O Estado de São Paulo
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), publicado mensalmente, objetiva oferecer uma estimativa antecipada do Produto Interno Bruto (PIB). No ano passado, ficou próximo da realidade, mostrando sua validade.
Em janeiro o IBC-Br apresentou elevação de 0,7%, em relação ao mês anterior; de 4,5%, sobre o mesmo mês de 2010; e de 7,4%, nos 12 meses precedentes. Nesse ritmo, o PIB de 2011 ultrapassaria 8%, bem mais do que prevê o governo, que quer crescimento menor do que em 2010.
O ministro da Fazenda, que nem sempre concorda com o Banco Central, limitou-se, diante do resultado, a negar que a economia esteja excessivamente aquecida, ao mesmo tempo que anunciava que a inflação terá um forte recuo a partir de março.
O IBC-Br resulta da ponderação de uma série de indicadores, os mesmos que compõem o cálculo do PIB, e, naturalmente, é apenas uma estimativa, dado o atraso com que alguns dos indicadores se tornam disponíveis.
Alguns analistas colocam em dúvida a estimativa do BC, levando em conta, talvez, apenas alguns indicadores. Temos de considerar que o consumo doméstico apresentou uma elevação maior do que nos meses anteriores, que a produção industrial reagiu diante da necessidade de reconstituir os estoques depois das vendas de Natal - como mostra o aumento da produção da Zona Franca de Manaus - e que a produção de commodities, com a elevação dos preços, cresceu para responder às necessidades dos países industrializados.
O BC dispõe de dados que chegam ao público com atraso. É o caso dos financiamentos para aquisição da casa própria, que dependem demais de duas instituições do governo: a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, as duas muito ativas no momento, não participando da política de redução de crédito anunciada pelas autoridades monetárias.
É apenas normal indagar se o ritmo de crescimento assinalado pelo índice do BC será mantido nos próximos meses. É lícito pensar que o consumo das famílias continuará elevado, quando se levam em conta os dados divulgados sobre os ganhos reais dos reajustes dos salários no ano passado, do aumento dos rendimentos na indústria no primeiro mês deste ano e da expansão do emprego nos serviços nesse mesmo período. A elevação dos rendimentos permite fazer frente à elevação do endividamento. O único freio estará no aumento dos preços, inclusive dos bens importados. Mas é necessário um corte mais significativo dos gastos públicos - e, talvez, até dos investimentos.