Thiago Herdy E Silvia Amorim
O Globo
Chefes do grupo são professores e estudantes de classe média da USP
O Globo / Marcos Alves
Na foto Lucas Monteiro, chefe do movimento passe livre
SÃO PAULO - Os organizadores do grupo que comandou atos de vandalismo e confrontos com a polícia em São Paulo por três vezes em menos de uma semana não é o mais afetado pelo reajuste da tarifa de transporte na capital paulista: o núcleo de decisão do Movimento Passe Livre (MPL) se divide especialmente entre jovens que têm entre 18 e 30 anos, que são ou foram estudantes de Direito, História e Geografia da Universidade de São Paulo.
Eles tiveram contato com a política por causa da participação em grêmios estudantis e, ao defender a causa da redução do custo das passagens, passaram a contar com o apoio de jovens ligados a partidos de esquerda como PSOL, PCB e Partido da Causa Operária (PCO); sindicatos de trabalhadores dos transportes; e outras entidades estudantis, como UNE e Ubes. Grupos anarquistas, punks e defensores de outras causas se uniram ao movimento nas manifestações.
Novos protestos no Rio e em São Paulo estão marcados para as 17h desta quinta-feira. Na capital fluminense, a concentração será na Cinelândia. Já em São Paulo o movimento terá início em frente ao Teatro Municipal.
O MPL surgiu em Santa Catarina em 2004 e se espalhou por diversas cidades brasileiras, principalmente capitais. Em algumas, conseguiu impedir aumentos de passagens; na maioria, não. No início de 2011, em São Paulo, fizeram 13 protestos contra o aumento da passagem de R$ 2,70 para R$ 3, reunindo, no máximo, mil pessoas em “passeios pelo Centro da capital”, nas palavras do estudante de História da USP Caio Martins, de 19 anos, um dos líderes. O que mudou neste ano?
— Percebemos que a luta deveria ser mais intensa e radical. Não no sentido de botar fogo e quebrar coisas, mas fechar grandes avenidas e ter ações de impacto — explica Martins.
No entanto, diferentemente do que havia ocorrido nas duas manifestações anteriores, na última terça-feira partiu dos manifestantes o primeiro ato de violência contra policiais.
— Não sabemos quem são as pessoas que estão lá, sabemos apenas que elas desejam a redução da tarifa do ônibus. Não temos controle sobre a revolta das pessoas — alegou outro líder, Lucas Monteiro, de 29 anos, professor de História da rede particular, ex-estudante da USP.
Para o coordenador do Núcleo de Estudos de Ideologia e Lutas Sociais da PUC-SP, Lúcio Flávio Rodrigues e Almeida, o pragmatismo, mais do que questões ideológicas, explica o movimento contra o aumento das tarifas de transporte.
— O que os move são razões pragmáticas, a questão do péssimo sistema de transporte público. Até porque trata-se de um grupo bastante heterogêneo, formado por diferentes microgrupos. Tem de tudo nas manifestações, estudantes, punks, feministas. Não vejo uma orientação política nessa massa — afirmou Almeida.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Não são apenas partidos políticos que se escondem por detrás deste “movimento”. Em seu blog, o jornalista Reinaldo Azevedo mostrou as entranhas do tal MPL. Para alguns pode ser surpresa, mas o fato é que, sempre atrás destas gangues de rua, baderneiros e arruaceiros, há um capilé oficial, coisa destes tempos de PT no poder. Aliás, este mesmo partido ajudou a promover as arruaças de 2011, para esculhambar o governo de Gilberto Kassab, quando já tinham o olho gordo para a prefeitura paulista. O interessante, que agora que Fernando Haddad está na prefeitura, o PT tirou seu time de campo, inclusive o prefeito refugiado em Paris para “eventos”.
Enquanto, veja esta foto:
Ela representa a forma "pacífica" destes arruaceiros para protestar. E, claro, como seria de se esperar, teve pouca repercussão na imprensa. Fosse o cidadão acima um dos baderneiros, e muito provavelmente, até Maria do Rosário teria se manifestado, com sua forma distorcida de pensar ...
É impressionante que esta gente promova este quebra-quebra, que inferniza a vida das pessoas e causa prejuízos ao patrimônio por conta de R$ 0,20, mas não abrem a boca para protestar uma vírgula contra os bilhões que são desviados dos cofres públicos, dos mensaleiros que ainda permanecem livres, leves e soltos. E, depois da sua baderna, os vagabundos irão comemorar sua delinquência torrando o seu patrocínio em rodadas de cerveja.
Além disso, conforme já lembramos aqui, o transporte coletivo gera um custo: salários, encargos trabalhistas, combustíveis, lubrificantes, etc. Quem pagará por este custo? O Poder Público? Ok, mas de onde sai a grana do poder público? Ora, ora, meus caros, do bolso de todos nós, sejamos usuários ou não do transporte coletivo.
Que o transporte público no Brasil, de modo geral, é um lixo, isto todos sabemos. Protestar contra a má qualidade seria uma iniciativa saudável, desde que o protesto fosse pacífico e civilizado. Mas qual, desde quando esta gente é civilizada?
Leiam:
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Entidade que é dona de domínio do “Movimento Passe Livre” recebe dinheiro da Petrobras e do Ministério da Cultura e tem incentivo da Lei Rouanet
Ai, ai…
O Movimento Passe Livre tem um site, cujo endereço é “www.mpl.org.br” — e, claro, há um site específico para São Paulo: “saopaulo.mpl.org.br”. Muito bem. Uma das curiosidades lícitas que a gente pode ter é esta: em nome de quem está registrado esse domínio? O leitor pode, então, recorrer ao site http://registro.br/ e descobrir. Basta escrever no campo de busca o endereço “mpl.org.br”. E encontrará isto.
Alquimídia?
Como? Associação Alquimídia? Mas que diabo é isso? Bem, leitor, aí você pode, ainda movido pela curiosidade que a imprensa até agora não teve, visitar a página da dita associação. E vai se deparar com isto aqui:
É isto mesmo. A tal “Alquimídia” é uma dessas ONGs que se dizem interessadas na “democratização da mídia” financiadas com dinheiro público: Ministério da Cultura e Petrobras, podendo captar recursos da Lei Rouanet. Jamais duvidem: é muito difícil não haver petismo na raiz de boa parte do que não presta no país.
O nome do chefão da Alquimídia, que é dona do domínio da entidade que está a promover, com meia dúzia de gatos-pingados, o caos em várias capitais brasileiras é Thiago Skárnio, como se vê acima. Não sei se é sobrenome real ou artístico, mas é muito significativo.
A base de operações do rapaz é Florianópolis, cidade, diga-se, onde o protesto contra o reajuste de tarifas de ônibus tem um histórico de violência e radicalização. Se o leitor decidir navegar pelo site “Alquimídia”, descobrirá que essa entidade “ponto org” funciona como uma produtora privada de conteúdo qualquer. A diferença é que é alimentada com dinheiro público e diz trabalhar apenas para “coletivos” e “entidades do terceiro setor”, embora possa, sim, ter a parceria de “empresas privadas”. Ah, bom…
Skárnio, a única cara visível da Alquimídia, se define assim na rede (em negrito):
Iniciei minhas atividades como desenhista. Depois de produzir charges e ilustrações para publicações independentes e sindicais, passei a trabalhar também com fotografia, texto, produção gráfica e audiovisual.
Além da produção alternativa de vídeos e a edição do site SARCASTiCOcomBR, apoio causas como a cultura digital, liberdade de expressão, estado laico, democracia líquida e as políticas públicas para a cultura, e participo de organizações e movimentos como o FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, ABRAÇO – Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária, Pontos de Cultura, CNC – Conselho Nacional de Cineclubes, Cinemateca Catarinense (ABD-SC), TV Comunitária de Florianópolis e Movimento Mega-Não.
Atualmente coordeno o Pontão Ganesha de Cultura Digital, projeto mantido pelo Ministério da Cultura e a Alquimídia.org (organização que ajudei a fundar) e fui eleito para a cadeira de Cultura Digital do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Florianópolis.
O que é “democracia líquida”? É uma tese neofascista (pesquisem a respeito) que, sob o pretexto de instituir a democracia direta, prega, na prática, o fim do Poder Legislativo. Cada questão importante da sociedade seria decidida por indivíduos eleitos exclusivamente para aquele fim. O linchamento, por exemplo, não deixa de ser uma forma de “democracia líquida”…
Eis aí: eu tinha a convicção — e agora tenho a certeza — de que, na raiz dessa história, estavam as tetas do estado.
“Ah, o Alquimídia só registrou o nome; não tem nada a ver com isso.” Claro que não…



