terça-feira, março 05, 2013

O custo social da Copa do Mundo no Brasil


Adelson Elias Vasconcellos

A copa do mundo não é apenas belos estádios (alguns verdadeiros elefantes brancos). Não são apenas as tais obras de mobilidade urbana, metade das quais ou não construídas, ou não içarão pronta a tempo. Não  apenas rede hoteleira, aeroportos e seus puxadinhos, etc. Já publicamos aqui inúmeras reportagens indicando que o tal legado prometido em favor da população, na verdade, serão pesadas dívidas a serem pagas no futuro. Como também demonstramos que alguns estádios se transformaram em verdadeiro sugadouro e desperdício de dinheiro público, seja pelo bilionário custo superfaturado, seja por serem monumentos destinados ao abandono, pela sua absoluta inviabilidade econômica. 

 Na época do anúncio, não me deixei levar pelo oba-oba festivo que tomou conta do país. Fui e continuo sendo um crítico ferrenho, não que o Brasil não mereça, mas não reunirmos condições de bancar um evento de tal porte. Mais tarde, quando o projeto grandioso já mostrava sinais de que não seria cumprido conforme o prometido, sugerimos que o melhor seria reduzir à metade o número de sedes. Isto permitiria uma melhor alocação de recursos, reduzindo os custos finais, permitindo ao país apresentar um evento que, se não fosse o melhor da história, ao menos poderia ser irreparável do ponto de vista de organização e preparação. Ainda entendo que o Brasil tem carências bem mais urgentes para atender, do que bancar um evento caro para satisfazer os olhos do mundo, mas deixando um legado fraco e com enormes dívidas para bancar no futuro.

Pouco a pouco, outros olhos começaram a se tornar críticos e deram-se conta de que, efetivamente, o Brasil não estava preparado para desperdiçar uma fortuna para sediar uma copa do mundo.  

De certa forma, as monumentais obras dos estádios tem sido acompanhadas atentamente pela imprensa. Sem dúvida são grandiosas, e na medida em que sua conclusão se aproxima, enchem os olhos dos expectadores de futebol.

Mas Copa do Mundo, senhores, não são apenas estes gigantes de concreto e aço. Há outro lado da história, e que poucos divulgam ou comentam. Trata-se do drama social das desapropriações, para cederem espaços para novos corredores e avenidas. 

Neste sentido, é oportuna a série de reportagens que a ESPN, canal pago, começou a apresentar nesta segunda feira. Se a retirada das milhares de famílias de suas casas se converter em novas residências com mais conforto e em seu entorno houver infraestrutura urbana adequada, representando melhor  qualidade de vida, tanto melhor. Do contrário, o drama desta gente representará um prejuízo do ponto de vista social muito grave. 

Quem puder acompanhar a série da ESPN que o faça. É indispensável que o povo brasileiro tome conhecimento do alto custo deste evento que, ao fim e ao cabo, representará  alegrias e lucros apenas para políticos e empreiteiros. 

Clique aqui para assistir a primeira reportagem sobre Porto Alegre.  No resumo em seu site, a ESPN informa que  “...é de 1 bilhão de reais o custo total do investimento em mobilidade urbana na capital gaúcha para a Copa do Mundo de 2014. No caminho dos canteiros de obras, estão 8 mil famílias que serão diretamente afetadas pelo chamado legado. São aproximadamente 32 mil cidadãos gaúchos vivendo o drama da desapropriação, sendo mal tratados e desrespeitados pelo pode público e pela especulação imobiliária. As indenizações do governo são insuficientes e algumas das famílias já indenizadas prometem invadir novos terrenos. Um problema social que a mídia local esconde do grande público...”.