Estadão
No ano passado, a contribuição do balanço de pagamentos para as reservas brasileiras foi negativa em US$ 2,9 bilhões, enquanto em 2007 havia sido positiva em US$ 87,4 bilhões. É um fato que suscita preocupação.
No ano passado, a contribuição do balanço de pagamentos para as reservas brasileiras foi negativa em US$ 2,9 bilhões, enquanto em 2007 havia sido positiva em US$ 87,4 bilhões. É um fato que suscita preocupação.
Com um déficit em transações correntes de US$ 28,3 bilhões, o maior desde 1998, tem-se a impressão de que o ano passado marcou o ingresso numa nova etapa das contas externas do País, depois de anos de tranquilidade nessa área.
É claro que a crise financeira internacional teve grande responsabilidade pelo problema, embora, até agosto, já se registrasse um déficit em transações correntes de US$ 20,6 bilhões. É possível dizer que o Brasil, antes da crise internacional, já viesse pagando o preço pela fase de prosperidade da sua economia, sem falar da política do governo de dar prioridade ao aumento artificial do consumo, via crédito.
O superávit da balança comercial teve redução de 38,7% porque as exportações cresceram 6,6%, enquanto as importações aumentavam 43%. Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs), de US$ 44,4 bilhões, é que foram excepcionalmente elevados, atraídos por um mercado interno em expansão. Mas a contrapartida foram as remessas de lucros e dividendos, de US$ 34,4 bilhões, com aumento de 50,1% em relação ao ano anterior, enquanto as despesas com serviços cresciam 26,7% (33,5% no caso das viagens para o exterior).
Os investimentos em carteira, antes da crise, foram atraídos pelos altos rendimentos oferecidos no Brasil, mas houve uma retirada volumosa depois que ela eclodiu, responsável pela queda de 63,9% no saldo da conta financeira, que em anos anteriores dera valiosa contribuição para o balanço de pagamentos.As perspectivas para 2009 não parecem nada tranquilas. O Banco Central (BC) prevê, hoje, um déficit em transações correntes de US$ 25 bilhões neste ano, menor, portanto, do que o de 2008. Mas em janeiro de 2008 o BC previa um déficit de apenas US$ 3,5 bilhões para o ano...
Na sua previsão de agora, o BC parte de um superávit comercial de US$ 14 bilhões, mas os dados de janeiro não estão confirmando essa previsão, pois há déficit em cada semana. A conta de juros pode diminuir, pois está difícil obter empréstimos externos, mas os dividendos continuarão elevados, mormente se os IEDs crescerem de novo.
A maior dificuldade será financiar o déficit, em face de um mercado internacional de crédito muito fechado.