Adelson Elias Vasconcellos
Chega ser cansativo a gente ter de repetir sempre as mesmas coisas quanto o tema descamba para a política brasileira. Como, também, não há como não ficarmos constrangidos quanto assiste-se a prisão, demissão e exoneração de servidores públicos por se mancomunarem com políticos desonestos e participarem do banquete de assalto às instituições, à lei, à ordem, à moralidade.
Também se pode incluir o sentimento de repulsa e até de vergonha por assistir, dia após dia, a descoberta de um novo esquema de corrupção se escorrendo por debaixo do tapete da presidência da república. O que há de esquemas de falcatruas é algo que impressiona a qualquer um. Trata-se de uma produção em larga escala, por atacado.
Este de agora vindo a público pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal, é muito mais revelador do que um simples (mais um) caso de corrupção e tráfico de influência. Ele revela, de um lado, a absoluta falta de autoridade dos governantes sobre os servidores públicos. É como se trabalhassem e servissem em outro país tão longe estão da cadeia de comando. E, de outro lado, revela ainda o estado de podridão moral instalado no Estado brasileiro.
Corrupção e tráfico de influência existem em qualquer lugar do mundo e em todos os tempos. Em alguns países, quando descobertos, causam condenação e prisão, casos dos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França. Em outros, fuzilamento direto, caso da China. Mas há os casos em que se desafia até a Justiça e se criam toda a espécie de bagunça para evitar que a prisão seja cumprida, que a punição seja decretada, como estamos assistindo no caso do mensalão. Os petistas, cujo sentimento e apreço pela democracia é zero vezes zero, agora quererem fazer o julgamento do julgamento.. Falta-lhes, neste caso, até o senso do ridículo além de denotarem total falta de inteligência. Quanto mais fatos protagonizarem a respeito do caso, mais alimentarão a imprensa com notícias sobre o escândalo, mantendo viva e acesa a memória nacional que, em dado instante saberá responder com um “basta” nas urnas.
Voltemos à operação da PF. Nada menos do que 7 órgãos estavam empoleirados nas tramoias, resultando em 18 indiciamentos e prisões. E, prá não variar, mais uma vez o escândalo vai bater às portas da presidência da república. Vocês não esqueceram de Erenice Guerra, não é mesmo? Aliás, há poucas semanas a distinta voltou a ser manchete negativa de jornais no rumoroso caso da Nextel.
Não faz muito afirmamos aqui que o governo petista, seja de Lula ou de Dilma, não resiste a cinco minutos de investigações. E podem escolher o canto que quiserem: sempre respingará lá de dentro algum esquema delinquente e criminoso instalado e atuante. Não, o PT não inventou a corrupção no Brasil, mas teve a desfaçatez de institucionalizá-la e até dar-lhe sentido missionário.
Interessante é sabermos que, enquanto a PF atuava em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, coração do poder, o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, portanto, chefe da PF, flanava por Fortaleza, indiferente ao que estava acontecendo. Foi chamado às pressas de volta a Brasília, para reunião de emergência com a soberana.
Também é interessante sabermos que foi para José Dirceu quem a dona Rosemary primeiro telefonou quanto os policiais entraram em sua residência. Lula estivesse no Brasil, e talvez até sido acionado também, mas somente depois da operação deflagrada. Esperava o quê a dona Rose, que a operação fosse suspensa por ordem de Dirceu? Alguém lhe avisou que o mesmo foi demitido, cassado, julgado e condenado e que apenas falta o ato de ofício decretando-lhe a prisão? A que ponto de degradação chegamos!!!!
Muito embora muitos fatos ainda virão à tona, não há como negar que diante de situações como esta, e que se repetem com tanta constância, e sempre na ante sala da presidência, vendo-se arrolado nas pilantragens inclusive o número dois da Advocacia Geral da União, o sentimento mais forte que brota é o de desfalecimento. Fica difícil acreditar que um dia este grande país se torne sério e civilizado. Porque, senhores, a promiscuidade é tamanha que fica parecendo que o artigo primeiro da constituição federal decreta a instalação no poder como instrumento e princípio básico a corrupção.
Sinceramente, e diante da reação que virá das hostes petistas, é de temer o futuro do Brasil. Por mais absurda que a ideia possa parecer, tenho medo do que pode acontecer-nos se, em 2014, a hegemonia petista no Planalto estiver sob ameaça real de ter seu final. O ruído de golpe ainda soa fraco e dentre poucas vozes. Mas em situações como a que o país assiste, de total desintegração dos costumes políticos e éticos da administração federal, sempre haverá o real perigo de um ponto de ruptura. O PT não é um partido político, trata-se de uma gangue de jagunços que não respeita limites quando o assunto é a manutenção no poder. É o governo do crime organizado que estamos assistindo ser desmascarado. E não acreditem que eles venderão sua derrota tão fácil. E quando se está diante de uma malta inescrupulosa como esta, sempre é possível se esperar o pior. Apenas o pior.
