quinta-feira, julho 12, 2007

TRAPOS & FARRAPOS

AINDA SOBRE PLANOS, PROGRAMAS E PESQUISAS...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Desde o início do ano, o governo federal vem anunciando numa seqüência interminável, uma série de planos e programas todos com o devido cerimonial festivo da anunciação, e claro, com o devido marketing de lançamento, e assim temos um pac aqui, um pac acolá, o que não nos faltam são pacs. Falta, é bem verdade, é governo, mas isto seria pedir demais para a insignificância de um governo ridículo tanto quanto é medíocre.

Percebam que, desde até o tempo da ditadura militar, o Brasil tem se esmerado no lançamento monumental de sucessivos planos e programas. Tudo para despertar o gigante adormecido em berço esplêndido. Só que continuamos empacados enquanto o restante do mundo avança. A passos largos e firmes, muitos países, outrora muito mais atrasados do que o Brasil, já nos deixaram para trás, e são hoje paraísos de povos educados e progressistas, enquanto nós continuamos a entoar as mesmas e velhas ideologias do tempo dos nossos pais.

Portanto, a mensagem que devemos ter em mente é a seguinte: não nos faltam programas e planos, não nos faltam recursos. O que nos falta é capacidade de administrar planos, programas e recursos. E administrar com o foco centrado no que realmente interessa, aplicando os recursos em projetos efetivos visando o desenvolvimento ou favorecendo este. E, claro, roubar menos na administração pública. E aqui o nó é colossal. Precisamos que nossos administradores públicos se dêem conta que o dinheiro do contribuinte merece respeito e a ele deve retornar na forma de serviços e infra-estrutura, na forma de educação decente, segurança máxima e saúde digna. Enquanto formos coniventes com a corrupção, enquanto não exigirmos que nossas “doutas” autoridades tratem nosso dinheiro com decência e o administre com a competência necessária, o Brasil continuará um país vendido na alma, enterrando cada dias mais um futuro que poderia ser promissor, de primeiro mundo mas que estamos trocando pela idiotia, pela teimosia em não aceitar o modernismo que faz a festa dos outros e nos enche de inveja.

Nada do que os outros mais avançados conseguiram está fora do nosso alcance. Tratemos de mudar atitudes, pensamento e conseguiremos até mais do que os outros. Riquezas não nos faltam para tanto. Mas, enquanto vigir entre nós esta pederastia dos homens públicos em relação aos cofres públicos, permaneceremos estanques e atrasados. O progresso tem seu preço e devemos pagar por ele, por ser ainda a melhor maneira e o caminho mais curto para oferecermos melhor qualidade de vida aos nossos cidadãos. Ou então, permaneceremos embalando em berço esplêndido o mesmo e preguiçoso gigante adormecido de séculos. Pesado e disforme, o paquidérmico Estado brasileiro precisa urgentemente de uma lipoaspiração para que todos possamos sobreviver. Do contrário, os milhares de jovens que continuam saindo do país continuarão se multiplicando até que não restem mais além de velhos, jovens bandidos. É lamentável que o país não olhe pra frente e veja que não está oferecendo mais do que migalhas e mediocridade para os seus jovens. É triste constatar que apesar do mundo ter encurtado distâncias e permitido assim sabermos do que se passa no restante do mundo, pelo menos do mundo civilizado, nossos gigolôs políticos continuam se arrastando na sarjeta da indecência e degradação. O exemplo mais constrangedor é a forma sórdida como Renam Calheiros se agarra com desespero à cadeira da Presidência do Senado. Soubesse o néscio o mal que faz sua teimosia em relação à instituição que não lhe pertence, talvez tomasse consciência e ao amenos se licenciasse enquanto as investigações sobre seus atos prosseguissem. Teria a grandeza real de um homem público. Comportando-se como reles vagabundo e vigarista da moral da institucional, mais distante torna aquela casa da verdadeira representatividade que deveria manter em relação aos reais detentores do mandado que exibe com tanta audácia e arrogância: o povo, para o senhor Calheiros, pelo visto, tornou-se mero coadjuvante, mera massa de manobra a quem ele entende não dever satisfações. A que ponto é capaz de chegar um cidadão em nome de sua própria figura imoral e delinqüente !

Mas ele não é o único: toda a classe política do país se perfila pelo mesmo figurino. Ontem tivemos José Dirceu, depois Palocci, apenas para citar alguns. A coleção de degradados é imensa, e todos resvalam pelos descaminhos que conduzem e conduziram o país a não ser uma potência de primeiro mundo.

Portanto, fica claro o de sempre: não é de programas e recursos que se faz a razão de nosso atraso. É a maneira como administramos estes mesmos programas e estes mesmos recursos. Tivéssemos um Poder Judiciário por exemplo, sério me responsável, e obrigasse todo o vigarista que desvia dinheiro do Estado a repatriar este montante, acreditem, seria uma fortuna colossal para benefício da nação. Precisamos de apenas um programa para tornar tais práticas condenáveis e exemplarmente rechaçadas pela sociedade: a da tolerância zero com a corrupção. Vestir esta camiseta com a consciência do quanto o programa pode fazer um enorme bem para todos nós, não se precisaria de pac algum. Todo o resto viria por conseqüência.

Apenas para que não fiquemos nas palavras, três notas que circulam no cipoal de notícias editadas na noite de hoje já ilustram bem o pensamento central do comentário. Para ler, pensar, refletir com isenção e tomar consciência.

No PT, uma mão lava a outra
Em 2006, o PT recebeu doações ilegais de concessionárias de serviços públicos para financiar inclusive a campanha do presidente Lula. Entre elas está a Libra Terminais S/A, que controla "porto seco" em Campinas (SP). A Libra doou oficialmente R$ 750 mil ao PT. Além de concessionária, o que torna a doação ilegal, a Libra deve R$ 450 milhões à União. Deve e não paga. O governo petista, subitamente generoso, tampouco cobra a dívida.

Boquinha rica
José Carlos Espinoza foi afastado do gabinete de Lula em São Paulo, junto com Freud Godoy, mas se deu bem: semi-alfabetizado, é agora funcionário do escritório paulista da Petrobras, a R$ 10 mil por mês. É bom ser petista.

Fazendo escola
Primeiro foram as contas de Lula, aprovadas com ressalvas pelo Tribunal de Contas da União. Agora é o prefeito de Recife, João Paulo (PT), que não aplicou, em 2003, o mínimo de 25% do orçamento no ensino público.

Portanto, não precisamos ir tão longe no tempo para descobrirmos as razões do Brasil, apesar de sua imensa riqueza e de seu povo, viver enxovalhado de notícias ruins. Não precisamos sequer caçarmos bruxas pelas agruras pelas quais passam nossos povo. Precisamos, sim, é deixarmos de lado esta tendência a endeusar figuras torpes e cretinas, porque elas no fundo representam o ranço que emporcalham a vida dos brasileiros. Não se deixem enganar pelas aparências, ou pelo marketing ordinário: por trás de homens públicos, há uma enorme corrente de arranjos escudados nos interesses mais ignóbeis que se possa imaginar. Para eles, não é o interesse na grandeza do país que governam que se assentam suas ações, e sim, nas conveniências mais sórdidas de locupletar-se sobre a servidão do povo que os sustenta.

Seria bom que refletíssemos sobre o artigo do Augusto Nunes reproduzido um pouco antes, sob o título “A Nação dos Bestificados”, para desta forma entendermos um pouco da alma brasileira. Quando se está diante de um governo como o de Lula, eivado de corrupção e roubalheira, esquemas de rapinagem explícita para desvios de recursos públicos, e se olha, de outro lado, os tais índices de popularidade e aprovação do governo, tem quem coloque dúvida sobre os números das pesquisas. Porém, diante de um povo que endeusa os bandidos, como no caso dos bispos da Renascer presos nos Estados Unidos, fica mais fácil perceber e entender a razão dos números que glorificam Lula presidente. Aliás, até em razão desta leitura que se pode fazer da alma brasileira, já seria suficiente para Lula não ufanar-se tanto. Fosse esperto, se acautelaria diante da aprovação. Afinal, nunca se sabe se o povo que o aplaude não é o mesmo que louva e adora os bandidos, tanto os da vida real como os dos folhetins.