Ana Paula Lacerda e Mariana Aragão, Jornal da Tarde
Quando o brasileiro compra um iPod, é como se adquirisse dois: um ele leva para casa, outro vai para o governo na forma de impostos. Sonhos de consumo de muitos brasileiros, os eletroeletrônicos da moda - como iPods, TVs de LCD e videogames de última geração - ainda estão longe de ter, no Brasil, preços semelhantes aos de seus países de origem. Nas lojas de varejo do País, alguns importados chegam a custar até quatro vezes mais que em lojas nos Estados Unidos.
Quando o brasileiro compra um iPod, é como se adquirisse dois: um ele leva para casa, outro vai para o governo na forma de impostos. Sonhos de consumo de muitos brasileiros, os eletroeletrônicos da moda - como iPods, TVs de LCD e videogames de última geração - ainda estão longe de ter, no Brasil, preços semelhantes aos de seus países de origem. Nas lojas de varejo do País, alguns importados chegam a custar até quatro vezes mais que em lojas nos Estados Unidos.
.
“Isso ocorre porque, ao trazer um eletroeletrônico para o Brasil, a empresa paga uma série de impostos”, diz o tributarista Ilan Gorin. “O Imposto de Importação, o IPI, 17% a 19% de ICMS, 9,25% de PIS/Cofins, CPMF, IRCS sobre o lucro, todos somados representam facilmente a metade, ou até mais, do valor final do produto.”
“Isso ocorre porque, ao trazer um eletroeletrônico para o Brasil, a empresa paga uma série de impostos”, diz o tributarista Ilan Gorin. “O Imposto de Importação, o IPI, 17% a 19% de ICMS, 9,25% de PIS/Cofins, CPMF, IRCS sobre o lucro, todos somados representam facilmente a metade, ou até mais, do valor final do produto.”
.
Fora isso, o tributarista acrescenta que o revendedor precisa acrescentar ao preço final o frete e as despesas da loja e de pessoal. “Assim, o consumidor acaba comprando um produto pelo preço de dois.”
Fora isso, o tributarista acrescenta que o revendedor precisa acrescentar ao preço final o frete e as despesas da loja e de pessoal. “Assim, o consumidor acaba comprando um produto pelo preço de dois.”
.
Uma pesquisa do banco australiano Commonwealth mostra bem essa situação: uma das conclusões é que o Brasil vende o iPod mais caro do mundo. O estudo compara o poder de compra em 26 países e mostra que o tocador de MP3 da Apple custa US$ 327,71 no Brasil. Na Índia, segunda no ranking, custa US$ 222,27, e nos EUA, terra natal do iPod, US$ 149. O modelo usado na pesquisa foi o Nano, última versão do player da Apple.
Uma pesquisa do banco australiano Commonwealth mostra bem essa situação: uma das conclusões é que o Brasil vende o iPod mais caro do mundo. O estudo compara o poder de compra em 26 países e mostra que o tocador de MP3 da Apple custa US$ 327,71 no Brasil. Na Índia, segunda no ranking, custa US$ 222,27, e nos EUA, terra natal do iPod, US$ 149. O modelo usado na pesquisa foi o Nano, última versão do player da Apple.
.
Os videogames também têm seu preço triplicado ao chegar ao Brasil. Segundo um levantamento da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), antes de chegar às lojas, os videogames carregam mais de 100% somente em tributação direta - 30% de Imposto de Importação, 50% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), 9,25% de PIS/Cofins e de 17% a 19% de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A esse valor, são acrescidos a margem de lucro e gastos com transporte.Mesmo os eletroeletrônicos fabricados no País têm preço médio maior que no exterior. “A carga tributária brasileira é mais alta que a de outros países”, diz Gorin. “As exceções são aqueles aparelhos que não precisam de componentes importados ou são produzidos em áreas com incentivos fiscais.”
Os videogames também têm seu preço triplicado ao chegar ao Brasil. Segundo um levantamento da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), antes de chegar às lojas, os videogames carregam mais de 100% somente em tributação direta - 30% de Imposto de Importação, 50% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), 9,25% de PIS/Cofins e de 17% a 19% de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A esse valor, são acrescidos a margem de lucro e gastos com transporte.Mesmo os eletroeletrônicos fabricados no País têm preço médio maior que no exterior. “A carga tributária brasileira é mais alta que a de outros países”, diz Gorin. “As exceções são aqueles aparelhos que não precisam de componentes importados ou são produzidos em áreas com incentivos fiscais.”
.
Segundo o gerente do Departamento de TV e Som da Fnac, Alex Altheman, a alta taxa tributária do País é a causa principal do alto preço dos eletroeletrônicos. “Um iPod, por exemplo, é taxado em cerca de 30% do seu valor de importação só para entrar no Brasil.”
Segundo o gerente do Departamento de TV e Som da Fnac, Alex Altheman, a alta taxa tributária do País é a causa principal do alto preço dos eletroeletrônicos. “Um iPod, por exemplo, é taxado em cerca de 30% do seu valor de importação só para entrar no Brasil.”
.
A primeira conta é paga pelas importadoras. “Quando as empresas varejistas compram o produto, têm de pagar mais 28% em impostos.” Esse porcentual incide sobre o valor posterior, não sobre o original - a chamada incidência em cascata. O gerente aponta as despesas com frete como mais um vilão na definição dos preços. “A estrutura precária das estradas do País encarece o produto e a falta de segurança nos força a gastar mais com logística.” A empresa não revela quanto, mas afirma que a margem de lucro dos eletroeletrônicos é menor que a de outros produtos, como livros e DVDs.
A primeira conta é paga pelas importadoras. “Quando as empresas varejistas compram o produto, têm de pagar mais 28% em impostos.” Esse porcentual incide sobre o valor posterior, não sobre o original - a chamada incidência em cascata. O gerente aponta as despesas com frete como mais um vilão na definição dos preços. “A estrutura precária das estradas do País encarece o produto e a falta de segurança nos força a gastar mais com logística.” A empresa não revela quanto, mas afirma que a margem de lucro dos eletroeletrônicos é menor que a de outros produtos, como livros e DVDs.
.
Segundo Altheman, não existe uma única solução para tornar os produtos mais acessíveis ao consumidor, mas várias. Além do corte de tributos, ele afirma que estradas melhores e mais seguras reduziriam os preços. Outra reivindicação é a concessão de incentivos fiscais aos fabricantes nacionais de eletrônicos, a exemplo do que ocorre com os produtos de informática. “Afinal, usar iPod também é inclusão digital.”
Segundo Altheman, não existe uma única solução para tornar os produtos mais acessíveis ao consumidor, mas várias. Além do corte de tributos, ele afirma que estradas melhores e mais seguras reduziriam os preços. Outra reivindicação é a concessão de incentivos fiscais aos fabricantes nacionais de eletrônicos, a exemplo do que ocorre com os produtos de informática. “Afinal, usar iPod também é inclusão digital.”