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Daniela Amorim, do Estadão Conteúdo
Enquanto o Sul e o Sudeste perderam participação no total de riqueza gerada, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste ganharam mais peso
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No Norte, a maior contribuição para o aumento da sua fatia no PIB nacional,
de 5,0% em 2009 para 5,3% em 2010, foi do Estado do Pará
Rio de Janeiro - Embora a concentração de renda ainda seja grande no País, as políticas de distribuição de renda ajudaram a redistribuir o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre as regiões brasileiras em 2010.
Enquanto o Sul e o Sudeste perderam participação no total de riqueza gerada, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste ganharam mais peso, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira.
"A riqueza no Brasil ainda é muito concentrada, mas a gente já percebe algum nível de desconcentração. É claro, se você tem programa de transferência de renda, de proteção social, em que a massa salarial amplia, você também leva economia para esses lugares. Então, a desconcentração se dá até porque esses Estados estão crescendo", disse Frederico Cunha, gerente da Coordenação de Contas Nacionais Anuais do IBGE.
No Norte, a maior contribuição para o aumento da sua fatia no PIB nacional, de 5,0% em 2009 para 5,3% em 2010, foi do Estado do Pará, beneficiado pelo aumento do preço do minério de ferro no mercado internacional. No Amazonas, houve recuperação da indústria de transformação, enquanto Rondônia registrou ganho de participação na atividade agropecuária.
Na passagem de 2009 para 2010, a Região Nordeste manteve a participação de 13,5% no PIB nacional. Mas o aumento foi de 0,5 ponto porcentual em relação a 2002. Os destaques foram Maranhão, Piauí, Ceará e Pernambuco. O Maranhão consolidou-se na produção de soja, enquanto no Ceará o setor de serviços avançou, principalmente o comércio.
A Região Centro-Oeste também ganhou 0,5 ponto porcentual de participação no PIB entre 2002 e 2010, alcançando uma fatia de 9,3% em 2010. O Mato Grosso do Sul ganhou participação na indústria e nos serviços, mas perdeu na agropecuária, devido a problemas climáticos. Goiás também teve perda na participação da agropecuária, mas ganhou na indústria e nos serviços.
******* COMENTANDO A NOTÍCIA:
Há muito que se comemorar nesta desconcentração do PIB que se observa no Brasil. É como se os brasileiros estivessem descobrindo que o seu país é muito maior do que apenas sul e sudeste.
Mas que não se vá cometer a sandice de se considerar como causas os programas de distribuição de renda promovidos pelo governo federal. Este processo de desconcentração teve seu início com a criação dos fundos de investimentos que alocaram bilhões de reais em investimentos produtivos geradores de empregos e renda. Foi a criação de oportunidades que tiveram o dom de fixar as pessoas em suas regiões de nascimento e origem. Voltem às estatísticas. Reparem como se inverteu, a partir dos anos 90 do século passado, as correntes de migração interna no país. Ter renda proveniente da ajuda federal, mas sem oportunidade de emprego não provocaria os resultados que hoje comemoramos.
Assim, Norte, Nordeste e Centro-Oeste, graças aos fundos FINAM e FINOR, saíram das trevas e do atraso secular e passaram a se integrar de maneira positiva à corrente econômica e produtiva do Brasil. Por isso, seria importante que o governo federal ainda mantivesse ativos e dinâmicos estes fundos para que, através deles, as economias do Norte, Nordeste e Centro-Oeste pudessem completar o seu ciclo de desenvolvimento econômico num processo virtuoso de integração nacional.
