quinta-feira, julho 12, 2007

ENQUANTO ISSO..

Privatização da Amazônia: entregando a floresta
Jorge Serrão, Alerta Total

Até o dia 23, os cidadãos poderão dar opiniões sobre o primeiro Plano Anual de Outorga Florestal (Paof) 2007/2008, que vai botar na mão da iniciativa privada 1 milhão de hectares de florestas públicas.

Entre os dias 25 e 26, as observações sobre o documento serão analisadas pela Comissão de Gestão de Florestas Pública.

Após esse processo, até o dia 31, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) vai divulgar o Paof definitivo.

Na verdade, uma privatização da Amazônia promovida pelo governo do PT, em parceria com seus aliados políticos da City de Londres.

Estarão disponíveis 193,8 milhões de hectares de florestas públicas federais cadastradas.O espaço a ser privatizado corresponde a 22% do território brasileiro.

A Amazônia Legal concentra 92% dessas florestas que receberão a linda designação de “unidades de manejo destinadas à concessão para exploração de toras de madeira e outros produtos, de forma sustentável”.

No grupo de concessão prioritária estão a Floresta Nacional de Jamari (RO) e um conjunto de unidades de conservação localizadas no Distrito Florestal Sustentável da BR-163.
O Paof é um instrumento da Lei de Gestão de Florestas Públicas (11.284, de 2006) para dar transparência aos processos de gestão florestal.Segundo o SFB, o documento indica, com um ano de antecedência, todas as atividades de gestão de florestas públicas, o que inclui divulgar as áreas passíveis de receber concessões.


ENQUANTO ISSO...

Extrativismo chegou a nível danoso, dizem especialistas
Cristina Amorim, Estadão

O extrativismo pode ser danoso para a floresta e a população amazônicas, disseram ontem, em Belém (PA), cientistas que participam da 59ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Segundo eles, o aumento da demanda por produtos florestais como frutas e extratos, somado a pouca tecnologia empregada em sua obtenção, tem levado a exploração a níveis insustentáveis.

O principal exemplo é o do açaí. Ele atualmente goza de popularidade no mercado nacional e internacional de alimentos e cosmética. No ano passado, rendeu para o Pará cerca de R$ 6 milhões em exportações.

Porém, o preço médio do açaí subiu mesmo fora da época de colheita (que vai de julho a dezembro), pois as empresas que beneficiam e exportam a fruta compraram o excesso da produção para formar estoques e garantir o fornecimento a seus compradores. “O preço ficou congelado no teto. Com isso, a população mais pobre, que consumia a fruta, não teve mais condição de adquiri-la”, diz o pesquisador Alfredo Homma, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na Amazônia Oriental.

Para responder à procura, os coletores da fruta desenvolveram equipamentos rústicos, mas que aumentam a capacidade de colheita: se antes um trabalhador enchia de 10 a 12 latas por dia com açaí, hoje sua produtividade saltou para 100 latas.

O crescimento do negócio é muitas vezes feito sem cuidados para garantir a sustentabilidade, alerta Samuel Soares de Almeida, do Museu Paraense Emílio Goeldi. “Hoje o açaí é retirado de áreas alagadas e a semente não volta para a área e a renovação da paisagem não acontece”, explica Almeida.

Problemas semelhantes são registrados na exploração de outras espécies, como a priprioca, o cupuaçu e o bacuri. “O modelo de extrativismo (aplicado atualmente) é extremamente frágil e só funciona em um mercado pequeno”, afirma Homma. Ele aposta no uso das terras abandonadas da Amazônia para ordenar a produção.

Segundo o pesquisador, a simples ampliação do número de reservas extrativistas na Amazônia - política aplicada pelo governo federal - não garante que o valor da floresta em pé será maior do que o dela no chão. O produtor pode acabar se voltando a modelos de produção tradicionais, como a pecuária, quando o recurso acabar.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Pois é, para quem chamou FHC de traidor e entreguista, Lula está se saindo melhor do que a encomenda. A diferença é que um permitiu a expansão econômica com resultados que beneficiaram toda a população como foi o caso do sistema de telefonia. Ao passo que agora temos entreguismo na sua mais perfeita versão. Nada do que se fizer nos pedaços de floresta entregue retornará para o país. Quer dizer, os benefícios até podem retornar, porém teremos que pagar um alto preço por isto, além de nos colocarmos na retaguarda em termos de pesquisa. É doloroso saber que Lula lutou tanto tempo para ser presidente e, ao consegui-lo, sua grande obra é entregar nosso maior patrimônio a troco de nada. Pergunta-se: e a oposição, cadê a oposição que não bloqueia esta traição ?