Adelson Elias Vasconcellos
A senhora Rousseff e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, insistem em afrontar os fatos quando o tema é inflação. Caminhando agora para o encerramento de seu primeiro mandato, a presidente conseguirá a proeza de fechar quatro anos sem que a meta que é de 4,5% seja cumprida. Talvez em 2013 cheguemos a 5,8%, na melhor das hipóteses e, em 2014, não ficaremos muito longe disto. E até poderia ser pior, não fosse o governo federal manipular os preços administrados, como combustíveis, por exemplo, além de pressionar governos estaduais e prefeituras a segurarem o quanto podem os preços das tarifas de transporte. Também há jogo manipulador nas contas de energia.
Em condições normais de temperatura e pressão, a inflação estaria hoje além até do teto da meta, fixada em 6,5%. A inflação dos preços livres já ultrapassou a casa dos 7% e tende a se manter neste nível elevado. Portanto, não aceitar que a inflação no país é alta, e mais alta se torna em razão do nosso baixo crescimento, é apostar sempre no azar.
Assim, apesar destes freios nos preços de muitos itens, já se vê que há problemas para os quais o governo ainda não acordou. E o que é pior: insiste em administrar a economia com malabarismo de efeitos reduzidos.
Segurar por tanto tempo o reajuste dos combustíveis vai provocar dois efeitos danosos para o país. De um lado, este prejuízo já vem se refletindo na capacidade de investimento da própria Petrobrás, além da perda sensível de seu valor de mercado, o que provoca redução na sua já reduzida capacidade de endividamento. E bem sabemos o quanto a Petrobrás precisará de oxigênio para enfrentar as batalhas de exploração do óleo nas camadas do pré-sal.
De outro, o governo ativa verdadeiras bombas relógio de efeito retardado, ao segurar preços através da aplicação de volumosos subsídios, esqueletos que cedo ou tarde deverão ser retirados do armário e comprometerão oi equilíbrio fiscal.
Claro que neste segundo caso, o prejuízo só será sentido no médio e longo prazos. Azar, portanto, de quem vier depois que tanto pode ser a própria Dilma ou outro qualquer que a suceda na presidência.
O que este governo ainda não conseguiu se convencer é de a condução desta política econômica suicida, está asfixiando o país. Reparem: mesmo com a elevação constante do dólar, os brasileiros que podem ir ao exterior, continuam batendo recordes de compras no exterior. A variação cambial não tem sido suficiente para equiparar nossos preços com os praticados lá fora. E não apenas por culpa da nossa estúpida carga tributária. Existem muitos outros fatores que colaboram para que o país tenha se tornado caro demais.
Reparem que há países que, apesar de baixo crescimento, conseguem sustentar taxas de juros relativamente baixas. Aqui, qualquer redução da Selic acaba não sustentando por muito tempo, que logo a inflação dispara, foge ao controle.
E tal quadro vem se repetindo ano após ano, sem que as autoridades econômicas consigam compreender que nosso problema é estrutural, que a inflação é muito mais problemas de falta de oferta para uma demanda permanentemente aquecida. Elevar a oferta encontra resistência no custo Brasil, e reduzir a oferta não passa pela cabeça do governo que tem no consumo, uma poderosa arma para alimentar seu discurso político.
E, deste modo, vamos levando os problemas para adiante, sem enfrentá-los, sem buscar soluções, sem olhar para as questões estruturais.
Além disto, o Estado brasileiro como um todo, em todos os seus níveis e escalões, se tornou oneroso demais para o tamanho da riqueza que conseguimos produzir. Não é à toa que a dívida pública esteja consumindo 50% da arrecadação federal, e a manutenção da máquina público se aproxima perigosamente de igual percentual. A consequência foi o que vimos ontem aqui, no curto período de 10 anos, a dívida pública mais do que dobrou. Como o governo se tornou problema central deste descompasso, para conseguir investir um mínimo que seja, precisa de um lado, manter os juros nas alturas para atrair o capital especulativo através do qual ele zere as contas. E, de outro, acaba provocando baixo crescimento em face do custo Brasil.
A forma mais recomendada para sair desta sinuca, seria criar um ambiente de negócios que permitisse ao país atrair investimentos externos tanto produtivos como em infraestrutura. Isto, em parte, aliviaria a pressão sobre o próprio governo, que teria oxigênio para destinar mais verbas para educação, saúde, segurança, saneamento básico, transporte público, etc. Mas qual, quem disse que este governo vê com bons olhos o capital privado, seja ele nacional ou não?
A consequência é assistirmos esta marcação de passo. Não conseguimos avançar. Ficamos enredados no mesmo modelito de baixa produção, baixo crescimento, carga tributária alta, custo Brasil elevado, infraestrutura precária, serviços públicos deprimentes, renda per capita média, investimentos em queda, juros elevados, inflação fora da meta, e um governo sem prioridades, e uma elite política que desvia para si a maior parte dos recursos do país. Enquanto isso, a classe pobre do país precisa se rastejar anos a fio com um salário mínimo indigno e bolsas assistencialistas que nada acrescentam ao seu padrão de vida. Deixam de ser miseráveis, mas permanecem cativos do paternalismo estatal.
No fundo, todo este misere que o governo entrega à sociedade faz parte de um plano, o plano que converge para um projeto de poder hegemônico. Claro que, ao longo do tempo, ele não se sustenta. As pessoas cansam de saírem do lugar. Querem avançar, querem progredir, querem seguir em frente e acaba se cansando destas barreiras que o governo de plantão impõem a todos. Não como segurar este movimento de progresso ad eternum.
Portanto, mesmo que a senhora venha conseguir se reeleger em 2014, é visível movimentos de imensa insatisfação e contrariedade ao que os petistas tem se permitido oferecer. Mesmo países em que as esquerdas triunfaram no continente, a oposição ao modelo defendido está crescendo e começando a se mexer. Isto se percebe na Argentina, Venezuela, Bolívia. Mesmo o regime repressivo de Cuba está se obrigando tem procurado oferecer alguns anéis para preservar os dedos. Vale frisar o que sempre afirmamos em relação aos governos de esquerda: seu prazo de validade é bastante curto. Cedo ou tarde as sociedades governadas por eles se cansam da mediocridade.
Uma última informação: se a inflação está controlada como afirma a senhora Rousseff, a troco do que subir os juros para 10%? Baixar juros no grito, como fez a nossa imperial presidente, resulta em erro, só aplaudido, no curto prazo, por quem se deixa enganar pela fantasia e discurso vazio. Para baixá-los, precisaria ter criado condições propícias, coisa que não foi feita. E, fechando o cerco: hoje, o Brasil saiu da lista dos 26 países mais promissores do planeta. Não reconhecer o quanto medíocre é o seu governo, é prova inconteste da miopia da atual presidente!
Berlusconi, Genoíno, Donadon & Outros:
Na Itália, cujo ambiente político não difere muito do brasileiro, o todo poderoso Berlusconi foi cassado pelo Senado por ter sido condenado por fraude fiscal.
Ora, se o grande Berlusconi, foi cassado, por que Genoíno, Donadon e outros menos votados, condenados por crimes de corrupção, dentre outros, não podem ser?
Passa da hora do Congresso se preocupar com sua imagem junto à opinião pública, já atolada na lama, e começar a agir com amadurecimento e moralidade. Não há uma única razão decente que justifique que se mantenha mandato parlamentar, cuja exigência inicial é o gozo pleno de direitos políticos, de pessoas condenadas por crimes contra a administração pública, condenação que também lhes cassou os mesmos direitos políticos, por um determinado números de anos.
Por outro lado, seria aconselhável que o PT recolhesse o circo que montou contra a condenação de seus cardeais. Quanto mais barulho fizer, maior fixação na memória do povo destas condenações. Até porque, se eles fizerem uma pesquisa de opinião honesta, vão se dar conta de que, o que o povo mais adora é ver político condenado na justiça e, muito mais ainda, quando este político acaba preso. A população está farta da impunidade eterna de políticos safados.