Adelson Elias Vasconcellos
No artigo com que encerramos a edição de quarta feira, 13, reafirmamos algo que já havíamos dito sobre as tais “mudanças da política externa” brasileira, tão comemorada por certos setores da imprensa, que apontam ser Dilma Rousseff quase que protagonista de uma “verdadeira revolução”. E o que eu dizia no referido artigo? Que esta mudança dos ventos na política externa só poderia ser prá valer, SE e QUANDO o governo Dilma criticasse, sem concessões, os regimes dos irmãos Castro, em Cuba, e de Hugo Chavez, na Venezuela. À distância, tecer uma leve crítica a uma decisão lá no Irã, é fácil e, parece, dá IBOPE. Outra, bem diferente, é aqui no nosso quintal, com a proximidade que a geografia permite, e com as ligações históricas entre os petistas e regime tirânico de Cuba, e não menos da Venezuela, Dilma mudar o tom, mostrando sua preocupação real com direitos humanos, que seria uma mudança séria da nossa diplomacia, se comparada com a que se praticou no governo Lula..
Pois bem, na China, onde direitos humanos serve só para quem só sabe dizer “sim”, Dilma fez um silêncio sepulcral sobre o tema. Nem um leve suspiro se ouviu da soberana sobre o regime chinês e seu feroz estado policial e a forma muito peculiar como eles tratam seus dissidentes políticos.
Anuncia-se que a próxima visita internacional que a presidente fará será à Cuba. Alguém é capaz de imaginar Dilma falando de direitos humanos para os irmãos cubanos que governam a ilha há cinquenta anos com mãos de ferro? Alguém consegue imaginar Dilma cobrando democracia, liberdade de expressão e menos tirania de Fidel e Raul Castro?
Claro que esta gente sempre encontra um meio de justificar sua vigarice, mas isso só quando algum esperto resolve confrontar suas posturas diante de pessoas e fatos semelhantes. Assim, não faltou quem inquirisse ao assessor top da soberana, o excêntrico Marco Aurélio Garcia, sobre o porquê do silêncio.
Vejam a beleza de resposta da figura;
"Não vamos nos transformar num alto-falante permanente", avisou Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para Assuntos Internacionais. "O fato de termos uma tensão com esse tema não significa que vamos tratá-lo como questão obsessiva a todo momento."
É isso aí: a depender do país e seu governante, o tema direitos humanos deixará de ser “uma questão obsessiva”. Ou seja, a política externa brasileira vai continuar apoiando ditadores e tiranos, e somente se colocará em posição crítica em questões pontuais, sem que isso seja uma escala de valor a conduzir as nossas relações internacionais.
Se alguém acreditou e comemorou a mudança de ventos que não houve, é bom ficar antenado: a turma petista sempre distorcerá a seu favor qualquer coisa. O discurso sempre de ocasião e a depender do público que estiver assistindo, será conduzido para agradar à torcida, sem que, no fundo, determine um princípio moral a dar direção ao pensamento que os guia. A vigarice, ao que consta, parece ser o único valor que norteia atos e palavras do partido, estejam no poder ou na oposição.
Dizer que “...todos os países têm problemas ligados aos direitos humanos...” não passa de uma afirmação protocolar apenas. O Brasil, conforme relatório americano recém divulgado, também os têm, por certo. Assim como Estados Unidos, França, Inglaterra, etc. Porém, a diferença é que, alguns destes “países” a que se referiu tanto Dilma quanto seu excêntrico assessor, são democráticos e conseguem conviver com o contraditório, coisa que nas ditaduras, e especialmente a chinesa, sequer admitem a dissidência de pensamento político.
É bom que isto aconteça bem no começo do mandato. Evitará que muitos se deixem iludir pelo canto da sereia desta gente. Aliás, um pouco menos de hipocrisia na quest;ão de direitos humanos não lhes faria mal algum e o país sairia no lucro, já que seria visto com mais respeito. Por enquanto, somos moleques brincando de gente grande. E eles ainda querem cadeira no Conselho de Segurançaq na ONU! Deus nos livre!!!
