SÃO PAULO - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vai recorrer ao plenário do Tribunal Regional Federal (TRF) contra a aprovação da venda da Garoto pela Nestlé. Na sexta-feira, o juiz Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara Federal do Distrito Federal, aprovou o negócio ao conceder uma sentença contrária à decisão do Cade, que vetava a aquisição.
Em nota oficial, o órgão informou que não havia sido notificado da decisão do juiz. Assim que isso ocorrer, estudará as razões usadas na sentença para apresentar recurso à 2ª instância do Judiciário. Fontes ligadas ao Cade anteciparam que, entre outros argumentos, os advogados vão ressaltar ao TRF que não houve perda do prazo para julgamento do caso, como alega a Nestlé.
A companhia diz que o Cade deveria ter julgado a aquisição no prazo de 60 dias, sob "pena de aprovação automática". No entanto o julgamento ocorreu 411 dias após a chegada do processo ao órgão. Segundo o Cade, a lei permite que qualquer pedido de informação, por meio de ofícios, às empresas ou às suas concorrentes interrompa essa contagem.
No Brasil, até ontem a Nestlé estava proibida pela matriz de fazer qualquer declaração sobre o caso. Na sexta-feira, executivos na sede da multinacional na Suíça comemoram a decisão do juiz. A Garoto faz parte dos interesses estratégicos da multinacional. A Nestlé admite que, cada vez mais, dependerá do crescimento de suas vendas nos mercados emergentes para continuar sua expansão.
Suspeita de suborno
No começo de fevereiro, o Cade suspeitou que a Nestlé estivesse suspendendo investimentos na Garoto e encomendou um estudo sobre o mercado de chocolates desde o veto à fusão, em 2004, até hoje.
Há pouco menos de um mês, durante uma visita do presidente da Nestlé, Ivan Zurita, à fábrica da Garoto, em Vila Velha, representantes do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação do Espírito Santo fizeram uma manifestação exigindo mais transparência da multinacional e o fim da terceirização de parte da produção de ovos de Páscoa.
"Pedimos dados de investimento. Quanto mais esse processo demora mais inseguros ficam os trabalhadores e mais a Nestlé pode depreciar a fábrica", diz a presidente do sindicato, Linda Morais, que está contratando uma consultoria de marketing para acompanhar os investimentos que estão sendo feitos na marca Garoto. "Saindo a decisão, esperamos que a Nestlé faça investimentos, contrate mais."
Segundo Linda, o quadro de funcionários da Garoto permanece inalterado desde 2004, com cerca de 3500 empregados. De acordo com o balanço de 2005, os investimentos em ativos na Garoto somaram R$ 2,2 milhões, três vezes e meio inferior aos de 2004. A empresa não perdeu participação de mercado desde o anúncio da compra, há quatro anos, mas também não ganhou. Em novembro de 2006, ela tinha 22% das vendas de chocolates.
Desde o início da disputa, a Nestlé foi bastante clara em afirmar que não abriria mão da Garoto e que se considerava dona da empresa brasileira. Peter Brabeck, presidente da empresa, chegou a criticar o governo, alegando que em nenhum lugar do mundo uma aquisição levaria tanto tempo para ter uma decisão final. Ele ainda insinuou que interesses econômicos estariam por trás do bloqueio do Cade.
Segundo altos funcionários na sede da empresa, a manutenção da Garoto com a Nestlé não é apenas uma "questão de honra", mas uma verdadeira estratégia de crescimento da companhia no País e na América do Sul. Alguns executivos chegam a creditar à Garoto parte dos bons resultados que a empresa vem obtendo em suas vendas no País desde 2004.
Em 2005, as receitas da Garoto atingiram R$ 1 bilhão, 4,8% mais que no ano anterior. Entre 2003 e 2004, o crescimento havia sido de 12,3%. O faturamento de 2006 só será divulgado em abril, mas a Nestlé calcula um aumento da ordem de 10%.
Funcionários da multinacional na Suíça não deixam de destacar que a Garoto faz parte de uma estratégia da Nestlé de ampliar suas vendas em mercados em países emergentes. Com o mercado americano e europeu dando sinais de que crescerão menos em 2007 e 2008, os executivos da multinacional contam com Ásia, América Latina, Oriente Médio e África para sustentar o crescimento. Os mercados emergentes, que representavam 21% das vendas da empresa em 2003, passam a responder por 25% dos negócios em 2006.
Em nota oficial, o órgão informou que não havia sido notificado da decisão do juiz. Assim que isso ocorrer, estudará as razões usadas na sentença para apresentar recurso à 2ª instância do Judiciário. Fontes ligadas ao Cade anteciparam que, entre outros argumentos, os advogados vão ressaltar ao TRF que não houve perda do prazo para julgamento do caso, como alega a Nestlé.
A companhia diz que o Cade deveria ter julgado a aquisição no prazo de 60 dias, sob "pena de aprovação automática". No entanto o julgamento ocorreu 411 dias após a chegada do processo ao órgão. Segundo o Cade, a lei permite que qualquer pedido de informação, por meio de ofícios, às empresas ou às suas concorrentes interrompa essa contagem.
No Brasil, até ontem a Nestlé estava proibida pela matriz de fazer qualquer declaração sobre o caso. Na sexta-feira, executivos na sede da multinacional na Suíça comemoram a decisão do juiz. A Garoto faz parte dos interesses estratégicos da multinacional. A Nestlé admite que, cada vez mais, dependerá do crescimento de suas vendas nos mercados emergentes para continuar sua expansão.
Suspeita de suborno
No começo de fevereiro, o Cade suspeitou que a Nestlé estivesse suspendendo investimentos na Garoto e encomendou um estudo sobre o mercado de chocolates desde o veto à fusão, em 2004, até hoje.
Há pouco menos de um mês, durante uma visita do presidente da Nestlé, Ivan Zurita, à fábrica da Garoto, em Vila Velha, representantes do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação do Espírito Santo fizeram uma manifestação exigindo mais transparência da multinacional e o fim da terceirização de parte da produção de ovos de Páscoa.
"Pedimos dados de investimento. Quanto mais esse processo demora mais inseguros ficam os trabalhadores e mais a Nestlé pode depreciar a fábrica", diz a presidente do sindicato, Linda Morais, que está contratando uma consultoria de marketing para acompanhar os investimentos que estão sendo feitos na marca Garoto. "Saindo a decisão, esperamos que a Nestlé faça investimentos, contrate mais."
Segundo Linda, o quadro de funcionários da Garoto permanece inalterado desde 2004, com cerca de 3500 empregados. De acordo com o balanço de 2005, os investimentos em ativos na Garoto somaram R$ 2,2 milhões, três vezes e meio inferior aos de 2004. A empresa não perdeu participação de mercado desde o anúncio da compra, há quatro anos, mas também não ganhou. Em novembro de 2006, ela tinha 22% das vendas de chocolates.
Desde o início da disputa, a Nestlé foi bastante clara em afirmar que não abriria mão da Garoto e que se considerava dona da empresa brasileira. Peter Brabeck, presidente da empresa, chegou a criticar o governo, alegando que em nenhum lugar do mundo uma aquisição levaria tanto tempo para ter uma decisão final. Ele ainda insinuou que interesses econômicos estariam por trás do bloqueio do Cade.
Segundo altos funcionários na sede da empresa, a manutenção da Garoto com a Nestlé não é apenas uma "questão de honra", mas uma verdadeira estratégia de crescimento da companhia no País e na América do Sul. Alguns executivos chegam a creditar à Garoto parte dos bons resultados que a empresa vem obtendo em suas vendas no País desde 2004.
Em 2005, as receitas da Garoto atingiram R$ 1 bilhão, 4,8% mais que no ano anterior. Entre 2003 e 2004, o crescimento havia sido de 12,3%. O faturamento de 2006 só será divulgado em abril, mas a Nestlé calcula um aumento da ordem de 10%.
Funcionários da multinacional na Suíça não deixam de destacar que a Garoto faz parte de uma estratégia da Nestlé de ampliar suas vendas em mercados em países emergentes. Com o mercado americano e europeu dando sinais de que crescerão menos em 2007 e 2008, os executivos da multinacional contam com Ásia, América Latina, Oriente Médio e África para sustentar o crescimento. Os mercados emergentes, que representavam 21% das vendas da empresa em 2003, passam a responder por 25% dos negócios em 2006.