terça-feira, junho 19, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Demóstenes Torres chama ministro da Defesa de incompetente

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) criticou duramente ontem o ministério da Defesa e o titular do cargo, Waldir Pires, no seminário "Um Novo Modelo de Gestão do Transporte Aéreo", que ocorreu ontem em São Paulo. "Podemos dizer que o ministro, lamentavelmente, é incompetente. Ele deveria ser secretário nacional dos direitos humanos, e não ministro da Defesa, porque ele não dá conta do cargo", declarou o senador, que é relator da CPI do Apagão Aéreo no Senado.

Ainda nas críticas, o democrata disse que o Ministério da Defesa "não existe de fato, mas apenas no papel" e continuou: "Esse Ministério nunca foi ocupado por alguém do ramo que tivesse disposição e soubesse como coordená-lo."

Torres falou também que a crise do setor aéreo não terá um desfecho satisfatório enquanto o governo não resolver a questão salarial dos controladores militares. Ele avaliou que a questão é complexa, pois dificilmente se conseguirá elevar o salário de um sargento (controlador) sem mexer no de seus superiores hierárquicos, como os coronéis.

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Já está faltando gás
Carlos Sardenberg, Portal G1

Entrevistei na CBN, hoje, o presidente do Conselho de Infra-estrutura da Confederação Nacional da Indústria, José Freitas Mascarenhas, sobre a questão do gás.

Destaco alguns de seus comentários:

- O Brasil importa anualmente 650 mil toneladas de uréia, um fertilizante importante; há tecnologia e fábricas para produção local; mas não se produz porque não há gás, do qual se tira a amônia, da qual se faz a uréia.
- Pelo mesmo motivo, o Brasil importa metanol, insumo que entra na produção do bio-diesel.
- Há um forte aumento do consumo de gás no mundo todo e o Brasil, leia-se, a Petrobrás, se atrasou no desenvolvimento da produção local.
- Há indústrias que somente são viáveis com o gás; essas plantas não estão sendo instaladas no Brasil, porque não há segurança de abastecimento futuro.
- A Petrobrás está fazendo agora um grande esforço – e gastando dinheiro – na exploração e desenvolvimento dos campos nacionais de gás e também se prepara para aumentar a produção de gás liquefeito.

Esse esforço não é suficiente.

Será necessário mudar a legislação nacional, eliminar o monopólio da Petrobrás, de modo a permitir que companhias privadas nacionais e estrangeiras entrem no negócio no Brasil, para pesquisar, desenvolver e explorar campos e transportar gás.

O Congresso Nacional está debatendo um novo projeto de lei do gás.

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Infraero admite possível privatização de terminais

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, afirmou ontem que admite a possibilidade de privatizar aeroportos do País, mas que um eventual processo precisa levar em conta o que ocorrerá com terminais pouco rentáveis. "Precisamos pensar primeiro no interesse público, ou o povo brasileiro continuará sofrendo. Quem aceitará investir em um aeroporto como o de Imperatriz [Maranhão], de Tabatinga [Amazonas]?"

Sobre o mesmo problema, a deputada federal Solange Amaral (DEM-RJ) propôs que os contratos prevejam o atrelamento da "meia dúzia" de aeroportos rentáveis do País a outros menores. "Essa é uma questão a ser estudada, mas quem for administrar o Santos Dumont [Rio], por exemplo, pode ficar também com outros cinco ou seis terminais menores."

O brigadeiro e a parlamentar participaram na manhã de ontem do seminário "Um Novo Modelo de Gestão do Transporte Aéreo", da Fundação Liberdade e Cidadania, do DEM (Democratas). Da abertura do evento participaram o presidente do DEM, Jorge Bornhausen (SC), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o senador Marco Maciel (PE) e o deputado Rodrigo Maia (RJ).

No seminário, o clima era de incentivo à entrada da iniciativa privada no setor, principalmente no que diz respeito à administração dos aeroportos e à construção de um terceiro terminal de grande porte na região metropolitana de São Paulo. "Se não conseguirmos atrair a iniciativa privada, como é no mundo inteiro, não há de onde tirar esse dinheiro [para investir na estrutura aeroportuária do País]. Se não implantarmos soluções, nós teremos mesmo é que relaxar e gozar", afirmou o comandante Décio Corrêa, piloto comercial e conselheiro da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em referência à ministra do Turismo, Marta Suplicy, que recomendou semana passada aos passageiros atingidos pela crise aérea que "relaxem e gozem". (Folhapress)

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Chávez amplia a estratégia de centralização
Veja online

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou na noite de domingo novas medidas para reforçar a centralização de poder nas mãos do governo. A principal delas é a criação de uma Comissão Central de Planejamento, que deve coordenar e supervisionar os órgãos públicos. Além disso, Chávez divulgou a criação de novas empresas estatais e a centralização de setores estratégicos, como o de fornecimento de energia elétrica.

As novas medidas foram anunciadas por Chávez em seu programa de TV semanal "Alô, Presidente". A própria criação da "comissão central" será feita sem interferência do Parlamento - o órgão será oficializado por decreto. Desde janeiro, Chávez tem plenos poderes para legislar. O vice-presidente Jorge Rodríguez será o encarregado de dirigir a nova comissão. O Banco Central, que até agora tinha relativa autonomia, estará dentro da esfera da influência do novo órgão.

Criticado pelos opositores pela concentração de poder cada vez maior, Chávez anunciou no sábado a criação de uma nova empresa do setor elétrico. A Corporação Elétrica Nacional vai unificar as dez empresas envolvidas atualmente na geração, transmissão e distribuição de energia no país. Sobre as cerca de 200 novas estatais que serão criadas neste ano, Chávez avisou que as empresas terão "caráter fundamentalmente socialista".

Escassez - No programa de TV de domingo, Chávez reconheceu que a população sofre com a falta de produtos nos supermercados. "A Venezuela vive um processo de transição, do modelo capitalista de exploração para um modelo socialista, e por isso ainda não produz produtos em quantidades necessárias para satisfazer a população", justificou. Segundo os empresários, a escassez de produtos é resultado dos mecanismos de controle de preços do governo.

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BC comprará dólares até reservas atingirem US$ 200 bi

O ex-diretor do Banco Central (BC) Luiz Fernando Figueiredo estima que a taxa de câmbio permanecerá pressionada, porque o fluxo de moeda estrangeira para o Brasil é muito grande e deve continuar assim. Segundo ele, não há nada que indique redução da liquidez internacional nos próximos anos.

Figueiredo acredita que o BC continuará a comprar dólares até as reservas atingirem o nível de US$ 200 bilhões, "sem parar para pensar". Somente depois desse patamar, a instituição deveria desacelerar o ritmo das operações, acredita. Ele defendeu também a redução das operações de swap cambial reverso (equivalente à compra de dólares no mercado futuro), já que trata-se de uma "ajuda pontual" para o mercado.

O ex-diretor do BC acredita que o grau de investimento virá no primeiro semestre de 2008 e que já não se trata mais de uma questão de "ser, mas de quando" a elevação da nota do Brasil acontecerá. De acordo com ele, o País já percorreu 75% do processo para elevação da melhora de sua nota.

Figueiredo destacou também que, embora a maior parte das projeções indique saldo comercial por volta de US$ 45 bilhões neste ano, os números até agora sugerem que o resultado da balança em 2007 poderá chegar aos US$ 50 bilhões. O ex-diretor do BC acredita também que no segundo trimestre de 2008 a relação dívida pública/PIB será de 40%.