sábado, outubro 16, 2010

Serra pede direito de resposta em programa de Dilma

Catia Seabra, Folha de São Paulo

O comando da campanha de José Serra à Presidência entra, neste sábado, com pedido de direito de resposta ao programa de Dilma Rousseff (PT), exibido na noite de sexta-feira.

Na representação, o PSDB alega que a campanha petista mentiu ao afirmar que Serra determinou, quando governador, que a Polícia Militar invadisse a reitoria da USP (Universidade de São Paulo) durante ocupação de estudantes em 2009.

Como a Justiça determinou a reintegração de posse, com força policial, a pedido da reitoria da USP, a assessoria jurídica do PSDB acusa o PT de recorrer a inverdades.

Na representação, o argumento será o de que as universidades estaduais têm autonomia desde a década de 80.

O PSDB também pedirá direito de resposta à afirmação de que não existe, em São Paulo, ensino técnico integrado com o médio. Segundo o comando da campanha de Serra, São Paulo tem mais de 50 mil vagas de ensino médio integrado com o técnico.

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Alckmin critica "campanha do medo" realizada pelo PT

Em convenção realizada com o Partido Social Cristão (PSC) nesta sexta-feira (15) no Hotel Holiday Inn, em São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), governador eleito por São Paulo criticou o que chamou de "campanha do medo" realizada pelo PT e mostrou otimismo na vitória do presidenciável tucano José Serra no segundo turno.

"Eu vejo que Serra tem condições de ganhar essas eleições. Dilma caiu mais um pontinho (em referência à pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, em que a petista aparece com 47%, contra 41% de Serra), e em São Paulo sei que Serra terá uma grata surpresa. (...) Às vezes a gente cai na equívoco de bater no adversário. Eu não acredito nisso. E acho que o PT está errando nisso, fazendo campanha do medo".

Alckmin afirmou que a vitória de Serra seria um momento histórico para o Brasil. "FHC foi um momento histórico, Plano Real, ajudou o pobre e mudou o Brasil. O Lula foi um momento histórico e acredito que Serra também será. O Brasil precisa dele".

A convenção contou com a participação de Guilherme Afif, vice-governador eleito, e Airton Sandoval, primeiro suplente do senador eleito Alosio Nunes (PSDB). De acordo com Sandoval, a ausência de Aloisio Nunes se deu por compromissos partidários: o senador está no Rio de Janeiro em conversa com o PV, partida da candidata derrota Marina Silva.

Marina Silva também foi lembrada por Alckmin. "Essas eleições deixam reflexões. Tivemos um recado nas urnas, que valores e princípios têm pesos. A candidata Marina tinha um tempo pequenininho na TV e conseguiu 20% dos votos".

A vitória de Aloisio foi muito comemorada pelos presentes na convenção, que afirmaram que o senador tucano tem Ministério garantido em um possível governo Serra. Gilberto Nascimento, presidente estadual do PSC, em São Paulo, apresentou o suplente, Airton Sandoval, como "futuro senador". Questionado pelos jornalistas, Alckmin desmentiu a possibilidade e disse que o foco é eleger Serra e não ministros.

Campanha
Bem-humorados e demonstrando bastante otimismo, os aliados de Serra foram enfáticos no pedido de votos e nas críticas à campanha da presidenciável petista Dilma Rousseff. "Estamos empenhados na campanha de Serra. Estamos aqui para ação e união. Vejo que o Serra pode fazer mais, porque o Brasil precisa de instituições fortes, não essa coisa personalista, atrasada", disse Alckmin.

O vice-governador de Alckmin, Guilherme Afif, também fez críticas à campanha do PT. "Na eleição presidencial passamos um sufoco. Aliás, PAC, é plano de aumento de comunicação, eles mais comunicam do que fazem. A estratégia deu errado (apostar na popularidade de Lula). Eles queriam ganhar em esfera nacional e ir para o segundo turno em São Paulo. Acabou o favoritismo".