Tales Faria, Informe JB
Quando se fala em corrupção no Brasil, é como se estivéssemos dentro de uma sala de espelhos, com um lado refletindo o outro infinitamente. Não dá para saber de qual lado da sala está a imagem real e de que lado, a imagem virtual. Quem imita quem?
A Operação Navalha, por exemplo, está sendo chamada pelos políticos de Operação Gilete: Corta dos dois lados. Atinge gente do governo e da oposição nos Estados e municípios.
Pegou o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares (PSB), arquiinimigo da família Sarney. Mas pegou também assessores do ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, apadrinhado do ex-presidente José Sarney.
O caso mais curioso foi em Sergipe. Em fevereiro, o então presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Carlos Alberto Sobral de Souza, anunciou que fez uma auditoria no órgão.
Entre as irregularidades que diz ter encontrado na administração de seu antecessor, Hildergards Azevedo, acusou o superfaturamento na compra de computadores e diversos pagamentos antecipados sem a entrega posterior da mercadoria.
Péssimo exemplo para um órgão que tem a missão de fiscalizar e dar parecer sobre as contas dos gestores públicos. Daí que foi nomeado para dirimir o caso outro conselheiro do TCE, Flávio Conceição.
Pois bem, estourou ontem a Operação Navalha, a tal que bem poderia chamar-se Operação Gilete. E quem foi detido logo de manhãzinha pela Polícia Federal em Aracaju? Flávio Conceição. O homem que iria decidir se houve ou não corrupção no TCE!
O conselheiro, que diz ter passado por uma cirurgia cardíaca na semana passada, já foi chefe da Casa Civil do governador anterior, João Alves Filho. É acusado de servir como elo de ligação entre o governo do Estado e a empreiteira Gautama, pivô das falcatruas.
Agora, imagine o Tribunal de Contas de Sergipe como aquela sala de espelhos. De que lado está a corrupção real e a virtual? O bandido e o inocente? O juiz e o acusado? Difícil saber.
Agora vai!
A sinalização, dada pelo presidente Lula em reunião, quarta-feira, no Palácio com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer, de que o ex-prefeito do Rio Luis Paulo Conde será, enfim, nomeado para a presidência de Furnas Centrais Elétricas, não poderia ter sido feita em melhor hora. Esta semana, o PMDB fluminense designou como relator da proposta de emenda constitucional da CPMF/DRU, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), principal padrinho de Conde. Agora, na avaliação dos peemedebistas, não tem outra opção: ou essa nomeação sai, ou sai.
Vai mesmo?
Depois do encontro de Michel Temer com o presidente Lula, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi prestigiar a festa de aniversário do senador petista Aloizio Mercadante. Renan estava irritadíssimo com o fato de o PMDB da Câmara ter arrancado de Lula a promessa de nomear todos os oito cargos de segundo escalão que os deputados do partido indicaram e que ainda não foram aceitos. Tão irritado que começou a dizer cobras e lagartos da relação do Palácio do Planalto com os senadores peemedebistas: "O governo aprontou mais uma com a gente. Entregou-se à chantagem dos deputados".
Sei lá!
A líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), também estava irritada com o fato de os deputados do partido terem vencido a queda-de-braço com os senadores pelos cargos do segundo escalão. Mas achou Renan tão "fora de si" que foi correndo ao Palácio do Planalto pedir a Lula para jogar água na fervura. Lula teria prometido segurar novamente os cargos dos deputados. Mas nem Roseana nem Renan nem o velho José Sarney, a esta altura, sabem se os deputados vão conseguir ou não fazer suas nomeações.
Ratos vencem Leão
Ontem, a entrevista mensal sobre a arrecadação da Receita Federal foi interrompida pelo barulho de ratos correndo sobre o forro da sala do órgão em Brasília. "Os leões do Imposto de Renda não pegam ratos, não? Vocês precisam é de uns gatos", disparou um dos repórteres presentes.
Janene
Uma ação trabalhista na 5 ª Vara do Trabalho de Londrina (PR) bloqueou R$ 45 mil na conta do Banco do Brasil do ex-deputado José Janene (PP). É referente a um processo movido por um ex-funcionário da EletroJan , empresa que tinha como procuradora a filha do ex-deputado, Michelle Janene. Janene alega que o dinheiro no banco era da aposentadoria. Mas o juiz do trabalho não está querendo liberar.
Boa idéia
O senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) está usando a cota de senador para impressão na gráfica de maneira inteligente. Ao invés dos volumosos tomos com discursos e mais discursos, Mesquita está imprimindo os clássicos da literatura brasileira que já estão sob domínio público para distribuir entre alunos carentes. A primeira edição foi de Escrava Isaura , de Berardo Guimarães.
Falta do que fazer
As mulheres que trabalham na Secretaria da Mesa Diretora do Senado - e não são poucas - estão em polvorosa com uma competição organizada por elas este mês. Até dia 8 de junho, quem mais perder peso leva um prêmio de R$ 800. Ontem, a recepcionista era toda sorrisos ao telefone com uma interlocutora. Revelou que já perdeu 12 quilos em duas semanas, e lidera o ranking. O segundo lugar ganha R$ 300, e o terceiro, R$ 100. Há quem já pense em instalar uma balança provisória na sala, anexa ao gabinete de Renan Calheiros.
Quando se fala em corrupção no Brasil, é como se estivéssemos dentro de uma sala de espelhos, com um lado refletindo o outro infinitamente. Não dá para saber de qual lado da sala está a imagem real e de que lado, a imagem virtual. Quem imita quem?
A Operação Navalha, por exemplo, está sendo chamada pelos políticos de Operação Gilete: Corta dos dois lados. Atinge gente do governo e da oposição nos Estados e municípios.
Pegou o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares (PSB), arquiinimigo da família Sarney. Mas pegou também assessores do ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, apadrinhado do ex-presidente José Sarney.
O caso mais curioso foi em Sergipe. Em fevereiro, o então presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Carlos Alberto Sobral de Souza, anunciou que fez uma auditoria no órgão.
Entre as irregularidades que diz ter encontrado na administração de seu antecessor, Hildergards Azevedo, acusou o superfaturamento na compra de computadores e diversos pagamentos antecipados sem a entrega posterior da mercadoria.
Péssimo exemplo para um órgão que tem a missão de fiscalizar e dar parecer sobre as contas dos gestores públicos. Daí que foi nomeado para dirimir o caso outro conselheiro do TCE, Flávio Conceição.
Pois bem, estourou ontem a Operação Navalha, a tal que bem poderia chamar-se Operação Gilete. E quem foi detido logo de manhãzinha pela Polícia Federal em Aracaju? Flávio Conceição. O homem que iria decidir se houve ou não corrupção no TCE!
O conselheiro, que diz ter passado por uma cirurgia cardíaca na semana passada, já foi chefe da Casa Civil do governador anterior, João Alves Filho. É acusado de servir como elo de ligação entre o governo do Estado e a empreiteira Gautama, pivô das falcatruas.
Agora, imagine o Tribunal de Contas de Sergipe como aquela sala de espelhos. De que lado está a corrupção real e a virtual? O bandido e o inocente? O juiz e o acusado? Difícil saber.
Agora vai!
A sinalização, dada pelo presidente Lula em reunião, quarta-feira, no Palácio com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer, de que o ex-prefeito do Rio Luis Paulo Conde será, enfim, nomeado para a presidência de Furnas Centrais Elétricas, não poderia ter sido feita em melhor hora. Esta semana, o PMDB fluminense designou como relator da proposta de emenda constitucional da CPMF/DRU, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), principal padrinho de Conde. Agora, na avaliação dos peemedebistas, não tem outra opção: ou essa nomeação sai, ou sai.
Vai mesmo?
Depois do encontro de Michel Temer com o presidente Lula, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi prestigiar a festa de aniversário do senador petista Aloizio Mercadante. Renan estava irritadíssimo com o fato de o PMDB da Câmara ter arrancado de Lula a promessa de nomear todos os oito cargos de segundo escalão que os deputados do partido indicaram e que ainda não foram aceitos. Tão irritado que começou a dizer cobras e lagartos da relação do Palácio do Planalto com os senadores peemedebistas: "O governo aprontou mais uma com a gente. Entregou-se à chantagem dos deputados".
Sei lá!
A líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), também estava irritada com o fato de os deputados do partido terem vencido a queda-de-braço com os senadores pelos cargos do segundo escalão. Mas achou Renan tão "fora de si" que foi correndo ao Palácio do Planalto pedir a Lula para jogar água na fervura. Lula teria prometido segurar novamente os cargos dos deputados. Mas nem Roseana nem Renan nem o velho José Sarney, a esta altura, sabem se os deputados vão conseguir ou não fazer suas nomeações.
Ratos vencem Leão
Ontem, a entrevista mensal sobre a arrecadação da Receita Federal foi interrompida pelo barulho de ratos correndo sobre o forro da sala do órgão em Brasília. "Os leões do Imposto de Renda não pegam ratos, não? Vocês precisam é de uns gatos", disparou um dos repórteres presentes.
Janene
Uma ação trabalhista na 5 ª Vara do Trabalho de Londrina (PR) bloqueou R$ 45 mil na conta do Banco do Brasil do ex-deputado José Janene (PP). É referente a um processo movido por um ex-funcionário da EletroJan , empresa que tinha como procuradora a filha do ex-deputado, Michelle Janene. Janene alega que o dinheiro no banco era da aposentadoria. Mas o juiz do trabalho não está querendo liberar.
Boa idéia
O senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) está usando a cota de senador para impressão na gráfica de maneira inteligente. Ao invés dos volumosos tomos com discursos e mais discursos, Mesquita está imprimindo os clássicos da literatura brasileira que já estão sob domínio público para distribuir entre alunos carentes. A primeira edição foi de Escrava Isaura , de Berardo Guimarães.
Falta do que fazer
As mulheres que trabalham na Secretaria da Mesa Diretora do Senado - e não são poucas - estão em polvorosa com uma competição organizada por elas este mês. Até dia 8 de junho, quem mais perder peso leva um prêmio de R$ 800. Ontem, a recepcionista era toda sorrisos ao telefone com uma interlocutora. Revelou que já perdeu 12 quilos em duas semanas, e lidera o ranking. O segundo lugar ganha R$ 300, e o terceiro, R$ 100. Há quem já pense em instalar uma balança provisória na sala, anexa ao gabinete de Renan Calheiros.