Valderez Caetano e Fernando Nakagawa
BRASÍLIA. A um passo de atingir a marca histórica de US$ 100 bilhões, as reservas internacionais do país - que chegaram a US$ 96,7 bilhões na sexta-feira passada - provocam críticas de analistas do mercado financeiro e despertam orgulho em integrantes do governo. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, diz que ter reservas altas é "excelente". Já o diretor de Política Econômica do Banco Central, Afonso Bevilacqua, afirma que ainda há espaço para o aumento das reservas.
Bevilacqua cita países como a Coréia, onde esses recursos chegaram a 30% do Produto Interno Bruto (PIB). Se o mesmo percentual vigorasse no Brasil, as reservas internacionais do país chegariam a US$ 290 bi.
- A questão do câmbio tende a se resolver. Tem o lado do custo alto para o Tesouro, mas o que pesa mais são os benefícios - diz Bernardo.
O ministro acrescenta que reservas altas para os padrões nacionais são fundamentais para a credibilidade do país.
- É claro que tem de balancear o custo fiscal, mas as nossas reservas são uma das fontes da queda do Risco Brasil - comenta Nelson Barbosa, secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Além da melhora na percepção externa da economia nacional, o crescimento das reservas permite participação brasileira cada vez maior no comércio internacional. Um dos efeitos é a expansão da importações, com efeito direto na redução da inflação. Parte dos analistas do mercado financeira não engrossa o coro otimista. Uma das críticas recai sobre o fato de o aumento das reservas e a redução do Risco Brasil estimularem a entrada de capital financeiro não-produtivo no país.
Esse movimento realimentaria a necessidade de o Banco Central comprar dólares. As operações da autoridade monetária no mercado são essenciais para conter o fortalecimento do real e impedir perdas ainda maiores para setores da indústria nacional prejudicados pelo dólar baixo. Para Roberto Padovani, economista do Banco WestLB, é necessária uma queda mais acentuada da Selic para atenuar a entrada de capital externo e a expansão das reservas internacionais.
A questão fiscal, no entanto, inibiria tal possibilidade.
- A composição de câmbio baixo e juros altos, na verdade, ainda é fiscal. O Banco Central mantém o juro elevado para suprir a deficiência no lado fiscal, o que torna atrativa a entrada de capital - afirma Padovani. - A curto prazo, o que vai atenuar a entrada de capital são as importações. A médio, medidas fiscais como a reforma da Previdência e gasto com pessoal.
Padovani afirma que um ponto bom para as reservas internacionais no Brasil seria entre US$ 50 bilhões a US$ 60 bilhões. O custo com a manutenção da moeda forte cairia pela metade. Economistas estimam que o gasto do Tesouro Nacional com a manutenção de reservas na casa dos US$ 100 bilhões é de US$ 7 bilhões a US$ 8 bilhões. Para comprar dólares no mercado, o Banco Central precisa de recursos que são obtidos com o lançamento de títulos da dívida pública, que normalmente seguem a taxa básica da economia, a Selic, fixada em 13% ao ano.
Nos Estados Unidos, o juro está em 5,25%. Os economistas chamam a diferença de custo de manutenção da dívida.
- Questionar se o custo compensa é uma decisão política - diz Marcelo Salomon, economista-chefe do Unibanco.
BRASÍLIA. A um passo de atingir a marca histórica de US$ 100 bilhões, as reservas internacionais do país - que chegaram a US$ 96,7 bilhões na sexta-feira passada - provocam críticas de analistas do mercado financeiro e despertam orgulho em integrantes do governo. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, diz que ter reservas altas é "excelente". Já o diretor de Política Econômica do Banco Central, Afonso Bevilacqua, afirma que ainda há espaço para o aumento das reservas.
Bevilacqua cita países como a Coréia, onde esses recursos chegaram a 30% do Produto Interno Bruto (PIB). Se o mesmo percentual vigorasse no Brasil, as reservas internacionais do país chegariam a US$ 290 bi.
- A questão do câmbio tende a se resolver. Tem o lado do custo alto para o Tesouro, mas o que pesa mais são os benefícios - diz Bernardo.
O ministro acrescenta que reservas altas para os padrões nacionais são fundamentais para a credibilidade do país.
- É claro que tem de balancear o custo fiscal, mas as nossas reservas são uma das fontes da queda do Risco Brasil - comenta Nelson Barbosa, secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Além da melhora na percepção externa da economia nacional, o crescimento das reservas permite participação brasileira cada vez maior no comércio internacional. Um dos efeitos é a expansão da importações, com efeito direto na redução da inflação. Parte dos analistas do mercado financeira não engrossa o coro otimista. Uma das críticas recai sobre o fato de o aumento das reservas e a redução do Risco Brasil estimularem a entrada de capital financeiro não-produtivo no país.
Esse movimento realimentaria a necessidade de o Banco Central comprar dólares. As operações da autoridade monetária no mercado são essenciais para conter o fortalecimento do real e impedir perdas ainda maiores para setores da indústria nacional prejudicados pelo dólar baixo. Para Roberto Padovani, economista do Banco WestLB, é necessária uma queda mais acentuada da Selic para atenuar a entrada de capital externo e a expansão das reservas internacionais.
A questão fiscal, no entanto, inibiria tal possibilidade.
- A composição de câmbio baixo e juros altos, na verdade, ainda é fiscal. O Banco Central mantém o juro elevado para suprir a deficiência no lado fiscal, o que torna atrativa a entrada de capital - afirma Padovani. - A curto prazo, o que vai atenuar a entrada de capital são as importações. A médio, medidas fiscais como a reforma da Previdência e gasto com pessoal.
Padovani afirma que um ponto bom para as reservas internacionais no Brasil seria entre US$ 50 bilhões a US$ 60 bilhões. O custo com a manutenção da moeda forte cairia pela metade. Economistas estimam que o gasto do Tesouro Nacional com a manutenção de reservas na casa dos US$ 100 bilhões é de US$ 7 bilhões a US$ 8 bilhões. Para comprar dólares no mercado, o Banco Central precisa de recursos que são obtidos com o lançamento de títulos da dívida pública, que normalmente seguem a taxa básica da economia, a Selic, fixada em 13% ao ano.
Nos Estados Unidos, o juro está em 5,25%. Os economistas chamam a diferença de custo de manutenção da dívida.
- Questionar se o custo compensa é uma decisão política - diz Marcelo Salomon, economista-chefe do Unibanco.