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Desde que mergulhou de cabeça na campanha para a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem tocando o governo pelos atalhos da extravagância. Na arrancada para o primeiro turno, em 3 de outubro de 2006, na contramão da informalidade passou o exercício da Presidência à ministra Dilma Rousseff, Chefe da Casa Civil e que ora fulge como a principal articuladora do ambicioso Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC das promessas de resgate de quatro anos de medíocre desempenho administrativo.
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Mas, como é indispensável manter as aparências, na dedicação em tempo integral à caça ao voto, Lula congelou o governo no arremedo de ponto facultativo. O governo não fechou para a campanha, mas passou a tocar apenas a rotina indispensável. Com a decisão adiada para o segundo turno, a 29 de outubro e a eleição consagradora por mais de 60% dos votos, o modelo passou pelos ajustes às singularidades da caminhada pelo avesso da tradição modelada pela experiência.
Mas, como é indispensável manter as aparências, na dedicação em tempo integral à caça ao voto, Lula congelou o governo no arremedo de ponto facultativo. O governo não fechou para a campanha, mas passou a tocar apenas a rotina indispensável. Com a decisão adiada para o segundo turno, a 29 de outubro e a eleição consagradora por mais de 60% dos votos, o modelo passou pelos ajustes às singularidades da caminhada pelo avesso da tradição modelada pela experiência.
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Um dos argumentos dos defensores do bis do mandato é justamente a continuidade do que vem dando certo e é aprovado pelo voto. Ajustes políticos atendem aos casos pontuais. A regra é que o governo mantenha o núcleo e acelere a marcha para superar os resultados do primeiro mandato.
Um dos argumentos dos defensores do bis do mandato é justamente a continuidade do que vem dando certo e é aprovado pelo voto. Ajustes políticos atendem aos casos pontuais. A regra é que o governo mantenha o núcleo e acelere a marcha para superar os resultados do primeiro mandato.
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Lula desdenhou o conselho dos mais velhos. Eleito, entrou em férias por conta própria. E liberou geral. No período natalino era mais difícil encontrar um ministro em Brasília do que um deputado na Câmara. Compreende-se o constrangimento em mão dupla: como poucos, só os mais chegados, foram confirmados nos postos – ministros Guido Mantega, da Fazenda; a insubstituível Dilma Rousseff na gerência da máquina; Márcio Fortes, das Cidades, um astro em ascensão; Tarso Genro, de grande utilidade na improvisação de justificativas para as trapalhadas oficiais e acho que dá para fechar a lista – a turma na corda bamba dançou a quadrilha do sumiço para não se esborrachar no ridículo.
Lula desdenhou o conselho dos mais velhos. Eleito, entrou em férias por conta própria. E liberou geral. No período natalino era mais difícil encontrar um ministro em Brasília do que um deputado na Câmara. Compreende-se o constrangimento em mão dupla: como poucos, só os mais chegados, foram confirmados nos postos – ministros Guido Mantega, da Fazenda; a insubstituível Dilma Rousseff na gerência da máquina; Márcio Fortes, das Cidades, um astro em ascensão; Tarso Genro, de grande utilidade na improvisação de justificativas para as trapalhadas oficiais e acho que dá para fechar a lista – a turma na corda bamba dançou a quadrilha do sumiço para não se esborrachar no ridículo.
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O PAC foi montado a portas fechadas. Não propriamente como um segredo de Estado, como um assunto do Palácio do Planalto. E o seu lançamento gerou o impacto desejado: alçou às manchetes da mídia, foi abertura dos noticiários de televisão, levou à Brasília os governadores de 25 estados, com duas ausências. E enfeitou a platéia para o discurso do presidente Lula, ali no meio termo entre a autolouvação e as cautelas para não descambar para o exagero.
O PAC foi montado a portas fechadas. Não propriamente como um segredo de Estado, como um assunto do Palácio do Planalto. E o seu lançamento gerou o impacto desejado: alçou às manchetes da mídia, foi abertura dos noticiários de televisão, levou à Brasília os governadores de 25 estados, com duas ausências. E enfeitou a platéia para o discurso do presidente Lula, ali no meio termo entre a autolouvação e as cautelas para não descambar para o exagero.
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Como montagem de lançamento de novo produto ou do relançamento de fórmula atualizada, um razoável sucesso com os rombos táticos da pressa e da mania da originalidade.Por mais alguns dias, a cerimônia e o medo de ser acusado de torcer pelo pior, manterá as críticas nos limites da cortesia.
Como montagem de lançamento de novo produto ou do relançamento de fórmula atualizada, um razoável sucesso com os rombos táticos da pressa e da mania da originalidade.Por mais alguns dias, a cerimônia e o medo de ser acusado de torcer pelo pior, manterá as críticas nos limites da cortesia.
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Mas, por pouco tempo. Os resmungos e silêncio de vários governadores antecipam o clima das reuniões programadas com o presidente e ministros para a tentativa de acomodar queixas e atender às reivindicações já anunciadas pela maioria.
Mas, por pouco tempo. Os resmungos e silêncio de vários governadores antecipam o clima das reuniões programadas com o presidente e ministros para a tentativa de acomodar queixas e atender às reivindicações já anunciadas pela maioria.
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Mas o nó cego terá que ser cortado de um golpe ou desatado no Congresso durante o calvário para a aprovação de projetos fundamentais, como a reforma política e do sistema previdenciário. Ou o governo está enganado ou quer fazer os outros de bobo. Ele não pode cultivar ilusões quanto ao Legislativo afogado na desmoralização da crise ética que o inutiliza como parceiro de um esforço de recuperação do governo e de uma sacudidela no marasmo de quatro anos de êxitos inegáveis no controle da inflação e de desastres administrativos que se expõem na buraqueira da rede rodoviária, nas ferrovias em pandarecos, nos portos congestionados.
Mas o nó cego terá que ser cortado de um golpe ou desatado no Congresso durante o calvário para a aprovação de projetos fundamentais, como a reforma política e do sistema previdenciário. Ou o governo está enganado ou quer fazer os outros de bobo. Ele não pode cultivar ilusões quanto ao Legislativo afogado na desmoralização da crise ética que o inutiliza como parceiro de um esforço de recuperação do governo e de uma sacudidela no marasmo de quatro anos de êxitos inegáveis no controle da inflação e de desastres administrativos que se expõem na buraqueira da rede rodoviária, nas ferrovias em pandarecos, nos portos congestionados.
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O Congresso já deveria estar arrumado com a prévia escolha dos novos ministros e a ajuda dos governadores eleitos. Pois se o parlamentar não vota contra o interesse do seu Estado, este Congresso não desgruda o olho do seu umbigo. E negociará cada voto na barraca do toma lá, dá cá.
O Congresso já deveria estar arrumado com a prévia escolha dos novos ministros e a ajuda dos governadores eleitos. Pois se o parlamentar não vota contra o interesse do seu Estado, este Congresso não desgruda o olho do seu umbigo. E negociará cada voto na barraca do toma lá, dá cá.
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Com a cutucada na esperança, o segundo mandato começa agora.
Com a cutucada na esperança, o segundo mandato começa agora.
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Pelo avesso.
Pelo avesso.