Ricardo Setti, Veja online
Dilma e a sombra de Lula
O presidente Lula prometia que “o Ministério da Dilma é ela quem vai escolher porque vai ter a cara da Dilma”, mas não se conteve. Assim, como afirmou brilhantemente o Estadão de hoje em editorial, o ministério da presidente eleita só teria a sua cara “se a sucessora tivesse barba e bigode”.
Guloso, insaciável, Lula já indicou, direta ou indiretamente — fazendo vazar suas preferências junto a pessoas certas –, sugeriu, influiu na escolha ou fez ver que gostaria de ter nos postos ministros Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento), Nelson Jobim (Defesa), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), Fernando Haddad (Educação), Paulo Bernardo (Comunicações), Alexandre Padilha (provavelmente continuará em Relações Institucionais) e Izabella Teixeira (mesma coisa, Meio Ambiente), além dos presidentes da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, e do BNDES, Luciano Coutinho.
Ufff… Onze nomes!
“Nunca antes na história deste país…”
Em compensação, a presidente eleita, que permanece à sombra de Lula, conseguiu, até agora, escapar da política espantosa que Lula adotou ao assumir o primeiro mandato, quando um dos requisitos essenciais para ser ministro ou ocupar cargo equivalente parecia ser a derrota nas urnas: ele abrigou 23 derrotados nas eleições de 2002 sob as asas generosas do governo.
Até agora, Dilma só estendeu esse manto protetor a um vencido pelo voto: o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que não conseguiu se eleger governador de São Paulo e vai ser ministro da Ciência e Tecnologia.
