Adelson Elias Vasconcellos
Sempre que a turma do PT ou ligado a ele é pega em flagrante cometimento de crimes, o primeiro ato é defenderem-se com um não sei e não sabia de nada. Esta tem sido a praxe.
A fábrica de dossiês montada pelo PT vem de muitos anos atrás. Várias reportagens na imprensa, algumas inclusive aqui reproduzidas, contam detalhes e apontam os protagonistas principais deste método imoral (e muitas vezes ilegal) petista de luta política. É um jogo que frauda eleições e difama adversários.
A novidade nesta eleição é que os adversários alvos do PT passaram a se antecipar para se defenderem. Já há algum tempo rola uma interminável investigação na Receita Federal sobre a quebra de sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. Sabe-se o dia, a hora, o equipamento e a senha que violou um direito constitucional de um cidadão brasileiro. Mas até alguns dias atrás, a investigação da turma da Receita não se definia. Foi preciso que a vítima, Eduardo Jorge, recorresse à Justiça para obrigar a Receita a exibir o processo. De posse da papelada, descobriu-se que o crime era pior do que se imaginava. Não apenas o sigilo de Eduardo Jorge fora quebrado duas vezes, mas também o crime alcançara mais três tucanos, informação até então “preservada” pela Receita Federal. Tanto o crime da quebra ilegal de sigilo de um cidadão é grave, quanto a falta de definição da Receita Federal em investigar o próprio crime.
Não podemos esquecer do que já acontecera com o ex-caseiro Francenildo, que desmentira o então ministro Antonio Palocci, informando de sua presença em uma certa casa em Brasília, onde se reuniam alguns indivíduos para tramarem e urdirem negócios prá lá de suspeitos.
Na campanha presidencial de 2006, gente da copa e cozinha de Lula, acompanhada de integrantes do comitê de campanha de Aloísio Mercadante, fora flagrada no interior de um hotel, com mala contendo 1,7 milhão de reais, para a compra de um dossiê fajuto contra o então candidato ao governo paulista José Serra e que prejudicaria, por tabela, o adversário de Lula, o tucano Geraldo Alckmin.
Nem é preciso dizer que depois de muitas indas e vindas, as “investigações” resultaram em coisa alguma. Ninguém foi punido. E, do mesmo modo como a Receita Federal tem se comportado agora, na época, fora a vez da Polícia Federal seguir o mesmo roteiro.
Ao longo do segundo mandato de Lula, uma nova personagem apareceu no cenário dos dossiês. Dona Dilma Rousseff, então chefe da Casa Civil, agora candidata a sucessão de Lula. Foi de seu gabinete que se produziu um dossiê contra a esposa de Fernando Henrique, a falecida Ruth Cardoso, obrigando inclusive que Lula se desculpasse com o casal. Sempre que indagada, dona Dilma contava uma versão diferente, mas insistindo que se tratava apenas de um banco de dados, e não, como de fato era, de um dossiê com propósitos criminosos.
Esta mesma senhora, mais adiante, foi confrontada pela então secretaria da Receita Federal, senhora Lina Vieira, como lhe tendo pedido para aliviar uma investigação em curso contra a família Sarney, então alvo de enorme pressão por conta de inúmeras pilantragens cometidas com dinheiro público. Dona Dilma, acima como Lula sempre fizera antes, tratou de negar que tivesse tido reunião com Lina Vieira. Porém, o técnico de informática, Demetrius Sampaio Felinto desmentiu dona Dilma, afirmando que o vídeo gravado está no Palácio do Planalto e mostra que a ex-secretária esteve na Casa Civil, tal qual testemunhara.
Mais recentemente, outra testemunha surgiu no universo da política brasileira declarando ter sido contratado pelo comitê de campanha de Dilma Roussef com o propósito de bisbilhotar adversários e montar dossiês, principalmente contra José Serra.
Hoje, Dilma em entrevista levada ao ar pelo Jornal Nacional, declarou que nada teve a ver com a quebra de sigilo dos tucanos e até afirmou que ingressará com ação contra Serra por calúnia e difamação. Ou seja, eles querem processar a vítima. Gente estranha esta, não ?
Agora, se algum conselho pudesse dar ao PT, eu diria que o melhor que poderiam fazer era não mexer neste vespeiro. Neste submundo lamacento da política, até algum tempo atrás ignorado pelo país, passou a revelar testemunhas bastante ativas em passado recente, e cujas revelações recentes, colocam o PT sob a cruz e a espada.
A seguir, reproduzimos trechos de duas reportagens da revista VEJA, com revelações bombásticas e que de modo algum poderão ser desmentidas pelo PT (como aliás não foram).
Na Edição 2177/11 agosto 2010, reportagem sob o título “ Uma confissão desconcertante”, pg.68, destacamos este trecho:
“(...) Gerardo Xavier Santiago é um arquivo vivo da atuação de um grupo de sindicalistas do PT no comando da PREVI, o maior fundo de pensão do país. Por sete anos, Gerardo foi assessor direto de Sérgio Rosa, o petista que presidiu a Previ até maio deste ano. No cargo, Rosa transformou o órgão em um bunker de espionagem e fabricação de dossiês contra adversários de seu grupo político e do governo Lula. Gerardo era encarregado direto da produção dos dossiês, principalmente, na época da CPI dos Correios, que desvendou o mensalão e quase levou o governo a nocaute. Em várias horas de conversa com VEJA nos últimos meses, ele revelou os detalhes do método petista de enfrentar opositores – que continua funcionando a pleno vapor e produzindo sucessivos escândalos.(...)”
Perguntado se já recebera ordens fazer dossiês contra alguém respondeu:
“(...) A primeira vez foi no governo FHC. Em junho de 2002, o governo federal fez uma intervenção para destituir todos os diretores da Previ. Como essa intervenção nos prejudicaria, foi formado um grupo de petistas para levantar informações que comprometessem a gestão tucana e provassem a ingerência do governo na Previ.(...)”
Mais adiante ele acrescenta:
“(...) Agora dossiês com conteúdo com conteúdo ofensivo, para atingir adversários políticos, só no governo Lula mesmo, na gestão do Sérgio Rosa(...)”..
E confessa:
“(...) Quando o PT chegou a Presidência da República, os dirigentes botaram a Previ para defender o governo, o partido, o sindicato, a CUT. Hoje, a Previ é um braço partidário, é um bunker de um grupo do PT, uma fábrica de dossiês. A Previ está a serviço de um determinado grupo muito poderoso, comandado por Ricardo Berzoini, Sérgio Rosa, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto.(...)”.
Já na Edição 2178/18 agosto 2010/ pagina 76, sob o título “ Mais uma desconcertante testemunha”, destacamos este trecho:
(...) “Lula sabia e deu autorização”
Wagner Cinchetto atuou na linha de frente da campanha petista de 2002, montou um grupo encarregado de produzir dossiês, que pudesse servir de munição para atacar, constranger e destruir a imagem dos oponentes do presidente Lula. Os sindicalistas recrutados para o trabalho eram todos ligados ao então candidato do PT, que, segundo ele, sabia de tudo.(...)”.
Perguntado sobre qual era a ideia do grupo, respondeu:
“(...) A ideia era atacar primeiro. Eu lembro do momento em que o Ciro Gomes começou a avançar nas pesquisas. Despontava como um dos favoritos. Decidimos, então, fazer um trabalho em cima dele, centrado em seu ponto mais fraco, que era o candidato a vice de sua chapa, o Paulinho da Força. Eu trabalhava para a CUT e já tinha feito um imenso dossiê sobre o deputado. Já tinha levantado documentos que mostravam desvios de dinheiro público, convênios ilegais assinados entre a Força Sindical e o governo e indícios de que ele tinha um patrimônio incompatível com sua renda. O dossiê era um trabalho profissional. (...)”
Perguntado sobre qual a serventia dos dossiês produzidos por eles, respondeu:
“(...) Fotografamos até uma fazenda que o Paulinho comprou no interior de São Paulo, os documentos do cartório, a história verdadeira da transação. Foi preparada uma armadilha para “vender” o dossiê ao Paulinho e registrar o momento da compra, mas ele não caiu. Simultaneamente, ligávamos para o Ciro para ameaçá-lo, tentar desestabilizá-lo emocionalmente. O pessoal dizia que ele perderia o controle. Por fim, fizemos as denúncias chegarem à imprensa. A candidatura Ciro foi sendo minada aos poucos. O mais curioso é que ele achava que isso era coisa dos tucanos, do pessoal do Serra.(...)”
E acrescentou:
“(...) Como os documentos que a gente tinha vinham de processos internos do governo, a relação era mais ou menos óbvia. Também se dizia que o Ciro tirava votos do Serra. Portanto, a conclusão era lógica: o material vinha do governo, os tucanos seriam os mais interessados em detonar o Ciro, logo...No caso da Lunus, que fulminou a candidatura da Roseana, aconteceu a mesma coisa. (...)”
(...) Aquela situação da Roseana caiu como uma luva. Ao mesmo tempo que o PT se livrava de uma adversária de peso, agia para rachar a base aliada dos adversários... Até hoje todo mundo acha que os tucanos planejaram tudo. Mas o PT estava nessa.(...)
Perguntado sobre quem traçava as estratégias, disse:
“(...) O grupo era formado por pessoas que têm uma longa militância política. Todas com experiência neste submundo sindical, principalmente dos bancários e metalúrgicos. Não havia um chefe propriamente dito. Quem dava a palavra final às vezes eram o Berzoini e o Luis Marinho (atual prefeito de São Bernardo do Campo). Basicamente, nos reuníamos e discutíamos estratégias com a premissa de que era preciso sempre atacar antes.(...)”
Sobre se o então candidato Lula sabia alguma sobre a atividade do grupo, afirmou:
“(...) Lula sabia de tudo e deu autorização para o trabalho. Talvez desconhecesse os detalhes, mas sabia do funcionamento do grupo. O Bargas funcionava como elo entre nós e o candidato.(...)” (grifo nosso).
As duas reportagens acima são verdadeiras peças incriminadoras de um método fascista de praticar política. Gente que se presta a empregar tais métodos, se caracteriza muito mais a prática de crime organizado do que a de ser um agente atuante no mundo político de um país que se diz democrático.
De posse das reportagens e com o recolhimento dos testemunhos, é inadmissível ver que a oposição nada fez para acionar na Justiça estes pistoleiros da política brasileira. Gente como essa deveria ser expulsa da vida partidária, deveria ser impedida de atuar em qualquer função pública, quanto mais estar à frente da Presidência da República. Material não falta para uma ação que detone e expurgue estes bando de salafrários do mundo da política nacional.
E que fique claro: nem Lula tampouco Dilma, por mais que neguem, são “inocentes” nos casos que acima apontamos. Há provas e testemunhas suficientes para ambos responderem por ações de impedimento, por não apenas serem co-autores dos crimes, mas, sobretudo, por terem autorizado que os mesmos fossem cometidos.
Enquanto no Brasil este clima lamacento de se fazer política permanecer, jamais qualquer cidadão estará a salvo na preservação de seus direitos. Qualquer um que contestar o governo ou os governantes, poderá ter sua privacidade violada e devassada de forma torpe e ilegal. Gostem ou não, vivemos um clima de estado policial, e neste sentido, nosso regime já deixou de se caracterizar por democrático, passou a ser a de um regime de exceção.
Não se espere coisa melhor em um provável governo Dilma. Até pelo contrário: a desfaçatez com que esta senhora tem se comportado, a maneira cínica e mentirosa como tem atuado nesta campanha, denota estarmos diante de uma pessoa sem caráter, sem escrúpulos, sem moral. Para os quantos que conheceram a forma como se conduziu à frente da Casa Civil, sabe que, terminada a campanha, este lustro marqueteiro feito para esconder seu verdadeira face, ruirá de vez, dando lugar a verdadeira Dilma, aquela capaz de constranger quem lhe está próximo e a desagrade por qualquer motivo, capaz de falsear uma formação acadêmica que nunca teve, e de mentir sem nenhum pejo para reescrever uma história que o Brasil nunca teve.
Se com tanta munição José Serra é incapaz de confrontar não apenas sua adversária nesta eleição, como também o senhor imperial que habita atualmente o Palácio do Planalto, é porque de fato não merece o galardão de presidir o país. Precisamos de gente de caráter, de vergonha na cara, com coragem e iniciativa para defender o país de seus achacadores e usurpadores. O povo brasileiro sabe bem do que precisa, e se não o encontra dentre os atuais candidatos, melhor deixar do jeito que está.
Como já afirmei, oposição que não faz oposição, não ganha eleição. E o que Lula, desde 2003, jamais precisou se preocupar foi enfrentar uma oposição com cara e coragem. A que está aí é mais governista do que a própria base de apoio de Lula.