Villas-Bôas Côrrea, Jornal do Brasil
O que o presidente Lula diz nos improvisos de todos os dias não pode ser tratado com a seriedade que a importância do cargo e o peso da responsabilidade inerente ao mandato renovado reclamam.
Quando solta o verbo diante de qualquer auditório perde o controle da língua e fala de acordo com o que lhe vem à cabeça. Mas é pedir além do limite da tolerância que aceitemos os reincidentes escorregões da sua facúndia, especialmente quando invade o pântano das ameaças. Ainda agora, um passo a mais, e entramos no clima do golpismo. Pois, que desculpa alivia a apreensão com a bravata de que "ninguém consegue botar mais povo na rua do que eu"?
Lula deturpa os fatos sem a menor cerimônia. A temporada das vaias começou na inauguração dos Jogos Pan-Americanos, no clima de festa do Maracanã lotado. E quem botou mais de 75 mil pessoas no estádio? A oposição, o prefeito Cesar Maia? Ora, a oposição estilhaçada não consegue encher auditório de clube. Está sendo fatiada com a cooptação oficial que continua saldando com o PMDB as promissórias do acordo celebrado com foguetório e farta distribuição de cargos. Por que o PMDB fez tanta questão de nomear o presidente de Furnas? É desconhecida a paixão do ex-prefeito Luiz Paulo Conde pelo nosso complexo problema energético. Lula antecipou-se à cobrança com uma frase gaiata: "Não quero um eletricista em Furnas". E que tal um técnico?
A ligeireza com que o maior governo etc trata dos problemas e improvisa soluções para fechar os conchavos políticos é a causa principal do evidente fracasso administrativo que pipoca nas crises da dramaticidade do apagão aéreo. Pela grosseria pornográfica do assessor Marco Aurélio Garcia e de seu valete, além das reações da turma de choque do PT no Congresso, passa a tentativa de jogar a culpa do desastre do avião da TAM às falhas mecânicas, o que aliviaria o governo da responsabilidade pela bagunça crônica do Ministério da Defesa, uma espécie de casa de cômodos com uma dezena de órgãos superpostos paralisados pelo gigantismo burocrático.
Ora, trata-se de uma jogada bisonha. A evidência do malogro do mandato da reeleição está entrando pelos olhos do país com a nitidez que permite apartar os êxitos setoriais inegáveis, como a distribuição de milhões de Bolsas Família e seus filhotes, e o sucesso estatístico das políticas econômicas. E que irriga os ricos, os milionários donos de bancos recordistas de lucros, empresários e empreiteiros.
No meio do sanduíche, a classe média paga pelos seus pecados e pela festa dos outros. Na rotina da vida a roda gira ao contrário. Ainda agora, com o colapso do transporte aéreo e a via-crucis em aeroportos superlotados, a alternativa das rodovias ampliou o flagrante do descalabro da rede rodoviária e da tapeação das operações tapa-buracos. Os índices são de estarrecer. Só no mês de julho, 668 mortos em acidentes nas estradas denunciam que no asfalto descuidado perdem a vida mais que o triplo dos executados na queda do Airbus da TAM.
A cesta dos insucessos é mais sortida do que a dos êxitos. Se a carga tributária não dói na cacunda dos ricos e não incomoda os assistidos pelos programas sociais, cevas de votos, quem necessita do socorro de hospitais públicos, de postos de saúde, de vaga nas escolas e universidades conhece o calvário de dias e noites na fila para esbarrar nos portões fechados das greves do INSS.
A vida é uma festa para quem voa no Aerolula, mora em palácios e não puxa a carteira para as despesas com comida, roupa, condução.
Discursos e bravatas não enchem barriga.
O que o presidente Lula diz nos improvisos de todos os dias não pode ser tratado com a seriedade que a importância do cargo e o peso da responsabilidade inerente ao mandato renovado reclamam.
Quando solta o verbo diante de qualquer auditório perde o controle da língua e fala de acordo com o que lhe vem à cabeça. Mas é pedir além do limite da tolerância que aceitemos os reincidentes escorregões da sua facúndia, especialmente quando invade o pântano das ameaças. Ainda agora, um passo a mais, e entramos no clima do golpismo. Pois, que desculpa alivia a apreensão com a bravata de que "ninguém consegue botar mais povo na rua do que eu"?
Lula deturpa os fatos sem a menor cerimônia. A temporada das vaias começou na inauguração dos Jogos Pan-Americanos, no clima de festa do Maracanã lotado. E quem botou mais de 75 mil pessoas no estádio? A oposição, o prefeito Cesar Maia? Ora, a oposição estilhaçada não consegue encher auditório de clube. Está sendo fatiada com a cooptação oficial que continua saldando com o PMDB as promissórias do acordo celebrado com foguetório e farta distribuição de cargos. Por que o PMDB fez tanta questão de nomear o presidente de Furnas? É desconhecida a paixão do ex-prefeito Luiz Paulo Conde pelo nosso complexo problema energético. Lula antecipou-se à cobrança com uma frase gaiata: "Não quero um eletricista em Furnas". E que tal um técnico?
A ligeireza com que o maior governo etc trata dos problemas e improvisa soluções para fechar os conchavos políticos é a causa principal do evidente fracasso administrativo que pipoca nas crises da dramaticidade do apagão aéreo. Pela grosseria pornográfica do assessor Marco Aurélio Garcia e de seu valete, além das reações da turma de choque do PT no Congresso, passa a tentativa de jogar a culpa do desastre do avião da TAM às falhas mecânicas, o que aliviaria o governo da responsabilidade pela bagunça crônica do Ministério da Defesa, uma espécie de casa de cômodos com uma dezena de órgãos superpostos paralisados pelo gigantismo burocrático.
Ora, trata-se de uma jogada bisonha. A evidência do malogro do mandato da reeleição está entrando pelos olhos do país com a nitidez que permite apartar os êxitos setoriais inegáveis, como a distribuição de milhões de Bolsas Família e seus filhotes, e o sucesso estatístico das políticas econômicas. E que irriga os ricos, os milionários donos de bancos recordistas de lucros, empresários e empreiteiros.
No meio do sanduíche, a classe média paga pelos seus pecados e pela festa dos outros. Na rotina da vida a roda gira ao contrário. Ainda agora, com o colapso do transporte aéreo e a via-crucis em aeroportos superlotados, a alternativa das rodovias ampliou o flagrante do descalabro da rede rodoviária e da tapeação das operações tapa-buracos. Os índices são de estarrecer. Só no mês de julho, 668 mortos em acidentes nas estradas denunciam que no asfalto descuidado perdem a vida mais que o triplo dos executados na queda do Airbus da TAM.
A cesta dos insucessos é mais sortida do que a dos êxitos. Se a carga tributária não dói na cacunda dos ricos e não incomoda os assistidos pelos programas sociais, cevas de votos, quem necessita do socorro de hospitais públicos, de postos de saúde, de vaga nas escolas e universidades conhece o calvário de dias e noites na fila para esbarrar nos portões fechados das greves do INSS.
A vida é uma festa para quem voa no Aerolula, mora em palácios e não puxa a carteira para as despesas com comida, roupa, condução.
Discursos e bravatas não enchem barriga.