Com informações do jornal O Dia
Redação Terra
Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para investigar denúncia segundo a qual o Centro de Instrução do Gericinó, localizado na zona oeste da capital fluminense, estaria sendo utilizado para recrutar e treinar militares da reserva com o objetivo de enviá-los ao Iraque, onde trabalhariam como mercenários de empresas estrangeiras instaladas naquele país.
De acordo com reportagem da última edição da revista Carta Capital, o italiano Giovanni Piero Spinelli, 32 anos, é o reponsável por aliciar ex-militares brasileiros, que receberiam US$ 3 mil por mês por contrato de dois anos. O valor equivale a R$ 6.420 em moeda atual, cerca de seis vezes o salário de um cabo, por exemplo. A proposta teria atraído pelo menos cinco militares da reserva: dois sargentos, dois cabos e um soldado.
Os militares que teriam partido do Rio trabalhariam como "gorilas", ou seja, prestariam serviços de segurança para executivos e empresas estrangeiras. Os soldados teriam sido contratados pela empresa First Line, fundada em 2005 por Spinelli e mais dois sócios italianos - Cristiano Meli e Salvatore Miglio. O escritório funcionava no número 87 da rua do Ouvidor, no centro do Rio. Os proprietários embolsariam US$ 2 mil para cada brasileiro contratado para a missão.
Segundo Carta Capital, Spinelli teria contado com a conivência do tenente-coronel Roberto Raimundo Criscuoli, comandante do Centro de Instrução do Gericinó. O nome do oficial já consta do IPM.
Durante os cursos, teriam sido utilizados armamentos do Exército, com autorização de Criscuoli, segundo a jornalista Cláudia Morais, que durante cinco meses trabalhou como assessora de imprensa da First Line no Brasil.
A ex-mulher do oficial, a psicóloga Celina Maria Lourega, também estaria envolvida. Ela faria as entrevistas e os testes psicológicos para seleção dos militares. Segundo a Carta Capital, também seria sócia de Spinelli e Meli na Intact Brazil Assessoria e Consultoria Técnica Ltda.
Um general também teria sido citado no processo. O IPM está sob sigilo de Justiça, e tem prazo de 40 dias, prorrogáveis por mais 20, para ser concluído.
Spinelli já é conhecido da polícia brasileira: ele foi preso com equipamentos militares, em fevereiro de 2006, por policiais que investigavam denúncia de furto de energia no escritório da First Line. Mesmo assim, foi contratado para dar cursos às polícias Civil e Militar, treinando agentes que vão trabalhar na segurança dos Jogos Pan-Americanos. A Academia da Polícia Civil tem um currículo do italiano em seus arquivos.
Spinelli: "persona non grata" na Itália
Spinelli está impedido de entrar na Itália desde 2004, por ter recrutado italianos para servir no Iraque, o que é proibido no país. Quatro italianos contratados por ele foram seqüestrados por guerrilheiros iraquianos. Suas imagens foram exibidas em todo o mundo pela TV Al-Jazeera. Um deles, Fabrizio Quattrocchi, foi executado com um tiro na nuca diante da câmera, no dia 14 de abril de 2004.
A imagem chocou o mundo e causou uma onda de pedidos para que os guerrilheiros poupassem os outros - Umberto Cupertino, Salvatore Stefio e Maurizio Agliana. Até o Papa João Paulo II pediu a libertação dos reféns.
No dia 8 de junho, após operação até hoje pouco explicada, os três foram libertados e voltaram à Itália no avião presidencial. Foram recebidos como heróis por todos, menos pelo juiz Giuseppe de Benedictis, do Tribunal de Bari, encarregado de investigar o caso.
Benedictis constatou que eles eram mercenários e proibiu Spinelli, que trabalhava para a empresa americana Dyncorp, de retornar à Itália. Segundo a revista ¿Carta Capital¿, o italiano também está ilegal no Brasil: seu passaporte está vencido desde 2005. Atualmente, ele mora em Cravinhos (SP).
Oficial acompanhou treinamentos
A jornalista Cláudia Morais conta que conheceu Spinelli por intermédio de um amigo comum, um professor de artes marciais, que identifica apenas como Mário Sérgio. Procurado por telefone, ele não atendeu às ligações.
Cláudia foi contratada por Spinelli para prestar serviços de assessoria de imprensa para a First Line. A jornalista seria encarregada de enviar reportagens sobre a participação da empresa no conflito do Iraque à revista européia Raids, especializada em cobertura de guerra e assuntos militares.
Ela participou de treinamento com Spinelli e mais de 30 militares da reserva em Gericinó por uma semana, e garante que os armamentos utilizados eram do Exército Brasileiro. Cláudia confirma que o tenente-coronel Roberto Criscuoli autorizou os treinamentos.
"Ele acompanhou a gente", informou a jornalista à reportagem. Ela não sabe se algum militar brasileiro foi para o Iraque, mas confirma que esse era o objetivo da preparação. "Que eu saiba, todos nós ali iríamos para o Iraque. Essa era a proposta", garante.
Após cinco meses, o plano foi abortado. Segundo Cláudia, a razão foi a falta de dinheiro. "O Salvatore (Miglio) tinha garantido que iria financiar tudo, mas descobriram que ele não tinha dinheiro", conta. A própria jornalista acabou sem receber seu salário.
A intenção dos sócios, afirma Cláudia, era tornar a First Line uma réplica da empresa americana Black Water, a maior das companhias privadas militares, que recrutam mercenários. A organização emprega lobistas para atuar no Congresso americano e trabalha com o Pentágono.
Redação Terra
Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para investigar denúncia segundo a qual o Centro de Instrução do Gericinó, localizado na zona oeste da capital fluminense, estaria sendo utilizado para recrutar e treinar militares da reserva com o objetivo de enviá-los ao Iraque, onde trabalhariam como mercenários de empresas estrangeiras instaladas naquele país.
De acordo com reportagem da última edição da revista Carta Capital, o italiano Giovanni Piero Spinelli, 32 anos, é o reponsável por aliciar ex-militares brasileiros, que receberiam US$ 3 mil por mês por contrato de dois anos. O valor equivale a R$ 6.420 em moeda atual, cerca de seis vezes o salário de um cabo, por exemplo. A proposta teria atraído pelo menos cinco militares da reserva: dois sargentos, dois cabos e um soldado.
Os militares que teriam partido do Rio trabalhariam como "gorilas", ou seja, prestariam serviços de segurança para executivos e empresas estrangeiras. Os soldados teriam sido contratados pela empresa First Line, fundada em 2005 por Spinelli e mais dois sócios italianos - Cristiano Meli e Salvatore Miglio. O escritório funcionava no número 87 da rua do Ouvidor, no centro do Rio. Os proprietários embolsariam US$ 2 mil para cada brasileiro contratado para a missão.
Segundo Carta Capital, Spinelli teria contado com a conivência do tenente-coronel Roberto Raimundo Criscuoli, comandante do Centro de Instrução do Gericinó. O nome do oficial já consta do IPM.
Durante os cursos, teriam sido utilizados armamentos do Exército, com autorização de Criscuoli, segundo a jornalista Cláudia Morais, que durante cinco meses trabalhou como assessora de imprensa da First Line no Brasil.
A ex-mulher do oficial, a psicóloga Celina Maria Lourega, também estaria envolvida. Ela faria as entrevistas e os testes psicológicos para seleção dos militares. Segundo a Carta Capital, também seria sócia de Spinelli e Meli na Intact Brazil Assessoria e Consultoria Técnica Ltda.
Um general também teria sido citado no processo. O IPM está sob sigilo de Justiça, e tem prazo de 40 dias, prorrogáveis por mais 20, para ser concluído.
Spinelli já é conhecido da polícia brasileira: ele foi preso com equipamentos militares, em fevereiro de 2006, por policiais que investigavam denúncia de furto de energia no escritório da First Line. Mesmo assim, foi contratado para dar cursos às polícias Civil e Militar, treinando agentes que vão trabalhar na segurança dos Jogos Pan-Americanos. A Academia da Polícia Civil tem um currículo do italiano em seus arquivos.
Spinelli: "persona non grata" na Itália
Spinelli está impedido de entrar na Itália desde 2004, por ter recrutado italianos para servir no Iraque, o que é proibido no país. Quatro italianos contratados por ele foram seqüestrados por guerrilheiros iraquianos. Suas imagens foram exibidas em todo o mundo pela TV Al-Jazeera. Um deles, Fabrizio Quattrocchi, foi executado com um tiro na nuca diante da câmera, no dia 14 de abril de 2004.
A imagem chocou o mundo e causou uma onda de pedidos para que os guerrilheiros poupassem os outros - Umberto Cupertino, Salvatore Stefio e Maurizio Agliana. Até o Papa João Paulo II pediu a libertação dos reféns.
No dia 8 de junho, após operação até hoje pouco explicada, os três foram libertados e voltaram à Itália no avião presidencial. Foram recebidos como heróis por todos, menos pelo juiz Giuseppe de Benedictis, do Tribunal de Bari, encarregado de investigar o caso.
Benedictis constatou que eles eram mercenários e proibiu Spinelli, que trabalhava para a empresa americana Dyncorp, de retornar à Itália. Segundo a revista ¿Carta Capital¿, o italiano também está ilegal no Brasil: seu passaporte está vencido desde 2005. Atualmente, ele mora em Cravinhos (SP).
Oficial acompanhou treinamentos
A jornalista Cláudia Morais conta que conheceu Spinelli por intermédio de um amigo comum, um professor de artes marciais, que identifica apenas como Mário Sérgio. Procurado por telefone, ele não atendeu às ligações.
Cláudia foi contratada por Spinelli para prestar serviços de assessoria de imprensa para a First Line. A jornalista seria encarregada de enviar reportagens sobre a participação da empresa no conflito do Iraque à revista européia Raids, especializada em cobertura de guerra e assuntos militares.
Ela participou de treinamento com Spinelli e mais de 30 militares da reserva em Gericinó por uma semana, e garante que os armamentos utilizados eram do Exército Brasileiro. Cláudia confirma que o tenente-coronel Roberto Criscuoli autorizou os treinamentos.
"Ele acompanhou a gente", informou a jornalista à reportagem. Ela não sabe se algum militar brasileiro foi para o Iraque, mas confirma que esse era o objetivo da preparação. "Que eu saiba, todos nós ali iríamos para o Iraque. Essa era a proposta", garante.
Após cinco meses, o plano foi abortado. Segundo Cláudia, a razão foi a falta de dinheiro. "O Salvatore (Miglio) tinha garantido que iria financiar tudo, mas descobriram que ele não tinha dinheiro", conta. A própria jornalista acabou sem receber seu salário.
A intenção dos sócios, afirma Cláudia, era tornar a First Line uma réplica da empresa americana Black Water, a maior das companhias privadas militares, que recrutam mercenários. A organização emprega lobistas para atuar no Congresso americano e trabalha com o Pentágono.