sábado, março 03, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Poupança portuguesa
José Paulo Kupfer, NoMínimo

Em encontro com jornalistas, o presidente Lula, no relato de Luiz Rila, do Estadão, gabou-se dos US$ 100 bilhões das reservas cambiais. “Isso é uma conquista”, disse Lula, enchendo o peito.

Com todo o respeito, só se for conquista de dívidas. Qualquer um pode obter conquista semelhante.
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Basta ir num banco, pegar um empréstimo e aplicá-lo num fundo ou num CDB qualquer. Vai pagar mais de 40% ao ano e ganhar uns 15%. Assim para cada R$ 100 “conquistados” passará a dever R$ 25.

Ninguém nega a capacidade de Lula em transformar sal em açúcar, reproduzindo o que se passa na alma do senso comum. Desta vez, ele transformou uma poupança portuguesa – aquela que o cidadão paga para poupar – em conquista.

A “conquista” está custando mais ou menos 0,8% do PIB por ano aos cofres públicos.

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Sabem o que significa a saída de Bevilaqua do BC? Nada!
Reinaldo Azevedo

O que significa a saída de Afonso Bevilaqua da diretoria de Política Econômica do Banco Central? Nada!
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É só uma desculpa que está deixando o cargo. Explico-me. Nestes quatro últimos anos, sempre que petista queria reclamar do BC ou especificamente do Copom, mandava ver: “É coisa do Bevilaqua”. Não é.
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Gostamos de pensar que a diretoria do BC é “independente” mesmo... Lula tem razão quando diz que a política econômica é sua. Para o bem e para o mal. Ou ele só responde pela distribuição de prebendas, enquanto terceiriza as medidas que causam alguns dissabores? Bevilaqua já estava para sair. Não está sendo empurrado por nada ou ninguém, menos ainda por alguma hostilidade enfrentada no governo.
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Paulo Nogueira Batista, por exemplo, indicado por Guido Mantega (Fazenda) para representar o Brasil numa diretoria do FMI, já lhe dirigiu críticas contundentes. Dá para pensar algo como “Entra Nogueira, sai Bevilaqua”? Não. De resto, nem sai correndo. Fica até a próxima reunião do Copom. Passada a quarentena de quatro meses, volta para o setor privado. Não vai ficar desempregado.

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Violência: a justificativa delinqüente de Lula
De O Globo:

"Se para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "o mal já está feito" na questão da segurança pública e a violência "é uma questão de sobrevivência", para especialistas ouvidos pelo GLOBO o atual governo tem responsabilidade sobre a crise no setor. E tem também a prerrogativa de resolver os impasses que entravam as soluções para diminuir a violência no país. Para o criminalista Luiz Flavio Gomes, ex-promotor e ex-juiz paulista, cabe ao presidente mudar o quadro:

É verdade que o mal já está feito, mas cabe ao próprio presidente mudar isso. A visão dele é conformista — afirmou.

O juiz e ex-secretário nacional antidrogas Walter Maierovitch classificou as declarações do presidente, dadas anteontem, em Pernambuco, de "escapismo". Para ele, Lula não tem proposta para o setor, por isso recorre a frases de efeito.

Isso é escapismo de quem não tem uma política na área segurança pública ou de quem tem medo de agir. O Lula vem com essa história de que nada pode ser feito a curto e médio prazo. O fato é que ele não projeta nada para o futuro — disse Maierovitch.".

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Vigiar e punir
Xico Sá, NoMínimo

O nobre parlamentar Paulo Maluf (PP), o mais votado de SP, que já enfrentou por alguns dias a cadeia –a prisão especial, claro-, aproveitou a onda de revolta contra a violência e fez também o seu projetinho sobre o aumento da pena dos menores infratores. Maluf, vejam só, foi quem mais carregou nas tintas: pediu 20 anos de reclusão, dobrando a proposta dos governadores do Sudeste. E o dotô Paulo, como é tratado na sua corte, quantos anos mereceria pelo conjunto da obra na vida política?

COMENTANDO A NOTÍCIA: Lembrando que o nobre parlamentar já é infrator “dimaior”, e jamais poderá alegar em sua defesa que “fiz o que fiz porque a sociedade me obrigou” !!!!!!!

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Contra a CPI do apagão aéreo
Da Folha de S.Paulo:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e a deputados aliados que trabalhem para evitarem a instalação de uma CPI do apagão aéreo.

Parte da base governista, insatisfeita com a eleição de Chinaglia e com a demora da reforma ministerial, deu assinaturas suficientes para o requerimento de criação.

Lula teme que a CPI, se instalada, transforme-se em trincheira da oposição e dificulte a aprovação de projetos como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Aliados disseram a Lula que a CPI pode se transformar em nova "CPI do Fim do Mundo", apelido dado à antiga CPI dos Bingos pelo amplo leque de investigações.

Agora, teme-se que a CPI investigue, por exemplo, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula que atuou como advogado da Transbrasil e da Varig."

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PR papão
Da coluna Painel da Folha de S.Paulo:

"O expansionismo desenfreado do PR, fusão do mensaleiro PL com o Prona, apavora a oposição e impressiona até mesmo as demais siglas da base. O finado PL tinha 34 deputados na legislatura passada.
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Elegeu 23. Ganhou 2 do Prona. Ontem chegou a 35, e na semana que vem deve bater nos 42. O plano é atingir 50. "Vamos ser o terceiro partido da Câmara", prevê o líder Luciano Castro (RR). A série de aquisições será coroada com a filiação do ministro Walfrido Mares Guia (Turismo), em fase final de negociação.

Do outro lado do fluxo migratório, murcham PFL e PPS. Acuados, oposicionistas lembram que o inchaço de legendas aliadas, entre elas o próprio PL, esteve na gênese do mensalão no primeiro governo Lula."

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Falou e disse:

"Parece estar acontecendo uma deterioração dos costumes eleitorais. O alto custo das campanhas à reeleição sem afastamento do cargo, o assistencialismo substituindo políticas e serviços públicos e a carência da população favorecem a disputa sem regras pelo poder."


Rogério José Bento Soares do Nascimento, procurador regional eleitoral do Rio de Janeiro.