José Paulo Kupfer, NoMínimo
É natural que muita gente não entenda por que o Banco Central teria errado tanto na última decisão sobre a taxa básica de juros, quarta-feira. Afinal, se o corte na taxa tivesse sido de 0,5 ponto percentual – e não de 0,25 ponto, como foi – não haveria tantas reclamações ou elas seriam as habituais.
A redução dos juros básicos nominais de 13,25% ao ano para 13%, no entanto, foi criticada de norte a sul. O governador de São Paulo, José Serra, por exemplo, classificou a decisão de erro crasso. Quem ouviu suas declarações percebeu que ele não falou apenas como político de oposição, mas como economista – um dos mais apetrechados da praça.
Por que miserável 0,25 ponto de percentagem faz tanta diferença, ainda mais quando as taxas efetivas, cobradas das pessoas comuns, continuam nas estratosferas dos 150% ao ano, e mais 0,25 ponto não mudaria nada no bolso das pessoas? A resposta é que, depois do programa de crescimento lançado pelo governo, o corte de apenas 0,25 fez diferença sim. E foi um desastre, mesmo quando a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) informa, em sua linguagem cifrada, que a redução dos juros deve continar, se bem que agora em ritmo mais lento.
Desossado das avaliações ideológicas e político-partidárias, o PAC tem lógica. Mas a consistência dessa lógica é função de um crescimento próximo a 5% ao ano, pelo menos a partir de 2008. Sem isso, o programa ficará pelo caminho, como tantos outros.
Simplificando, pode-se dizer que a decisão sobre os juros leva em conta uma apuração das taxas atual de difusão dos preços e a curva de momento do produto potencial. Os modelos utilizados pelo BC consideram que, sem produzir pressões inflacionárias, a economia está estruturada para crescer em torno de 3% ao ano. Expansão acima disso, no quadro atual, só com inflação.
A diretoria do BC (que se confunde com o Copom), supostamente, dispõe das melhores informações e dos melhores técnicos para saber a quantas anda realmente a economia. Ao tomarem sua decisão, os membros do Copom já dispunham de todas as informações sobre o PAC. Logo, ao decidir por um corte de apenas 0,25 ponto na taxa básica de juros, os doutores do BC (e do Copom), de posse das melhores informações disponíveis – inclusive as do PAC – declararam oficialmente ao País que não acreditam no PAC. Segundo eles, sem inflação, a economia não crescerá os 5% apregoados pelo governo e fundamentais para o êxito de seu plano de aceleração econômica.
É natural que muita gente não entenda por que o Banco Central teria errado tanto na última decisão sobre a taxa básica de juros, quarta-feira. Afinal, se o corte na taxa tivesse sido de 0,5 ponto percentual – e não de 0,25 ponto, como foi – não haveria tantas reclamações ou elas seriam as habituais.
A redução dos juros básicos nominais de 13,25% ao ano para 13%, no entanto, foi criticada de norte a sul. O governador de São Paulo, José Serra, por exemplo, classificou a decisão de erro crasso. Quem ouviu suas declarações percebeu que ele não falou apenas como político de oposição, mas como economista – um dos mais apetrechados da praça.
Por que miserável 0,25 ponto de percentagem faz tanta diferença, ainda mais quando as taxas efetivas, cobradas das pessoas comuns, continuam nas estratosferas dos 150% ao ano, e mais 0,25 ponto não mudaria nada no bolso das pessoas? A resposta é que, depois do programa de crescimento lançado pelo governo, o corte de apenas 0,25 fez diferença sim. E foi um desastre, mesmo quando a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) informa, em sua linguagem cifrada, que a redução dos juros deve continar, se bem que agora em ritmo mais lento.
Desossado das avaliações ideológicas e político-partidárias, o PAC tem lógica. Mas a consistência dessa lógica é função de um crescimento próximo a 5% ao ano, pelo menos a partir de 2008. Sem isso, o programa ficará pelo caminho, como tantos outros.
Simplificando, pode-se dizer que a decisão sobre os juros leva em conta uma apuração das taxas atual de difusão dos preços e a curva de momento do produto potencial. Os modelos utilizados pelo BC consideram que, sem produzir pressões inflacionárias, a economia está estruturada para crescer em torno de 3% ao ano. Expansão acima disso, no quadro atual, só com inflação.
A diretoria do BC (que se confunde com o Copom), supostamente, dispõe das melhores informações e dos melhores técnicos para saber a quantas anda realmente a economia. Ao tomarem sua decisão, os membros do Copom já dispunham de todas as informações sobre o PAC. Logo, ao decidir por um corte de apenas 0,25 ponto na taxa básica de juros, os doutores do BC (e do Copom), de posse das melhores informações disponíveis – inclusive as do PAC – declararam oficialmente ao País que não acreditam no PAC. Segundo eles, sem inflação, a economia não crescerá os 5% apregoados pelo governo e fundamentais para o êxito de seu plano de aceleração econômica.