sexta-feira, outubro 05, 2007

Senado brasileiro homenageará o “porco fedorento”.

Faz todo sentido !
Reinaldo Azevedo

Acreditem!
No próximo dia 23, o Senado brasileiro prestará uma homenagem ao porco fedorento. Isto mesmo: haverá uma sessão especial em memória do assassino Che Guevara. Parece-me ok. Muitos senadores ficariam melhor num chiqueiro imundo. O autor da proposta, aprovada celeremente por Tião Viana (PT-AC), que presidia a Mesa, é José Nery, do PSOL (PA).

Informa, erradamente, o site do Senado: “No dia 8 deste mês, o assassinato de ‘El Che’ pelo exército boliviano, com o apoio da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, completa 40 anos.” Ele foi capturado no dia 8, mas executado no dia 9. O senador “psoliano” não teve dúvida e não perdeu a chance de dizer uma estupidez: “Tratava-se de cumprir uma missão planejada, ao arrepio da soberania boliviana, por uma potência intolerante obcecada pela idéia de derrotar a revolução cubana e de impor aos países latino-americanos regimes políticos absolutamente servis aos seus interesses estratégicos”.

Não! É o contrário. Os EUA colaboravam com o governo legal da Bolívia. Quem se intrometia nos assuntos internos do país, com dinheiro de Cuba — satélite da URSS —, era Che. Como sempre, a verdade é o contrário do que diz um esquerdista.

Não! Não direi que isso prova — ao contrário do que dizem os boquirrotos — a inexistência de direita no Senado e no Congresso. Nem exijo tanto. A provação dessa homenagem evidencia que a própria cultura democrática ainda não está devidamente entronizada no Parlamento brasileiro. Mesmo os que sabem que Guevara foi um assassino asqueroso silenciam. No dia 23, ouvir-se-ão as apologias, e posso antever que não se levantará uma única voz para lastimar a biografia de um vagabundo que torturou, mandou matar e matou a sangue frio.

Cuba, que vive a “utopia” que Guevara ajudou a criar, executa prisioneiros sem julgamento, prende jornalistas e artistas e reprime qualquer forma de oposição. A democracia e o pluripartidarismo brasileiros, que permitem a existência, no Brasil, de um PSOL, inexistem na ilha.

Alguns tolos dirão: “Que importância tem isso? Quem liga pra isso? Só mesmo um direitista como você!” Pois é. Que digam. Mas eu asseguro que a homenagem a Che é um símbolo e remete à raiz de nossos problemas. O PT é caudatário da crença de que, se o sujeito luta “por justiça” (ainda que isso seja mentira), então tudo lhe é permitido. No caso de Che e de outros esquerdistas, era-lhes facultado matar em nome da convicção. No caso dos nossos esquerdistas, mais espertos e menos “idealistas”, é-lhes facultado mentir, trapacear e roubar.