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Para professores, alunos precisam demonstrar visão crítica da realidade. Saiba quais são as mudanças anunciadas pelo MEC na correção do texto
(Margarida Neide / Folhapress)
Para professores, alunos precisam ler muito e praticar
dissertações para fazer boa redação no Enem
A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) difere-se da redação proposta nos vestibulares tradicionais e requer um aluno mais engajado, segundo professores ouvidos pelo site de VEJA. A dissertação no Enem busca o conhecimento do candidato em relação à sociedade em que ele está inserido. “Os avaliadores esperam alguém com entendimento crítico e não apenas um bom texto”, afirma Vivian D’Ângelo Carreira, professora de gramática e redação do Cursinho do XI.
Nesta segunda-feira, o governo lançou um guia sobre a redação do Enem 2012. É a primeira vez que o Ministério da Educação (MEC) publica um documento com orientações voltadas somente à redação. Ele traz informações sobre os novos critérios de correção da dissertação, além de exemplos de textos de participantes da edição anterior que conseguiram a nota máxima (1.000 pontos).
Temas envolvendo questões sociais, participação popular e regras de convivência em grupo ganham sempre destaque na prova. Por isso, Vivian explica que é bem-vindo mencionar dados ou eventos históricos no texto – desde que, obviamente, eles estejam relacionados ao tema proposto e o aluno tenha certeza sobre o que está escrevendo. Em 2012, ano de eleição municipal, ela fala sobre como o tema poderia ser abordado no Enem: “Não acredito em nada ligado ao pleito ou a candidatos especificamente, mas algo sobre direitos e deveres dos cidadãos cairia muito bem”.
A redação do Enem avalia cinco competências nos candidatos. Diferentemente dos vestibulares tradicionais, pede que o aluno “elabore uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os limites dos direitos humanos”. Para Vivian, é o ponto em que os estudantes têm mais dificuldade: “Ainda que não mostre soluções, é importante ao aluno apontar caminhos ou formas de suavizar o problema relatado”.
Neste tópico, a dica do professor Francisco Platão Savioli, supervisor de português do Sistema Anglo de Ensino, é evitar a “terceirização do problema”. “É comum os alunos escreverem coisas como: ‘O governo precisa investir mais em educação’ ou ‘Se não diminuira corrupção, nada vai mudar'. Mas é preciso que o candidato tome a responsabilidade para si também e proponha algo transformador dentro do seu limite de ação”, afirma.
Dicas –
Antes de iniciar a redação é preciso redobrar a atenção na leitura dos textos de apoio. Vivian sugere ao aluno ler a proposta da redação, fazer as anotações que julgar pertinentes, mas escrever o texto somente após responder às questões objetivas do exame. “A prova sempre tem questões ligadas ao tema da redação. O aluno volta para escrevê-la com mais informações e olhar crítico”, considera.
Para Savioli , o grande desafio aos candidatos é ler todos os textos com calma e saber relacioná-los. “Os alunos acabam fazendo uma leitura fragmentária e fugindo do tema. Lembrem-se: nada é independente. A prova de redação começa com uma boa prova de leitura”, diz. Docentes enfatizam que, para se aprimorar na técnica, não há segredos: ler muito e praticar fazendo redações constantemente.
Como será feita a correção da redação do Enem 2012
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Passo
1
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O
primeiro avaliador atribui uma nota para cada uma das cinco competências
exigidas pelo MEC. Cada competência vale 200 pontos e, portanto, a nota total
do aluno pode variar de 0 a 1.000 pontos.
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Passo
2
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O segundo avaliador repete o processo do primeiro e
atribui também uma nota de 0 a 1.000 à redação. Se houver concordância, a
nota final será a média aritimética das duas notas.
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Desempate
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Caso haja uma discrepância de 200 pontos entre as duas notas - ou uma
diferença de 80 pontos em cada uma das competências avaliadas - um terceiro
avaliador é convocado. Até 2011, a margem de diferença era de 300
pontos.
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Passo
3
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O terceiro avaliador analisa a redação e atribui a
ela uma nota entre 0 e 1.000 pontos. Caso não haja discrepância entre o
terceiro e pelo menos um dos outros avaliadores, a nota final será a média
aritimética das duas notas que mais se aproximarem.
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Desempate
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Caso persista a diferença de 200 pontos entre os três avaliadores
anteriores, uma banca composta por três outros corretores será convocada.
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Passo
4
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Após a avaliação dos três integrantes, uma nova
final será atribuída ao candidato.
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Competências avaliadas no texto
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Número
1
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Demonstrar
domínio da norma padrão da língua escrita.
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Número
2
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Compreender a proposta de redação e aplicar
conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro
dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
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Número
3
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Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos,
opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
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Número
4
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Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos
necessários para a construção da argumentação.
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Número
5
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Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado,
respeitando os direitos humanos.
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As razões da nota zero
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Razão
1
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Não
atender a proposta solicitada ou apresentar outra estrutura textual que
não seja a do tipo dissertativo-argumentativo, o que configurará "fuga
ao tema/não atendimento ao tipo textual".
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Razão
2
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Deixar a folha de redação em branco.
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Razão
3
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Escrever menos de sete linhas na folha de redação, o que configurará
"texto insuficiente". Linhas com cópias do texto de apoio fornecido
no caderno de questões não serão consideradas na contagem do número mínimo de
linhas.
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Razão
4
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Escrever impropérios, fazer desenhos e outras formas
propositais de anulação.
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