segunda-feira, agosto 06, 2007

ENQUANTO ISSO...

Em 3 segundos, cai prédio da TAM

Às 15h29 de ontem as sirenes da Defesa Civil da cidade de São Paulo tocaram, câmeras fotográficas foram levantadas por centenas de curiosos que aguardavam e, um minuto depois, o prédio da TAM Express, que ainda exibia na lateral esquerda a pichação "Brazil (sic) é isso", veio abaixo na avenida Washington Luiz.

A implosão do edifício na frente do aeroporto de Congonhas, onde caiu o Airbus da companhia aérea, durou três segundos, mas uma estrutura de uma parede a esquerda do prédio resistiu e teve de ser destruída em seguida por uma retroescavadeira, assim como o posto de gasolina ao lado. O sentido bairro da Avenida Washington Luiz, interditado desde a data do acidente que matou 199 pessoas, foi liberado pouco antes das 18h.

Hoje, a defesa civil começa a avaliar a desinterdição de 22 imóveis no entorno do edifício. Três edículas de residências da área foram derrubadas pouco antes da implosão porque corriam o risco de ruir. O aeroporto foi paralisado das 15h10 às 16h por causa dos trabalhos e no início da tarde de hoje acumulava 50 cancelamentos de 120 vôos previstos e quatro atrasos - a Infraero negou que a situação tivesse relação com a implosão do prédio.

O governado José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) acompanharam os trabalhos a uma distância de 150 m, da alça de acesso à Avenida Bandeirantes, via que também foi paralisada momentaneamente, assim como os dois sentidos da Washington Luiz. Kassab disse que a imagem da implosão era "muito triste" e que preferia não dar declarações.

"Não é o momento de fazer maiores análises, nem de sair do tema. A implosão encerra uma etapa desse processo tão doloroso, o que volta é a tristeza daquele dia, daquela noite, que realmente se o inferno tiver uma imagem é a que vimos na noite do acidente. O importante é trabalhar, o Brasil trabalhar para evitar a repetição de tragédias como essa", disse Serra pouco antes de ir embora.

Questionado sobre providências do governo estadual frente à União após a tragédia, responsabilizou a pista curta de Congonhas pelo acidente. "O governo estadual não tem influência direta na política aeroportuária, ela é prerrogativa e atribuição do governo federal, mas estamos presentes seja para apontar os problemas, seja para cooperar na solução de todos os problemas. Uma coisa me parece clara: que aqui em Congonhas tem de ser feita uma pista de escape, que independentemente das causas do acidente, a falta de pista de escape é o que precipitou a tragédia."

O engenheiro responsável pela operação, de empresa contratada pela TAM, afirmou que já era previsto que parte da lateral esquerda poderia resistir à implosão. Segundo ele, foi colocada uma carga de dinamite menor naquele ponto - no total foram usados 75 kg - para evitar uma interdição de mais quarteirões da área, além dos quatro que já tinham sido isolados pela defesa civil. "Daria muito mais trabalho. Foi uma opção técnica", afirmou Manoel Jorge Dias, de 52 anos, que trabalhou também nas implosões do Carandiru e do Palace 2.

De acordo com ele, serão necessários 1.800 caminhões para retirar as 18 mil toneladas de entulho que restaram no local. Segundo Jair Paca de Lima, coordenador geral da Defesa Civil, todo o entulho deverá seguir para área da TAM em São Carlos, para análises técnicas. A companhia aérea divulgou nota reafirmando a doação da área do prédio à Prefeitura de SP - o município promete uma praça e um memorial para as vítimas no local.

Os curiosos fizeram silêncio após o "boom" da implosão. Terezinha Campofredo, de 65 anos, que mora no bairro, deixou o local chorando. "Isso me deu uma tristeza... Não tem nada da gente, né? Mas a gente sente."

Enquanto isso, por aqui...
Blog do Noblat

Nada é mais é levado a sério na Europa do que as férias de verão - neste momento, em em seu ponto máximo.

Mas ontem, em uma fazenda perto de Guilford, no sudoeste da Inglaterra, foi descoberto um caso de febre aftosa. Um boi, e somente um, apareceu com os sintomas da doença.

A reação do governo inglês foi imediata. Tão logo avisado, o primeiro-ministro Gordon Brown suspendeu suas férias no Dorset e regressou a Londres para comandar as ações do governo.

Todas as outras reses da fazenda foram abatidas, e proibidas temporariamente as exportações de carne, seja de boi ou de porco.

A Comunidade Europeía, com sede em Bruxelas, segue de perto o problema.
Em 2001, quando houve um surto de febre aftosa, a Inglaterra amargou um prejuízo de 12 bilhões de euros.

Esta tarde, o presidente George Bush visitou o local onde desabou uma ponte no estado de Mineápollis. Morreram cinco pessoas. Outras oito desapareceram.

Enquanto isso, por aqui...

Bem, por aqui vocês sabem.


COMENTANDO A NOTÍCIA: Vejam vocês como deve comportar-se um governante. Aos exemplos referidos pelo Noblat poderíamos juntar dezenas deles. Regra geral, em momentos de tragédia e comoção nacional, o presidente ou Primeiro Ministro sempre se faz presente, levando sua palavra, sua presença, sua solidariedade. Aqui, o prédio da TAM foi implodido sem que o digníssimo senhor Luiz Inácio Lula da Silva se desse ao trabalho de descer de sua arrogância e prepotência para, um única vez que fosse, visitasse o local em que quase 200 brasileiros foram tragicamente consumidos pelas chamas do maior desastre aéreo da nossa história.

Muito embora a pesquisa feita pelo DATAFOLHA demonstrasse que a aprovação de Lula permanece onde estava antes do acidente, esta sua ausência o tempo saberá cobrar. Aliás, não terá a primeira vez que Lula se omitiu de se fazer solidário ao povo brasileiro. Fica-nos a impressão de que sua única preocupação foi desgrudar a tragédia de seu governo, de suas costas. Além, é claro, da preocupação canalha com seus índices de aprovação e popularidade. A respeito do DATAFOLHA, leiam a coluna de TRAPOS & FARRAPOS de hoje, onde colocamos nosso ponto vista sobre esta estranha pesquisa e seu estranho método de coleta de dados.

Porém, e conforme já advertimos inúmeras vezes, esta postura omissa de Lula terá, no seu devido tempo, um preço que, se agora ele foge de ter que prestar contas, momento oportuno se oferecerá em que a fuga não mas será possível. Aliás, ele próprio tratará de correr atrás. Tardiamente contudo. Cada um receberá de acordo com o que houver plantado.