Brasil Econômico - Editorial
Novas dúvidas sobre a desaceleração da economia - até mesmo se ela existe - surgiram com a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, que registrou alta de 0,71% em janeiro na comparação com dezembro.
Indicador relativamente recente, medido desde janeiro de 2009, o IBC-Br é considerado uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto, divulgado trimestralmente. Com os devidos ajustes sazonais, em 12 meses a alta é de 7,38%, percentual próximo dos 7,5% de crescimento do PIB, registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010.
Como mostra a repórter Eva Rodrigues nesta edição, os novos números surgem na sequência de dois outros índices igualmente positivos. A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, mostrou alta de 1,2% nas vendas em janeiro, justamente num mês em que, até pelos excessos de consumo inerentes às festas natalinas e de fim de ano, tenderia a se mostrar mais retraído.
O mesmo raciocínio se aplica aos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes a fevereiro, quando foram criados 280,8 mil empregos com carteira assinada, recorde para o mês. O setor de serviços liderou as contratações, seguido da indústria de transformação e da construção civil.
Os três indicadores reanimam o debate em torno da última ata do Comitê te de Política Monetária do Banco Central (Copom), que sinaliza para um aperto monetário menor.
A partir do documento alguns analistas se arriscam a prever nova alta de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros em abril, levando a Selic para 12,25%, taxa que seria mantida nos próximos meses.
Como as prévias de alguns setores da indústria mostram a tendência de continuidade do aquecimento em março, é natural que aumente a expectativa sobre o comportamento da autoridade monetária para segurar a inflação no centro da meta.
E até que ponto, as chamadas medidas macroprudenciais terão o efeito desejado, sem penalizar excessivamente o setor produtivo.