terça-feira, março 05, 2013

Era piada, Mantega?


Adelson Elias Vasconcellos


Questionado sobre o baixo crescimento do pais em 2012, que conseguiu ser pior do que fora em 2011, o ministro se saiu com esta afirmação: 'Foi um ano mais fraco, mas com trajetória de aceleração'

Bem, que a trajetória deverá,  necessariamente, ser de alta, , não   se duvida. Até porque, pior do que os 0,9% só mesmo recessão. E não creio que o governo Dilma trabalhe neste sentido...

Faz tempo que as promessas de Mantega não se cumprem. E, creio ser um sentimento quase unânime, além de o governo errar feio no diagnóstico, erra também na medicação e no tratamento que vem ministrando para a economia brasileira sair do lugar. Para início de conversa, cito um exemplo claro: o governo Dilma não se cansa do discurso das tais desonerações. E isto não faz sentido algum. Vejam: a maioria das tais desonerações foi temporária, com prazo de validade fixado. Produziram alguns resultados pontuais, de curto prazo, nada muito além disso.  Quem conhece bem o manicômio em que se converteu nosso sistema tributário, deve achar graça diante das falsas expectativas alimentadas  discurso do improviso. Sem mexer na essência do sistema, não há desenvolvimento que se sustente, tampouco os investimentos aguardados se produzirão. 

Olhando-se para os dados do PIB divulgado pelo IBGE, podemos concluir que, se de um lado, a desaceleração sofreu uma parada, nada indica que uma possível retomada esteja acontecendo de maneira sustentável. É claro, sabemos bem, o governo Dilma trabalha apenas para produzir resultados positivos para embalar a campanha em 2014.  Não existe um horizonte de longo prazo, já que o projeto da soberana busca apenas o poder pelo poder. 

Mas, por outro lado, há números bastante significativos que deveriam acender o sinal amarelo para equipe econômica, muito embora não acredite que os “diferentes” ministros da Fazenda que circulam em torno da presidente, terão coragem para tocar no ponto certo da questão. Não sei ao certo se covardes porque incompetentes, ou incompetentes por serem covardes. Mantega tentou, pela enésima vez, justificar o PIB fraco com a crise lá fora. Santo Deus, não passa da hora de mudar o discurso?  Mesmo alguns países envoltos em crise conseguiram avançar mais do que o Brasil!!!  

O PIB de 2012, assim como o de 2011, contudo, não podem ser atribuídos como consequência de crise internacional, porque, na verdade, o que existe é crise de excesso de endividamento de alguns países europeus. E só. O resto é demagogia  barata. 

Estes 0,9% foram construídos aqui dentro mesmo, por ação direta da má governança, pela insistente cegueira e teimosia burra de se querer alinhar o Brasil às nações mais empobrecidas do planeta. O Brasil deve alinhar-se, por sua riquezas e importância, ao que há de mais desenvolvido e moderno, nunca querer  perfilar-se na catacumba dos bolivarianos e afins.

Uma das causas apontadas por 10 dentre 10 economista e analistas para nosso baixo crescimento é o investimento, ou melhor, a falta dele. Com efeito,  nos últimos anos temos assistido a uma queda gradual, de um lado e de outro. Porém, investimento não pode ser causa para crescimento. Para que o investimento se concretize, e no volume de nossas necessidades, é preciso que se crie ambiente propício capaz de atraí-lo. Já afirmamos em outras vezes, que Dilma Rousseff, por ideologia e conjugada com jumentice, é refratária ao capital privado.  De resto, aliás, todo o petista vê o capital privado como inimigo a  ser repelido, varrido para bem longe. Então, apontem um único país desenvolvido que o tenha conseguido movido por investimentos públicos? Mesmo a China, ditadura socialista declarada, somente cresceu econômica e socialmente a partir do momento em que abriu suas fronteiras ao capital privado. 

Por aqui, nossos governantes tupiniquins, que se abraçam ao socialismo com tanto ardor, querem que os investidores coloquem dinheiro bom em negócios ruins. E por que são ruins? As oportunidades são inúmeras, em todas as direções, mas sem um ambiente adequado ninguém se sente atraído. Vejam nesta e em outras edições a questão dos marcos regulatórios para as áreas de concessões. São pacotes fechados, que sequer passaram por um debate sadio para aparar arestas e reduzir riscos. E, sem ainda terem entrado na pauta de votações pelo Congresso, as medidas provisórias impostas pela presidência, passam por inúmeros sobressaltos, alterações para cá, para lá, sem indicar um rumo certo de onde de pretende chegar. Além disto, e ó o caso do tal trem bala, já se torrou uma fortuna em “estudos e projetos”, sem que se tenha até agora um valor certo do total do investimento, e com regras confusas que se alteram ao sabor do quadrante lunar. 

Assim, se nos faltam investimentos não é por falta de oportunidades e, sim, por absoluta ausência de um ambiente melhor, com regras claras, definidas, permanentes. Vejam o caso do setor elétrico. Sequer as primeiras concessões haviam vencido seus prazos iniciais e o governo já se apressava em rasgar contratos e mudar as regras do jogo. E isto se repete nos aeroportos, portos, rodovias, ferrovias. É sintomático do desespero do governo federal em, além de abrir as portas do BNDES de forma tresloucada,   também esgarçar o Tesouro para cobrir possíveis prejuízos  operacionais. Ora, se o próprio governo já reconhece, a princípio, a possibilidade do prejuízo, quem é o maluco se atreverá nesta empreitada? 

Portanto, o pibinho é resultado apenas da falta de uma política econômica de longo prazo, voltada ao desenvolvimento. Nesta edição, temos aí o peso da enorme carga tributária que a sociedade precisa suportar. Já nem vou entrar no mérito da enorme burocracia que se precisa enfrentar apenas para conseguir abrir e regularizar uma pequena fábrica. Quem se aventurou neste calvário, sabe o custo que isto representa. 
Ou o governo destrava os gargalos que ele próprio criou e outros que ele ajudou a se tornar mais martirizantes, ou não vamos sair do lugar. Poderemos dar alguns soluços aqui,  outros ali, mas nada sem muita sustentação ao longo do tempo.

O mundo não para. Outros países, até com menos estão conseguindo fazer mais. E se insistirmos em ignorar nossas mazelas e afastar de vez este ambiente inóspito ao capital privado, seja nacional ou mesmo internacional, o trem da história cruzará a nossa frente, mais uma vez, sem poder pegar carona. 

Como afirmado em outros artigos e comentários, Dilma Rousseff deveria, antes de tudo, preocupar-se com a herança que irá deixar a quem vier depois, e não com o que recebeu. E aí está talvez o maior erro do PT: tentar comparar governos vividos em tipos diferentes. A comparação que faz justa à história é comparar o Brasil que FHC recebeu com o que entregou à Lula. Tentar apagar oito anos de nossa história como os petistas tentam obsessivamente emplacar, além de vigarice, é tirar deles próprios os melhores indicativos dos caminhos a seguir. 

Tanto isso é verdade que, diante de seus próprios erros, tentam manipular as estatísticas com o propósito de esconder da sua incompetência. A tal contabilidade criativa implementada pelo governo Dilma tem, até aqui, produzido um resultado para lá de ruim: a perda da confiança e da credibilidade no país. 

Quando em 2012, o Credit Suisse previu que a economia brasileira cresceria módicos 1,5%, Guido Mantega afirmou que se tratava “...É uma piada. Vai ser muito mais que isso...”. E completou dizendo que seria muito mais do que isso.  Como vimos, foi ainda menos. Assim, ministro, quem contou a piada sobre o nosso crescimento? Ou será Guido Mantega a própria piada?