terça-feira, março 22, 2011

Gurgel diz que Procuradoria não serve para negócios de delator

Márcio Falcão, Folha online

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, mandou nesta quarta-feira um recado ao delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, afirmando que o Ministério Público Federal não vai servir de instrumentos para "interesses escusos".

Gurgel se refere à entrega fracionada de vídeos pelo delator.

Segundo o acordo de Barbosa com o Ministério Público em troca da delação premiada, ele teria que ter repassado de uma única vez todas as gravações feitas de políticos recebendo suposta propina do esquema de corrupção.

No final de fevereiro, Barbosa repassou ao Ministério Público cópia de um vídeo da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), filha do ex-governador do DF Joaquim Roriz, recebendo dinheiro.

A deputada afirmou que a verba era dinheiro de campanha não declarado, portanto, caixa dois.

"Nós estamos permanentemente acompanhando isso [a entrega tardia]. Se o chamado colaborador tiver uma conduta que seja incompatível com o acordo de delação celebrado, esse acordo será prontamente rompido. O Ministério Público não será instrumento de um tipo de conduta que não parece conveniente à Justiça, mas sim a outros interesses e a interesses certamente escusos", disse.

O delator disse ao Ministério Público que a gravação de Jaqueline Roriz "estava perdida" e por isso não foi entregue antes.

O procurador-geral disse que tem conversado com Barbosa sobre a questão. "A partir do momento em que ele estabelece uma entrega, digamos em conta-gotas, ele está sim rompendo os termos do acordo", disse Gurgel.

Responsável por elaborar a denúncia sobre o esquema que será oferecida ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), a subprocuradora-geral, Raquel Dodge, disse que está fechando um levantamento sobre o acervo de todos os vídeos que foram entregues por Barbosa. Ela disse que "não há prazo para concluir os trabalhos".

Segundo Gurgel, o caso de Jaqueline no STF (Supremo Tribunal Federal), que tem foro privilegiado, terá mais celeridade porque será investigado independente do restante dos acusados.