Comentando a Notícia
Creio que já coloquei de forma bem clara, sem meias palavras, a posição do blog quanto a intromissão indecorosa do governo Dilma em assuntos de administração interna de uma empresa privada, no caso, a Vale.
A gente fazendo um retrospecto deste escandaloso caso, vai ver que o Bradesco se manteve irredutível, durante um bom tempo, em admitir que o governo determinasse a mudança de comando da companhia, até porque os resultados obtidos por Roger Agnelli, à frente da mineradora, são prá lá de excelentes e nada justificava mudar o certo por um duvidoso, ainda mais querendo, como sabemos, o governo Dilma se intrometer a dar palpites no plano estratégico de uma empresa privada.
Logo depois do Bradesco ter, finalmente, capitulado à pressão do governo, estranhando a maneira pouco convincente e sem nenhuma transparência com que o banco divulgou a informação, o que é um absurdo, por se tratar de uma empresa com ações em bolsa de valores no Brasil e no Exterior, escrevi um artigo com certa ironia perguntando qual deverá ter sido a taxa de sucesso que o Bradesco cobrará do governo para se submeter à pressão.
Neste mundo de “mercado” em que o PT tenta ajustar o país, acreditem, as jogadas são por demais milionárias. Envolve tantos e tão diversos interesses e negociatas, que o melhor seria a gente até sequer tomar conhecimento, por mínimo que seja, das trapaças. Mas não pensem que aí há lugar para gente de bem e honesta: à sua maneira delinquente e criminosa, a exemplo do negócio criminoso que foi a venda da Brasil Telecom para a Oi, o governo petista vai costurando negócios e parcerias com a iniciativa privada, escolhida a dedo, misturando de forma indecente negócios de Estado com interesses privados. Claro que o interesse público é tema que se joga no lixo, uma vez que ele pressupõe ética e moralidade, coisa da qual os negócios de submundo do governo petista passa o mais distante possível.
Assim, aquele discurso tosco e falso de Lula quanto às elites é só conversa mole. Papo furado. Serve para iludir os incautos e, deste modo, cooptar seu voto na próxima eleição. Porque, senhores e senhoras, e disso trato em outro artigo mais adiante, nunca um partido esteve tão ligado à elite econômica, política e sindical do país como o governo petista. Nunca elas foram tão beneficiadas por um governo como foi o caso dos dois mandatos de Lula.
Pobre de quem acreditar que tenha sido o contrário.
Abaixo, artigo do Hélio Fernandes, na Tribuna da Imprensa, contando os pormenores de mais esta vigarice perpetrada pelo governo petista.
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O Bradesco vai receber a segunda parte da recompensa pela concordância com a demissão do presidente da Vale. Passará a controlar o IRB, grande potência no setor de seguros.
O Governo (BB) ficará com 49 por cento. Mas tudo ainda é muito incerto, menos o poder de fogo do Bradesco. Há muito tempo falam na privatização desse instituto, mas tudo estava parado, pelo menos há dois anos. O IRB já teve lucro de 170 milhões, agora mal chega a 40 ou 50 milhões. O mercado segurador está agitado, porque existem muitas formas ou fórmulas, sendo encaminhadas.
Duas coisas que não sofrem dúvida. 1 – A posição de grande controlador, do Bradesco. 2 – E a situação do Banco do Brasil, que ficará com 49 por cento do IRB. Mas ninguém sabe quanto é o patrimônio líquido do IRB, quando é o seu ativo, quanto representa em capital.
Consultei várias fontes, especialistas, interessados, gente que não quer sair e gente que pretende entrar nesse IRB. Mas apesar de respeitar o sigilo pedido (nenhum favor, é a regra da informação e o direito do informante), sabiam tão pouco, que chega a ser disparatado ou contraditório falar em sigilo.
De qualquer maneira, vou publicar o que está sendo discutido, e que agita o mercado. E que qualquer solução (?) encontrada facilitará banqueiros e seguradoras, dois grupos que ganham sempre, mesmo sem colocar dinheiro.
(Não esquecer: na grande crise financeira que ainda assusta o mundo, a maior potência política e financeira do mundo, os EUA, colocaram TRILHÕES DE DÓLARES no “mercado” (textual e entre aspas), disseram que se não fizessem isso, o “MUNDO EXPLODIRIA”). Quem era esse “mercado”? Bancos, seguradoras e empresas de “empréstimos” imobiliários, vorazes e desvairados por lucros.
Também é preciso registrar, ressaltar e ressalvar, o seguinte: o melhor prêmio de documentário foi dado a um jornalista-escritor-especialista-financeiro, que contou tudo sobre o que chamaram de “A MAIOR CRISE FINANCEIRA DESDE 1929”. Incluindo a crise dos petrodólares. Ele contou, não omitiu coisa alguma.
E numa entrevista de grande repercussão nos EUA, assustou potências, banqueiros e seguradoras, revelando que está produzindo o segundo documentário, mais completo que o primeiro. (A Academia de Cinema terá a coragem de premiá-lo pela segunda vez? Ou esgotaram a coragem na concessão do prêmio deste ano?).
A guerra do IRB, se trava em torno das AÇÕES PREFERENCIAIS e das AÇÕES ORDINÁRIAS COM DIREITO A VOTO. Aparentemente (e que deve se concretizar) é o seguinte: ninguém INVESTIRÁ coisa alguma, a não ser o Banco do Brasil. Que compraria 100 por cento das PREFERENCIAIS, e transformaria em ORDINÁRIAS.
Essa operação é defendida pelo Bradesco, que tem 100 por cento dessas PREFERENCIAIS (todas). O governo (BB) compraria todas essas PREFERENCIAIS, que transformadas em ORDINÁRIAS COM DIREITO A VOTO, seriam vendidas a seguradoras, grandes, médias e pequenas.
O Bradesco compraria 25,5% das ORDINÁRIAS e o seu sócio americano (essa associação, que acabou de ser feita, pouca gente sabe), uma parte ainda não definida. Quer dizer, o Bradesco receberia o dinheiro das PREFERENCIAIS, compraria as ORDINÁRIAS. E ainda sobraria muito para reforçar o caixa e comprar bônus do Tesouro. Agora, recebendo 11,75%, mas quando tudo estiver feito e acertado, já estará em 12,25%.
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PS- Nesse esquema, o BB ficará com duas diretorias importantes e o Bradesco outras duas. Estão falando em criar outras duas diretorias inexpressivas, em termos de Poder. Mas com salário de 12 mil reais, com as mordomias (carro e motorista, almoço e jantar, cartão corporativo etc.) chegam a 60 ou 70 mil, M-E-N-S-A-I-S.
PS2 – O presidente desse NOVO IRB, será escolhido de acordo entre BB e Bradesco. Indicado pelo BB, sem veto do Bradesco, ou o inverso. Nome do Bradesco referendado pelo BB. Tão íntimos e interligados, Bradesco e BB não brigarão de jeito algum.
PS3 – Apesar da desinformação geral, a análise do repórter estará bastante aproximada da realidade. Pode haver alteração mínima, muito pequena mesmo.
Ps4 – Para terminar, mais um fato do poderio do Bradesco. Está sendo renovado o Banco Postal, exclusivamente para o Bradesco. Isso mais sigiloso ainda. Gente do “mercado” me pergunta: “O que é isso, Helio? Ouvi falar, mas não sei o que é”. São tão sem constrangimento, que em vez de me informarem, querem informação. Ha!Ha!Ha