O grupo mais próximo do presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), avalia que a situação política dele se agravou a tal ponto que ele corre o risco concreto de perder o mandato parlamentar. Diante deste cenário, cinco senadores tiveram uma conversa reservada com Renan e um deles tentou convencê-lo, a todo custo, a abrir mão da presidência do Congresso para salvar o mandato de senador. Em vão.
Renan rebateu, fortemente, qualquer conselho neste sentido e, com o apoio e a experiência do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que se afastou da presidência do Senado e ainda assim foi cassado, fez prevalecer a tese em contrário.
O presidente do Congresso entende que só a cadeira de presidente lhe confere a "blindagem institucional" de que necessitava para manter os votos dos governistas que ameaçam desertar da base de apoio a cada instante. "Não renuncio. Estou tranqüilo e estou pronto para qualquer coisa, inclusive para enfrentar o processo no plenário", repetiu, a mais de um interlocutor, ontem.
Mas, apesar da renitência em permanecer no posto e em apressar a votação do caso no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, as primeiras negociações em torno da sucessão começaram. Àquela altura, estava descartada a saída jurídica que o senador José Sarney (PMDB-AP) trabalhara junto ao PT na tentativa de tirar o caso do âmbito do Senado, transferindo-o para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Sarney lembrara que, por causa de uma votação apertada no processo disciplinar contra o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) no Conselho de Ética, a Mesa Diretora da Casa teria tomado a iniciativa de remeter o caso ao STF para dirimir qualquer dúvida.
A conclusão, no entanto, foi de que uma providência semelhante agora não resolveria o caso porque, como se tratava de instâncias distintas e poderes independentes, os senadores não conseguiriam se ver livres do processo no Senado.
Renan foi advertido de que a insistência em imprimir um rito sumário ao processo havia piorado o clima político na Casa, gerando polêmica em partidos aliados e de oposição e lhe criando um ambiente desfavorável. Não se convenceu. Ao contrário.
Insistiu que o tempo conspirava contra ele e lembrou que, de sexta-feira para cá, a contabilidade apontava um voto a menos. Por isso mesmo, concluiu, era preciso manter de pé a votação do caso a qualquer custo. A partir daí, os companheiros do grupo mais próximo ao presidente do Senado passaram a defender, de público, a tese de que tinham margem de dois votos para vencer no Conselho de Ética e Decoro.
Naquele momento, a estratégia a ser seguida pelo novo relator do caso, Wellington Salgado (PMDB-MG), na tentativa de ganhar o voto dos conselheiros, estava montada. O argumento era o de que não havia prova para condenar Renan no caso da suspeita de ele ter pagado despesa pessoal com recursos do suposto lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, ou da própria empresa. Qualquer dúvida sobre a autenticidade dos documentos que atestam as operações de compra e venda de gado, dizia ontem Salgado, não eram objeto da representação do PSOL.
Tucanos
Sendo assim, poderiam ser investigadas apenas no caso de uma nova denúncia contra Renan, que qualquer senador ou legenda poderia formular em qualquer tempo. Quem melhor traduziu para o presidente da Casa as reais dificuldades políticas no Conselho de Ética foi o PSDB, que reuniu os 13 senadores para discutir o caso.
Durante quase duas horas de conversa no início da tarde de ontem, o presidente nacional da sigla, senador Tasso Jereissati (CE), e o líder da agremiação no Senado, Arthur Virgílio (AM), o advertiram da gravidade da situação. O primeiro alerta foi dado por Jereissati, sem hesitação: "O risco de você perder a votação no conselho hoje (ontem) é muito grande. Ninguém concorda em votar hoje (ontem) e, se você insistir, o PSDB fica contra."
Desde a véspera, os tucanos, que têm dois dos 16 votos do órgão, discutiam o caso nos corredores, na bancada e até na executiva nacional. Os deputados tucanos que participam da direção partidária cobraram muito dos senadores que ao menos afastassem Renan da presidência.
Coube a Virgílio a difícil tarefa de convencer os deputados de que, se não havia como inocentar o senador do PMDB de Alagoas, também não havia uma prova definitiva para incriminá-lo e tirá-lo da presidência.
DEM
A situação de Renan no DEM não diferia muito da do PSDB. Com a presença do ex-presidente nacional do PFL Jorge Bornhausen, que veio a Brasília, especialmente, para discutir o caso, eles se reuniram ontem e decidiram não votar o relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) no colegiado. Com base na perícia da Polícia Federal (PF) sobre os papéis da defesa do senador do PMDB, argumentaram que precisavam de mais tempo para aprofundar as investigações e apresentar um resultado conclusivo.
Os democratas, no entanto, se apegaram a uma questão regimental para tomar posição. Se o voto contrário ao relatório que recomenda o arquivamento da representação contra Renan significasse uma condenação, eles votariam na abstenção. Já no caso da derrubada do parecer significar apenas uma permissão para dar prosseguimento ao processo e à investigação, os quatro democratas do Conselho ficariam liberados para votar em bloco contra Renan.
"O ideal é que seja sobrestada a representação para que se possa fazer uma investigação fundamentada. A própria PF diz que precisaria de mais 30 dias de apuração para uma perícia conclusiva", afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
No meio da tarde, emissários do senador peemedebista mandaram um recado duro aos antigos aliados que ameaçavam abandoná-lo. O comentário nos bastidores do Senado era o de que muitos "vestais" que se apressavam em condenar Renan também tinham relações suspeitas com empreiteiras, que financiavam as campanhas, e relacionamentos secretos fora do casamento.
Renan rebateu, fortemente, qualquer conselho neste sentido e, com o apoio e a experiência do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que se afastou da presidência do Senado e ainda assim foi cassado, fez prevalecer a tese em contrário.
O presidente do Congresso entende que só a cadeira de presidente lhe confere a "blindagem institucional" de que necessitava para manter os votos dos governistas que ameaçam desertar da base de apoio a cada instante. "Não renuncio. Estou tranqüilo e estou pronto para qualquer coisa, inclusive para enfrentar o processo no plenário", repetiu, a mais de um interlocutor, ontem.
Mas, apesar da renitência em permanecer no posto e em apressar a votação do caso no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, as primeiras negociações em torno da sucessão começaram. Àquela altura, estava descartada a saída jurídica que o senador José Sarney (PMDB-AP) trabalhara junto ao PT na tentativa de tirar o caso do âmbito do Senado, transferindo-o para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Sarney lembrara que, por causa de uma votação apertada no processo disciplinar contra o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) no Conselho de Ética, a Mesa Diretora da Casa teria tomado a iniciativa de remeter o caso ao STF para dirimir qualquer dúvida.
A conclusão, no entanto, foi de que uma providência semelhante agora não resolveria o caso porque, como se tratava de instâncias distintas e poderes independentes, os senadores não conseguiriam se ver livres do processo no Senado.
Renan foi advertido de que a insistência em imprimir um rito sumário ao processo havia piorado o clima político na Casa, gerando polêmica em partidos aliados e de oposição e lhe criando um ambiente desfavorável. Não se convenceu. Ao contrário.
Insistiu que o tempo conspirava contra ele e lembrou que, de sexta-feira para cá, a contabilidade apontava um voto a menos. Por isso mesmo, concluiu, era preciso manter de pé a votação do caso a qualquer custo. A partir daí, os companheiros do grupo mais próximo ao presidente do Senado passaram a defender, de público, a tese de que tinham margem de dois votos para vencer no Conselho de Ética e Decoro.
Naquele momento, a estratégia a ser seguida pelo novo relator do caso, Wellington Salgado (PMDB-MG), na tentativa de ganhar o voto dos conselheiros, estava montada. O argumento era o de que não havia prova para condenar Renan no caso da suspeita de ele ter pagado despesa pessoal com recursos do suposto lobista da empreiteira Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, ou da própria empresa. Qualquer dúvida sobre a autenticidade dos documentos que atestam as operações de compra e venda de gado, dizia ontem Salgado, não eram objeto da representação do PSOL.
Tucanos
Sendo assim, poderiam ser investigadas apenas no caso de uma nova denúncia contra Renan, que qualquer senador ou legenda poderia formular em qualquer tempo. Quem melhor traduziu para o presidente da Casa as reais dificuldades políticas no Conselho de Ética foi o PSDB, que reuniu os 13 senadores para discutir o caso.
Durante quase duas horas de conversa no início da tarde de ontem, o presidente nacional da sigla, senador Tasso Jereissati (CE), e o líder da agremiação no Senado, Arthur Virgílio (AM), o advertiram da gravidade da situação. O primeiro alerta foi dado por Jereissati, sem hesitação: "O risco de você perder a votação no conselho hoje (ontem) é muito grande. Ninguém concorda em votar hoje (ontem) e, se você insistir, o PSDB fica contra."
Desde a véspera, os tucanos, que têm dois dos 16 votos do órgão, discutiam o caso nos corredores, na bancada e até na executiva nacional. Os deputados tucanos que participam da direção partidária cobraram muito dos senadores que ao menos afastassem Renan da presidência.
Coube a Virgílio a difícil tarefa de convencer os deputados de que, se não havia como inocentar o senador do PMDB de Alagoas, também não havia uma prova definitiva para incriminá-lo e tirá-lo da presidência.
DEM
A situação de Renan no DEM não diferia muito da do PSDB. Com a presença do ex-presidente nacional do PFL Jorge Bornhausen, que veio a Brasília, especialmente, para discutir o caso, eles se reuniram ontem e decidiram não votar o relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) no colegiado. Com base na perícia da Polícia Federal (PF) sobre os papéis da defesa do senador do PMDB, argumentaram que precisavam de mais tempo para aprofundar as investigações e apresentar um resultado conclusivo.
Os democratas, no entanto, se apegaram a uma questão regimental para tomar posição. Se o voto contrário ao relatório que recomenda o arquivamento da representação contra Renan significasse uma condenação, eles votariam na abstenção. Já no caso da derrubada do parecer significar apenas uma permissão para dar prosseguimento ao processo e à investigação, os quatro democratas do Conselho ficariam liberados para votar em bloco contra Renan.
"O ideal é que seja sobrestada a representação para que se possa fazer uma investigação fundamentada. A própria PF diz que precisaria de mais 30 dias de apuração para uma perícia conclusiva", afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
No meio da tarde, emissários do senador peemedebista mandaram um recado duro aos antigos aliados que ameaçavam abandoná-lo. O comentário nos bastidores do Senado era o de que muitos "vestais" que se apressavam em condenar Renan também tinham relações suspeitas com empreiteiras, que financiavam as campanhas, e relacionamentos secretos fora do casamento.