sexta-feira, março 28, 2008

Dengue transmitida por vírus tipo 4 volta a infectar brasileiros e pode chegar ao Rio de Janeiro

JB Online

MANAUS - A epidemia de dengue que assusta os cariocas pode piorar com a chegada do vírus tipo 4 da dengue no país, possivelmente da Venezuela. De acordo com estudo de pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, o vírus tipo 4 (o DENV-4) voltou a infectar pacientes da região, depois de 25 anos sem registros do vírus no Brasil.

O artigo, publicado na revista científica 'Emerging Infectious Diseases', afirma que o vírus foi confirmado em três pacientes, depois de exames sorológicos e testes moleculares. O mais alarmante é que as pessoas que já contraíram qualquer dos três tipos de vírus da dengue no país não estão imunes ao tipo 4 - e ainda estão mais vulneráveis à dengue hemorrágica.

O primeiro caso do vírus DENV-4 foi detectado no Estado de Roraima, em 1982. Desde lá, nenhum outro caso foi registrado. Os registros do vírus devem estar relacionados à proximidade do Amazonas a outros países endêmicos: Venezuela e Colômbia.

O estudo teve início em janeiro de 2005, na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, e foram analisados pacientes que tinham sintomas semelhantes ao da malária. Os três exames positivos para o DENV-4 foram obtidos de pacientes que vivem e trabalham em Manaus e haviam viajado cerca de 15 dias antes de apresentarem os sintomas. Os resultados foram obtidos durante a pesquisa, que identificou outros 62 resultados positivos para a dengue.

A pesquisa foi realizada de janeiro de 2005 até junho de 2007 em 14 cidades do Amazonas. Foram constatados também 24 casos de dengue tipo 2 e 35 de dengue tipo 3.

Dengue transmitida por vírus tipo 4 pode chegar ao Rio
Se o Rio de Janeiro não consegue conviver com a epidemia de dengue provocada pelos tipos 1, 2 e 3 da doença - que já causou 55 mortes - mais uma ameaça ronda o Estado: o vírus do tipo 4, que já infectou pessoas no Brasil, pode chegar ao Rio a qualquer momento e agravar a epidemia. Esta é a opinião do infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edmilson Migowiski.

- O vírus tipo 4 já circula na região do Caribe e Venezuela há tempos, e pode chegar ao Rio a qualquer hora. Não há barreiras sanitárias que impeçam as pessoas de ir e vir. O vírus pode chegar tanto através dos infectados quanto do mosquito, que vem dentro de caixas e containeres, ou ainda na forma de ovos de mosquito – explicou o especialista.

O mais alarmante é que quem já contraiu qualquer dos três tipos de vírus da dengue no país não está imune ao tipo 4 - e ficará mais vulnerável à dengue hemorrágica. De acordo com estudo de pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, o vírus tipo 4 (o DENV-4)vem da Venezuela e voltou a infectar pacientes da região, após 25 anos sem registros do vírus no Brasil. Um artigo publicado na revista científica 'Emerging Infectious Diseases', afirma que o vírus foi confirmado em três pacientes, depois de exames sorológicos e testes moleculares. O primeiro caso do vírus DENV-4 foi detectado no Estado de Roraima, em 1982. Desde lá, nenhum outro caso foi registrado.

Segundo Migowiski há explicação científica para os 25 anos de 'trégua' do vírus tipo 4:

- Como não é possível contrair o mesmo tipo de vírus duas vezes, as pessoas que foram infectadas com a dengue tipo 4 ficaram imunes à doença, mas o vírus voltou a atacar as novas populações. No caso do Rio, o vírus tipo 2, que havia feito vítimas na última epidemia, em 2002, voltou a atacar as novas gerações, o que explica o grande número de crianças e adolescentes doentes - comentou o especialista.

A prevenção da doença está sendo discutida em todas as esferas públicas. Nesta quinta-feira, em audiência realizada na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiros, Oscar Berro, secretário de Saúde de Duque de Caxias - um dos municípios com vários casos da doença -, disse que a gestão de combate à dengue no Estado é 'hospitalocêntrica', e que o governo estaria tomando apenas medidas emergenciais e hospitalares, sem focar na prevenção à doença. O infectologista Edmilson Migowiski concorda, e alerta:

- O problema é que quando essa epidemia for resolvida, governo e população vão esquecer o problema. Se o combate à dengue não for feito todo dia, initerruptamente, teremos ainda muitas epidemias no país - explicou Migowiski. E continuou : O governo não pode se vangloriar com a queda do número de casos da doença registrados, até porque o número de infectados é muito maior que o divulgado, já que 1/3 da população não apresenta sintomas da doença. O combate só poderá ser comemorado quando diminuir o número de vetores.
Em seu Ex-blog, publicado nesta sexta-feira, o prefeito Cesar cita a entrada do vírus no páis ano passado, e elogia o trabalho do Ministério da Saúde:

- Em 2007, no programa coordenado pelo ministério da saúde PAN SEM DENGUE, no Rio quando distribuiu faixas, folders, outdoors, anúncios na TV e rádios, sobre epidemias e surtos de dengue que varavam o país, um ponto se manteve ainda interno. Dengue Tipo 4 que existia na Venezuela deveria ser acompanhado com rigor junto à delegação venezuelana, pois ainda não se tinha conhecimento dos elementos de combate. Não veio pelo PAN, mas veio por Roraima. Desta vez o ministério da saúde atuou rápida e corretamente, informando a todos, o que permitirá - estudos e análises - com vistas a definirem-se procedimentos - disse o prefeito.