Comentando a Notícia
Faz um dez dias que o governo federal vem anunciando que, brevemente, adotará medidas no sentido de conter a valorização do real frente ao dólar. Anúncios deste tipo são péssimos exemplos de incompetência e irresponsabilidade. Medidas cambiais, seja em que situação for, não se anunciam com antecedência para evitar a especulação. Uma vez definida a determinação de se adotar um conjunto delas, elas devem entrar em vigor de imediato.
Sempre que alguém pratica este tipo escandaloso de ameaças, está, mais do que nunca, privilegiando alguns poucos que ganharão fortunas com a especulação. Isto vai muito além, portanto, de simples má gestão.
Seja como for, o fato é que o governo Dilma, que herdou o mesmo ministro da Fazenda de Lula, o senhor Guido Mantega, que, aliás, lá está já há um bom tempo, está levando tempo demais para agir na área do câmbio.
É impressionante assistir esta criminosa omissão, uma vez que o prejuízo para o país e suas empresas é elevado demais para nossas autoridades continuarem em cima do muro. Viu-se no anúncio do PIB de 2010, que um dos fatores para o índice ter sido superior a 7,00%, foi o consumo das famílias. E que este consumo foi sustentado em grande parte, pelo crédito farto de um lado e, de outro, que 80% deste consumo foi bancado pelos produtos importados, consequência direta da valorização excessiva do real.
Nada disto é produto do mercado, é fruto do desgoverno. Alguma vez alguém do governo parou para calcular quantos empregos deixaram de ser gerados por esta política destrambelhada? Alguma autoridade da área econômica em dado momento parou para calcular quanto de divisas deixamos de gerar por conta da perda de mercados no comércio internacional, fruto da perda de competitividade de nossos manufaturados e semimanufaturados em razão direta do desequilíbrio cambial? Garanto que não, estavam e ainda estão mais preocupados em se sustentarem no poder, não importa o prejuízo que causem ao país.
Ontem, a Folha divulgou outro dado aterrador desta política torta, vejam post abaixo, ou até seria melhor dizer, de falta de política. A especulação, apesar de algumas medidas ditas pontuais, mas que sempre o próprio mercado classificou como insuficientes, aumentou absurdamente em 2011. Em apenas dois meses, as entradas de dólares no país, via operações financeiras, já superaram todo o ano de 2010. Tudo insuflado pela maior taxa de juros do planeta praticada pelo Brasil que não encontra espaço para reduzir-se em níveis decentes dado que o governo brasileiro continua gastando muito mais do que arrecada, além de sustentar políticas de incentivo ao consumo muito além do que a capacidade interna de atendimento à demanda é capaz de suportar. Como o dólar continua despencando diante do real, toda esta demanda acaba sendo bancada pelos importados. Dentre as principais economias do mundo, a brasileira foi a teve maior elevação em volume de importados. E aí decorrem toda as consequências funestas para a nossa economia como desindustrialização e desnacionalização, e perda de mercados internacionais para a venda de produtos de maior valor agregado.
Continuamos, portanto, sem uma agenda definida de parte do governo federal para os problemas econômicos que vão se acumulando em velocidade impressionante, e sem que se tomem ações corretivas em favor do país.