sábado, março 12, 2011

A embusteira

Adelson Elias Vasconcellos

O governo Dilma Presidente iniciou seu mandato anunciando aos quatro cantos do país que 2011 seria um ano de dificuldades. Problemas de inflação acelerada e de câmbio foram duas das desculpas esfarrapadas com que o governo anunciou um corte de 50 bilhões no orçamento deste ano.

Levou um tempão para dizer aonde se produziriam os cortes. Porém, seu anúncio não aliviou em nada a tensão do mercado. Comprovou-se tratar-se de corte de “vento”.

Mais adiante, ainda na longa fieira de desculpas, o governo afirmou não ser possível aumentar o salário mínimo além da reposição da inflação. Além da costumeira balela de falta de recursos, justificou sua proposta mínima apresentando um tal acordo firmado com as centrais sindicais antes ainda da crise financeira internacional. Após pagar o devido pedágio aos congressistas para que aprovassem sua proposta anã, declarou não ser possível reajustar a tabela do imposto de renda além do percentual fixado para a meta de inflação deste ano, que é de 4,5%. Ou seja, menor que o reajuste do salário mínimo que configura, sem dúvida, na ampliação do confisco iniciado por Lula em 2003.

Claro que o governo Dilma Presidente está proibido de dizer ao contribuinte eleitor que a verdadeira razão para os cortes e para a má vontade em relação aos salários dos trabalhadores da iniciativa privada, que foi, como todos bem sabem, a farra de gastos patrocinada por Lula, principalmente, nos dois últimos anos, carro chefe para a eleição de Dilma. Sequer pode declarar que os tais cortes sejam um ajuste fiscal, expressão odiada por Dilma desde a campanha que a elegeu. Dê ao corte o nome que quiser, porém, no jargão das pessoas decente4s e sérias, o que se pratica agora é o ajuste fiscal necessário para recompor a ordem nas contas públicas que Lula desarranjou para eleger sua sucessora.

Tudo isto seria louvável não fosse...

Não fosse que o tal corte é pura cascata. Quem quer de fato cortar custos, não os faz apenas em reduzir custos com o uso de telefone, suspensão de concursos, adiamento de compra de caças para reequipamento da FAB. Não autoriza, por exemplo, uma injeção de 50 bilhões do Tesouro no caixa do BNDES, para continuar comprando o passe livre dos empresários para o governo socialista e vigarista. Não anuncia por exemplo, um reajuste desproporcional do Bolsa Família em índices que chegarão até 45%.

Como também não autoriza a aquisição, por pura ostentação e exibicionismo, frescurite da senhora dama da Presidência, de compra 30 TVs por R$ 55 mil destinadas à Presidência da República. O Carnaval já passou, no curto prazo não será outro grande evento para ser transmitido, mas a farra, a irresponsabilidade e o descaso com que o governo trata do dinheiro público em coisas absolutamente inúteis, esta parece não ter fim. Este, meus amigos, é apenas um das dezenas de exemplos com que poderia apelidar a senhora presidente de embusteira.

É preciso não ter a menor noção de senso de oportunidade para se praticar imbecilidades de tal tipo. E isto acontece na Presidência, nos Ministérios, no Congresso e no Judiciário. Seria preciso criar um blog exclusivamente dedicado a apontar a falta de seriedade que diariamente se vê de parte de nossas autoridades no trato da coisa pública, principalmente dos recursos públicos, tão escassos em áreas bem mais prioritárias como saúde, educação, segurança, saneamento básico, por exemplo.

É impressionante a desfaçatez de se aplicar garrotes nos assalariados, para bancar esta verdadeira orgia e bacanal que se pratica com os recursos que são tirados da sociedade. Trata-se de um verdadeiro assalto, tendo em vista que os serviços para os quais são arrecadados bilhões em impostos e taxas variadas, estão à deriva, largados a própria sorte, desprezados, em grau de total abandono e indignidade. Por outro lado, não se satisfaz o poder de ter apenas de trabalhar em nome desta sociedade. Precisa encastelar-se no luxo e na vagabundagem ostensiva e luxuriante.

Não é por outra razão que não nos alinhamos aos “analistas” que, de repente, começam ver em Dilma qualidades que ela não demonstrou jamais. Sua competê4ncia sempre foi a de parecer competente. Em termos de gestão, continua a mesma personalidade arrogante de sempre: prefere impor-se pelo berro e cara feia, do que pela razão.

Não, esta senhora ainda não demonstrou um mínimo de resultado capaz de justificar sua eleição. Suas promessas de campanha ficam cada dia mais distantes de se iniciar seu cumprimento. Seus discursos de campanha, como a CPMF e o controle da mídia que se chama em linguagem decente de “censura”, no poder, mudaram de tom e de direção.

Uma das “propaladas” qualidades que os “analistas” boêmios se apressaram em destacar, foi a mudança dos critérios de política externa, que se diz ter agora derivado para a defesa dos direitos humanos. Conversa mole. Vejam abaixo a visita cordial e de pura oferta de favores às custas do erário, feita por Marco Aurélio Top-Top Garcia fez aos tiranos e assassinos irmãos Castro. Como disse ontem aqui, condenar ou criticar Kadaffi e Ahmadinejad, tão distantes, é fácil até demais. Quero ver este governo criticar o regime ditatorial de Cuba. Enquanto tal não for feito, a embusteira continuará enganando aos patetas da hora. Claro que o fã clube das esquerdas, muitos deles ou são intelectuais mamando em boquinhas ricas ou jornalistas também amparados pelo maná das verbas da publicidade oficial, é imenso e fiel. Mas mesmo dentre aqueles que se mostraram muito críticos em relação aos dois mandatos de Lula, há os que se apressaram em destacar e descobrir virtudes em Dilma que ela jamais demonstrou e sequer, como Presidente, teve tempo para comprovar e exibir.

Não marco mês, dois meses, cem dias, para avaliar qualquer governante, seja ele de que nível for. Minha avaliação já disse e repito, se faz no plano exclusivo dos resultados. Não há boa intenção que resista a um governo de resultados catastróficos.

Por enquanto, este governo sem direção e sem vontade própria, não passa de um arremedo em tom de procuração pública do governo anterior. Não se vê um plano de ação, não se conhece nenhuma avaliação sobre os problemas que atingem o país. Levanta-se agora uma inutilidade total chamada reforma política, como se ela pudesse se tornar um apanágio que há de curar nossa mazelas, destacadamente, as que se localizam no campo dos péssimos e vergonhosos serviços públicos. Ao invés de priorizar a gestão de melhor qualidade, quer se tapar os buracos com mais impostos. E para a correção das contas públicas, ao invés de se praticar tolerância zero para com o desperdício e a ostentação, se ampliam o confisco salarial dos mais necessitados.

Portanto, o governo Dilma Presidente não é o governo do país de todos. É o embuste eleitoral praticado em 2010, cujo único objetivo é o de dar prosseguimento ao projeto de poder em favor de um único partido e subjugar a sociedade à tutela do Estado. E isto tem um significado, que não é democracia.