O Globo
Coeficiente de importações na indústria registra 21,6%, o que para a entidade mostra perda de competitividade dos produtos brasileiros
BRASÍLIA – A participação de produtos importados na economia brasileira atingiu novo recorde em 2012, conforme aponta o coeficiente de penetração das importações, que atingiu 21,6% no final do ano passado, de acordo com dado divulgado nesta segunda-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Pelo terceiro ano consecutivo esse percentual teve aumento, segundo a entidade, e ficou no maior patamar desde o começo da série histórica, em 1996. Para a CNI, esse resultado “evidencia a perda de competitividade dos produtos industriais nacionais frente aos importados”.
A parcela de importados no uso de insumos industriais também cresceu em 2012 e atingiu 23,2%. Esse percentual também é recorde, segundo a entidade.
As principais elevações no coeficiente em 2012 na indústria da transformação foram registradas em Informática, eletrônicos e ópticos; Máquinas e materiais elétricos; Farmoquímicos e farmacêuticos; e Máquinas e equipamentos.
Por outro lado, o coeficiente de exportação no faturamento da indústria - que avalia a participação das vendas externas no valor da produção industrial - também cresceu em 2012, marcando 20,6%. A CNI avalia que a “desvalorização cambial ocorrida no início do ano e as desonerações tributárias deram suporte aos maiores ganhos com as receitas provenientes das exportações e auxiliaram no crescimento do índice”. O coeficiente ficou abaixo do valor recorde de 22,9%, de 2004, mas registra o terceiro crescimento anual consecutivo.
Por setor, todos exceto o de Madeira registraram aumento do coeficiente de exportações no ano passado ante 2011.
Para o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, o crescimento do coeficiente de penetração das importações ter sido maior do que o de exportação significa, na prática, que a indústria brasileira não só está perdendo mercado lá fora como sofrendo maior concorrência dos importados no mercado doméstico.
- A desvalorização cambial é apenas parte da explicação do crescimento dos dois coeficientes. O Brasil possui uma ineficiência sistêmica que precisa ser combatida, como tributação dos investimentos, uma carga tributária elevada e complexa, custos trabalhistas altos, uma educação básica ruim. São fatores que reduzem a competitividade, levando à perda de mercados - avalia Fonseca.