Josias de Souza, Folha.com
Stock Images
A pedido do Ministério Público, a Justiça Federal suspendeu um empréstimo que Lula havia negociado com o governador de Goiás, Alcides Rodrigues (PP).
A transação alça à casa de R$ 3,7 bilhões. Dinheiro do BNDES, que seria repassado por meio da Caixa Econômica, agente financeiro da transação.
O dinheiro iria às arcas da CELG, estatal energética de Goiás. Uma empresa mergulhada em dívidas. O buraco é estimado em R$ 7 bilhões.
Deve-se ao procurador da República Cláudio Drewes a ação contra o empréstimo. E à juíza Luciana Gheller, a liminar que suspendeu o negócio.
Titular da 4ª Vara Federal de Goiás, a magistrada impôs o freio por meio de uma liminar. Decisão temporária, portanto.
Requisitou documentos à União. Depois de receber e analisar a papelada, vai julgar o processo em termos definitivos.
Por ora, a juíza deu razão ao Ministério Público. Na sua ação, o procurador Drewes anotou que “são veementes” os indícios de que o empréstimo é ilegal.
A União tornou-se sócia da encrenca goiana sem levar em conta a Lei de Responsabilidade Fiscal.
O Tesouro Nacional, sustenta o procurador, absteve-se de realizar uma análise crível sobre a real capacidade de endividamento do Estado de Goiás.
A primeira parte do empréstimo –cerca de R$ 1 bilhão— seria creditada ainda neste mês de novembro.
Em seu despacho, a juíza Luciana Gheller determinou que o dinheiro seja depositado em juízo, numa conta à qual o Estado não terá acesso.
O governador Alcides Rodrigues arruma as gavetas. Em 1º de janeiro, transfere o poder ao senador tucano Marconi Perillo.
Junto com o cargo, Perillo receberá o passivo da CELG. Poderia tachá-lo de herança maldita. Talvez lhe faltem, porém, argumentos.
Ex-governador de Goiás, Perillo é mentor de Alcides, eleito com o seu apoio. Hoje, são inimigos figadais.
Protagonizam em Goiás um desses inúmeros casos da política em que a criatura se volta contra o criador.
