Editorial do Jornal do Brasil
O passado não passou. Por mais que o governo Lula e o PT finjam que os fatos foram superados, os 40 supostos integrantes da organização criminosa que levantou dinheiro, distribuiu entre partidos e parlamentares, envolveu operações bancárias fraudulentas e espalhou os tentáculos da corrupção por escaninhos de estatais e órgãos públicos, um conjunto de irregularidades que lesaram os cofres públicos, por baixo, em R$ 55 milhões, sentam hoje nos bancos dos réus do Supremo Tribunal Federal.
A imagem não espelha a realidade. Os acusados pela Procuradoria-Geral da República de envolvimento com o escândalo do mensalão não estarão fisicamente ali. Serão representados por seus advogados. Os 10 ministros do Supremo não irão julgá-los, mas decidir se aceitam a denúncia do Ministério Público Federal. Em caso positivo, sairão da condição de denunciados para a de processados. E muito tempo se passará, a partir daí, até a decisão definitiva da Justiça sobre a condenação ou absolvição. É possível que nem todos respondam pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção e evasão de divisas.
Não importa. Todos contribuíram, em maior ou menor grau, para a mais grave crise política do primeiro mandato do presidente Lula. Mergulharam num escândalo que pôs fim ao núcleo político de aconselhamento do chefe da nação e nivelou o PT aos partidos aliados. A legenda deixou de ser um baluarte da ética - marca com a qual escreveu sua história desde a fundação, em 1980 - e se revelou tão atraída pelo poder e pelo dinheiro fácil do caixa 2 de campanhas e de publicitários levianos como suscetível à corrupção. "As pessoas viram que não somos a Brastemp que imaginavam. Tiveram um choque de realidade", reconhece hoje o governador da Bahia, Jaques Wagner.
Os ministros do Supremo vão decidir sobre o tamanho e a profundidade das mal-feitos dos acusados. O governo e o PT, contudo, pouco aprenderam com o escândalo e seus desdobramentos. O Planalto, sob a batuta presidencial, mantém ativa a cooptação partidária e parlamentar, a troca de favores à custa de vagas ministeriais e de escalões intermediários na máquina do Estado. As legendas devolvem a gentileza com subserviência e votos em projetos definidos como essenciais pela administração federal.
O partido afastou de postos-chave alguns dos envolvidos, mas continua a cercá-los de gentilezas e agrados. Uns mantêm a força política interna. Outros encontram abrigo e meios de subsistência entre companheiros da legenda. Para o PT, cometeram apenas erros. Não crimes.
A adesão fisiológica de siglas às custas de instrumentos do Estado permitiu a repetição de licitações fraudulentas e dirigidas nos Correios, abortada durante a Operação Selo, da Polícia Federal. Até há bis dos criminosos de ontem nas irregularidades de hoje.
O escândalo do mensalão entra em pauta a partir de agora contra a vontade do Planalto e dos petistas. Volta, contudo, para lembrar que os atos flagrados e fartamente relatados nas páginas enviadas pelo Ministério Público são criminosos, lesaram os cofres públicos e, por tabela, os contribuintes, atingiram o governo e minaram a imagem do partido ao qual está filiado o presidente da República. Que se denunciem os culpados. E se acelerem os trâmites para o julgamento que pode ajudar o país a se reencontrar com a balança da Justiça.
O passado não passou. Por mais que o governo Lula e o PT finjam que os fatos foram superados, os 40 supostos integrantes da organização criminosa que levantou dinheiro, distribuiu entre partidos e parlamentares, envolveu operações bancárias fraudulentas e espalhou os tentáculos da corrupção por escaninhos de estatais e órgãos públicos, um conjunto de irregularidades que lesaram os cofres públicos, por baixo, em R$ 55 milhões, sentam hoje nos bancos dos réus do Supremo Tribunal Federal.
A imagem não espelha a realidade. Os acusados pela Procuradoria-Geral da República de envolvimento com o escândalo do mensalão não estarão fisicamente ali. Serão representados por seus advogados. Os 10 ministros do Supremo não irão julgá-los, mas decidir se aceitam a denúncia do Ministério Público Federal. Em caso positivo, sairão da condição de denunciados para a de processados. E muito tempo se passará, a partir daí, até a decisão definitiva da Justiça sobre a condenação ou absolvição. É possível que nem todos respondam pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção e evasão de divisas.
Não importa. Todos contribuíram, em maior ou menor grau, para a mais grave crise política do primeiro mandato do presidente Lula. Mergulharam num escândalo que pôs fim ao núcleo político de aconselhamento do chefe da nação e nivelou o PT aos partidos aliados. A legenda deixou de ser um baluarte da ética - marca com a qual escreveu sua história desde a fundação, em 1980 - e se revelou tão atraída pelo poder e pelo dinheiro fácil do caixa 2 de campanhas e de publicitários levianos como suscetível à corrupção. "As pessoas viram que não somos a Brastemp que imaginavam. Tiveram um choque de realidade", reconhece hoje o governador da Bahia, Jaques Wagner.
Os ministros do Supremo vão decidir sobre o tamanho e a profundidade das mal-feitos dos acusados. O governo e o PT, contudo, pouco aprenderam com o escândalo e seus desdobramentos. O Planalto, sob a batuta presidencial, mantém ativa a cooptação partidária e parlamentar, a troca de favores à custa de vagas ministeriais e de escalões intermediários na máquina do Estado. As legendas devolvem a gentileza com subserviência e votos em projetos definidos como essenciais pela administração federal.
O partido afastou de postos-chave alguns dos envolvidos, mas continua a cercá-los de gentilezas e agrados. Uns mantêm a força política interna. Outros encontram abrigo e meios de subsistência entre companheiros da legenda. Para o PT, cometeram apenas erros. Não crimes.
A adesão fisiológica de siglas às custas de instrumentos do Estado permitiu a repetição de licitações fraudulentas e dirigidas nos Correios, abortada durante a Operação Selo, da Polícia Federal. Até há bis dos criminosos de ontem nas irregularidades de hoje.
O escândalo do mensalão entra em pauta a partir de agora contra a vontade do Planalto e dos petistas. Volta, contudo, para lembrar que os atos flagrados e fartamente relatados nas páginas enviadas pelo Ministério Público são criminosos, lesaram os cofres públicos e, por tabela, os contribuintes, atingiram o governo e minaram a imagem do partido ao qual está filiado o presidente da República. Que se denunciem os culpados. E se acelerem os trâmites para o julgamento que pode ajudar o país a se reencontrar com a balança da Justiça.