Adelson Elias Vasconcellos
Se há uma coisa que se pode classificar como deprimente, é o político ou autoridade pública (qualquer uma) que se vende. Sua chamada ideologia sempre irá contra o interesse da sociedade a quem deveria servir e respeitar.
Falo isso a propósito do comportamento muito além de medíocre por parte das centrais sindicais. Claro, antes mesmo de se iniciarem as negociações entre elas e o governo em torno do reajuste do mínimo, aqui já as acusava de praticar puro jogo de cena. Não iriam contrariar o governo pela simples razão de que o governo do PT, no fundo, é o governo das centrais sindicais.
Quando Lula resolveu doar parte do imposto sindical para as centrais, que dele poderiam dispor a seu bel prazer sem a necessidade de serem fiscalizados pelo uso de dinheiro público, sabia que ali selava em definitivo a compra do seu apoio político às custas do interesse dos trabalhadores. Era o peleguismo na sua mais absoluta essência.
Tanto foi que, resultado das ditas “negociações” de pura hipocrisia e cretinismo tanto de parte das centrais quanto do próprio governo Dilma Presidente, não apenas o salário mínimo teve reposto apenas a inflação de 2010, como ainda, o reajuste da tabela do imposto de renda, em índice inferior ao do salário mínimo, vai confiscar mais um pedaço deste salário. Hoje, com ridículos 2,86 salários mínimos, o trabalhador brasileiro já tem seu salário tributado na fonte. É um acinte, um despropósito descomunal!!!
Ao anunciarem que a Dilma se reuniria com as centrais em torno da correção desta tabela, preventivamente e de forma absolutamente imoral, o governo fez questão de plantar duas notas na imprensa, como a senha velada e direta para o preço a pagar, caso as centrais tentassem confrontar a proposta que iria a mesa. De um lado, se ameaçou flexibilizar a obrigatoriedade na cobrança do imposto sindical. E, de outro, dona Dilma sacou da caneta em uma Medida Provisória canalha, como será bem o estilo de seu governo que neste quesito nada difere de Lula, seu mentor, para dar às centrais sindicais o direito de assento de uma cadeira nos conselhos das estatais. Tal medida estúpida, de cara, criará cerca de 60 novas bocas ricas com salários que variam entre R$ 6 a 10 mil. Sem precisarem de competência, de qualificação, ou prestar concurso, apenas por indicação do Planalto.
Pronto: com tais ações estava garantida a canalhice cometida contra os trabalhadores e até contra a sociedade, já que as estatais terão pessoas das quais não se exigem nada além de serem os capachos a mando do PT, como aliás tendo sido a praxe desde sempre. As centrais se tornaram braço partidário do petismo, assim como muitas entidades sociais e o MST e sua ação criminosa.
Alguém aí tem alguma dúvida de que a sociedade com esta gente continua relegada a um segundo plano, dela se exigindo apenas o respectivo voto na tropa dos gigolôs nomeados pela máfia petista? Faz tempo que o dinheiro público vem sendo usado para cooptar esta turma asquerosa, cujo interesse maior é o poder pelo poder.
Impossível negar que o Brasil parou no tempo e até tem retrocedido ao atraso de cinquenta anos atrás com tal política. Estamos mandando para o espaço imensas e valiosas oportunidades que o presente nos tem oferecido de modernização e crescimento.
O mensalão do primeiro mandato de Lula se tornou fichinha perto do assalto que se comete tanto aos cofres públicos quanto às instituições, com centrais sindicais subjugadas pelo interesse político partidário, e um Congresso posto de joelhos diante das mamatas que o Planalto passou a lhes servir em bandejas de fino trato.