O Globo
Com Agências Internacionais
Outros cinco diários correm o mesmo risco, alerta informe da ONG Espaço Público
Além do desabastecimento, censura e sanções colocam imprensa na mira do governo de Nicolás Maduro
Divulgação / AFP
Maduro discursa para simpatizantes em Caracas:
presidente venezuelano descarta críticas sobre desabastecimento
e alega que falta de produtos é derivada de “guerra econômica” travada por rivais
CARACAS — Um estudo divulgado pela ONG Espaço Público revela que ao menos dez jornais venezuelanos deixaram de circular temporariamente ou de forma definitiva devido à escassez de papel no país. O desabastecimento, que abrange produtos básicos na Venezuela, é mais um golpe à imprensa local, já na mira da censura e de sanções impostas pelo presidente Nicolás Maduro.
Segundo a ONG Espaço Público, os jornais que pararam de ser publicados são: “Caribe” e “La Hora” (ambos de Nova Esparta); “Versión Final” (Zulia); “Los Llanos” (Barinas); “Diario de Sucre” (Sucre); “Antorcha de El Tigre” (Anzoátegui); “El Sol de Maturín” (Monagas); “El Expreso” (Bolívar); “El Guayanés” (Bolívar); Primera Hora (Caracas).
O relatório indica ainda que outros cinco diários venezuelanos atualmente correm o risco de seguir o mesmo caminho: “El Oriental” (Monagas); “La Región” (Los Teques); “El Regional” (Zulia); “La Prensa de Monagas” (Monagas); “El Correo del Caroní” (Bolívar). E mais onze jornais, diz a ONG, foram forçados a reduzir suas páginas ou tiragens para se manterem no mercado.
O governo de Nicolás Maduro foi citado esta semana por outro relatório, da organização Repórteres sem Fronteiras (RSF), entre os que mais ameaçam a liberdade de informação na internet. A organização denunciou que o presidente venezuelano obrigou provedores de internet a filtrar certos conteúdos.
As empresas “foram contaminadas a bloquear uns 50 sites que mencionavam a taxa de câmbio e a inflação galopante, temas que contribuem para alimentar a ‘guerra econômica’ contra o país”. Segundo a RSF, “isso não impediu o surgimento de vários movimentos contestatórios contra os desequilíbrios econômicos e os problemas de insegurança”.
Em 24 de fevereiro, acrescentou a organização, “as autoridades venezuelanas ordenaram novamente que os provedores de internet bloqueassem o serviço de imagens do Twitter”, onde circulavam fotos das manifestações que tomam o país há um mês.
