domingo, março 04, 2007

Oposição contesta e critica Lula

Tribuna da Imprensa

BELO HORIZONTE - Líderes da oposição criticaram ontem o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter dito, durante conversa com jornalistas, que só a sua política econômica é "responsável". Eles lembraram que o modelo usado por Lula foi implantado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, seja quando foi presidente, por oito anos, seja quando foi ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco.

Os parlamentares entendem que, pelo fato de insistir em negar a realidade, o presidente fica com a imagem de quem vive totalmente alheio à realidade do País, cercado por "bajuladores" que não o ajudam a enxergar a situação concreta de seu governo. "Ele passa a impressão de alguém cada dia mais cercado de palacianos e cada vez mais distante do povo que o elegeu", afirmou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM).

Para o líder tucano, Lula deve tomar cuidado "para que os áulicos que o rodeiam, os bajuladores, não o transformem em um Casanova político", comparou, referindo-se ao aventureiro italiano Giacomo Casanova, conhecido pela leviandade de suas palavras. Virgílio prometeu relacionar várias "irresponsabilidades" de Lula. Citou entre elas o fato dele ter interrompido o ciclo de reformas e o de não adotar medidas concretas na área da segurança pública.

Para o líder do PFL, José Agripino (RN), o presidente Lula usa as palavras como um "prestidigitador que quer gerar uma polêmica por semana para anestesiar a sociedade e ganhar tempo com suas iniciativas duvidosas, como é o nada do PAC". "Enquanto o mundo cresce, o presidente Lula, de frase em frase, vai querendo levar o mundo de barriga", atacou.

Agripino disse que o presidente deveria ter aproveitado o encontro com jornalistas para justificar o crescimento pífio do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB). "Ele deveria, sim, reconhecer que a única área de seu governo que está dando certo, é a macroeconômica que já encontrou pronta", sugeriu. O líder cobrou do presidente explicações sobre os US$ 100 bilhões que o governo paga para manter baixo o Risco Brasil.

O líder do PDT, Jefferson Péres (AM), disse que, em vez de chamar seus antecessores de "irresponsáveis", Lula deveria, sim, admitir que ele mesmo foi "conseqüente, responsável e teve a lucidez de dar continuidade à política macroeconômica que estava em andamento". "O que ele elogia é o resultado de 12 anos de política macroeconômica", alegou. Sobre a distribuição de renda, citada pelo presidente, defendeu que só se tornou possível porque ele está se beneficiando dos ajustes do controle da inflação, iniciado no Plano Real. "Tudo isso (a distribuição de renda) não é graça deste ou daquele presidente, mas sim à continuidade de uma política monetária", insistiu.

Na Câmara, a oposição também reagiu com críticas à declaração do presidente Lula. O líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), disse que o presidente mostrou a "mediocridade" do governo ao considerar positiva uma política econômica que permite um crescimento de apenas 2,9% do Produto Interno Bruto, índice divulgado pelo IBGE.

"O presidente Lula acha que é um sucesso crescer 2,9%, o segundo pior crescimento do hemisfério e abaixo da média mundial. Tanta mediocridade é o governo do presidente Lula", afirmou o líder tucano. Pannunzio disse que fica temeroso com os destinos do País, já que o presidente entende que a economia está um sucesso. "É deplorável. O presidente Lula mostra que o nível de compreensão dele é diferente da média dos brasileiros", afirmou.

O líder do PFL, deputado Onyx Lorenzoni (RS), responsabilizou a equipe econômica pelo crescimento de 2,9% do PIB em 2006, índice abaixo dos países emergentes. "Essa equipe é tão boa que, entre os países da América Latina, o Brasil só cresceu mais do que o Haiti", ironizou o pefelista. Lorenzoni afirmou que, com a política econômica adotada pelo governo, não há como o País prosperar. Ele citou a carga tributária, que considerou "a mais alta entre os países emergentes", e a taxa de juros "recorde" como integrantes dessa "fórmula do mal".

"A equipe econômica só é boa para os olhos do presidente da República, que faz planos e anúncios, mas tem a incapacidade de transformar boas intenções em resultados", criticou Lorenzoni. "São ótimos na retórica, mas uma tragédia na execução de qualquer coisa", completou.