56% em fevereiro. Pela importância da categoria, foi o segundo maior impacto: 0,14 ponto percentual.
Apesar de uma alta de 1,40% no item empregados domésticos, as despesas pessoais também desaceleraram de 1,72% em janeiro para 0,69% em fevereiro.
Vestuário e transportes tiveram queda de preços ainda maiores do que em janeiro - de 0,40% e 0,05%, respectivamente. A queda de 20,55% nas passagens aéreas foi uma das responsáveis.
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Grupo
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Variação (%)
janeiro
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Variação (%)
fevereiro
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Índice
geral
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0,55%
|
0,69%
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Alimentação
e bebidas
|
0,84%
|
0,56%
|
|
Habitação
|
0,55%
|
0,77%
|
|
Artigos de
residência
|
0,49%
|
1,07%
|
|
Vestuário
|
-0,15%
|
-0,40%
|
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Transportes
|
-0,03%
|
-0,05%
|
|
Saúde e
cuidados pessoais
|
0,48%
|
0,74%
|
|
Despesas
pessoais
|
1,72%
|
0,69%
|
|
Educação
|
0,57%
|
5,97%
|
|
Comunicação
|
0,03%
|
0,14%
|
|
Grupo
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Impacto (p.p.)
janeiro
|
Impacto (p.p)
fevereiro
|
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Índice
geral
|
0,55
|
0,69
|
|
Alimentação
e bebidas
|
0,21
|
0,14
|
|
Habitação
|
0,08
|
0,11
|
|
Artigos de
residência
|
0,02
|
0,05
|
|
Vestuário
|
-0,01
|
-0,03
|
|
Transportes
|
-0,01
|
-0,01
|
|
Saúde e
cuidados pessoais
|
0,05
|
0,08
|
|
Despesas
pessoais
|
0,18
|
0,07
|
|
Educação
|
0,03
|
0,27
|
|
Comunicação
|
0,00
|
0,01
|
Entre os alimentos, houve queda nos preços da batata inglesa (-9%), feijão carioca (-4,4%) e leite longa vida (-3,6%). Já os problemas climáticos impulsionaram a alta do açaí (11,6%), hortaliças e verduras (11,4%) e do tomate (10,7%).
Calculado pelo IBGE desde 1980, o IPCA e refere às famílias com rendimento monetário de um a 40 salários mínimos. 10 regiões metropolitanas do país são contempladas pela pesquisa, além de Brasília e os municípios de Goiânia e Campo Grande.
O cálculo do índice de fevereiro compara os preços coletados no período de 30 de janeiro a 26 de fevereiro com aqueles vigentes entre 31 de dezembro e 29 de janeiro.
INPC
Além do IPCA, o IBGE calcula também o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que se refere às famílias mais pobres, com rendimento entre 01 e 05 salários mínimos.
Este índice teve alta de 0,64% em fevereiro, praticamente estável em relação aos 0,63% de janeiro e abaixo dos 0,52% de fevereiro do ano passado.
No acumulado de 12 meses, a taxa foi para 5,38%, acima da taxa de 5,26% dos 12 meses anteriores.
Os produtos alimentícios tiveram alta de 0,39%, enquanto os não-alimentícios subiram 0,75%. No mês passado, foi o contrário, com altas de 0,86% e 0,53%, respectivamente.
