Comentando a Notícia
Excelente artigo da jornalista Mary Zaidan, publicado no blog do Noblat. De fato, pelo andar da carruagem, a tal reforma política em curso no Senado, vai contra a sociedade brasileira. Duvido que se alguém fizesse uma pesquisa junto ao eleitorado, não encontraria ampla aprovação do instituto da reeleição para os cargos executivos (prefeitos, governadores e presidente). Tanto é que, desde sua criação, poucos foram os governo com aprovação favorável que não foram reeleitos. Acredito, até, que nenhum. O que se poderia fazer para evitar a bandalheira promovida por Lula para eleger Dilma em 2010, e a si próprio em 2006, é obrigar que o postulante à reeleição se desligasse do governo, além de se cobrar do TSE maior atenção às infrações que se cometeu neste tempo.
Também a jornalista chama a atenção para a palhaçada que o Senado insiste em manter com relação aos suplentes. É a maneira de manterem as velhas oligarquias sem representatividade eleitoral.
E a outra palhaçada é a manutenção do voto obrigatório. Pergunto: de que os políticos brasileiros tem tanto medo em se acabar com este despropósito de se tornar em dever um direito?
Eis aí questões que o Senado parece desconhecer a posição do povo brasileiro. Se todas estas questões fossem colocadas em um plebiscito, por exemplo, certamente que a imensa maioria da população iria totalmente contra aquilo que os senhores senadores nos pretendem empurrar goela abaixo, e sem abrir um debate decente com a sociedade, que é afinal quem deveria dar o veredito final. Mas qual?E lá os políticos brasileiros estão minimamente preocupados com o que pensa ou deixa de pensar aqueles que pagam a salgada conta de inutilidades que eles não se cansam de praticar?
Mais e mais o que se dizem representar a sociedade, se distanciam dela. É como se os mandatos de deputados e senadores lhes pertencessem de forma privada e definitiva. Por que não se debate com a sociedade aquilo que lhe diz respeito diretamente, ou por que não se encomenda uma de opinião para saber-se o que o eleitor deseja?
Depois nossos gigolôs se pretendem amuados quando se decreta que todo o político brasileiro é safado e ladrão! Podendo corrigir-se, se comportam como prima donas da verdade absoluta! Não passam de um bando de covardes!
Segue o excelente artigo da Mary Zaidan.
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A Comissão de Reforma Política do Senado faz a pulga coçar bem detrás da orelha. Da velocidade que imprimiu aos trabalhos às cortesias entre desafetos.
Como um falcão peregrino, ave de rapina tida como a mais rápida do planeta, a Comissão aprovou em uma única semana cinco tópicos da reforma: acertou na mudança de datas de posse do presidente da República, governadores e prefeitos, fingiu que acabou com os suplentes de senador e embrulhou terno velho como roupa nova ao enterrar a reeleição, ressuscitar o mandato de cinco anos para os cargos executivos e manter o voto obrigatório.
Tão tortos quanto os remendos foram as justificativas para cosê-los. “No nosso entendimento a reeleição é um fator que compromete a democracia”, argumentou o senador petista Humberto Costa (PE). De duas uma: ou ele enxerga mutretas que comprometeram o país na reeleição de seu chefe supremo Lula, ou perdeu uma belíssima chance de ficar calado.
O tucano Aécio Neves não ficou atrás. Postou-se contra a reeleição, o mesmo instituto que permitiu que ele reinasse sobre Minas Gerais por oito anos. E, como se não bastasse, explicou sua posição contrária ao voto facultativo com a autocrática idéia de que o país ainda não está maduro. Há de se perguntar de quem mesmo é a crise de maturidade.
Nos dois casos, fica claro que motivação da maioria dos integrantes da Comissão passou longe dos interesses do eleitor. Aliás, a ele não se perguntou se é ou não a favor da reeleição e da obrigatoriedade do voto. Não se perguntou nada. Nem se cogitou, mesmo só como um gesto de reverência, transformar essas questões em temas plebiscitários, de consulta popular. Afinal, é o eleitor quem vota, portanto, ele é que deveria decidir se quer ou não ser obrigado a fazê-lo; se quer ou não reeleger o prefeito, o governador ou o presidente da República. Dispensa tutela para tal.
As decisões da Comissão não são definitivas, mas têm o dom de antecipar como esses temas transitam pela Casa, até porque se viu pouca oposição a elas. Caberá à Comissão Especial que nesta semana se instala na Câmara amplificar o debate, com a proposta de discutir ponto a ponto a reforma de que o país necessita, em uma louvável iniciativa que inclui a participação popular via internet.
Oxalá dê certo, porque até então a apressada produção do Senado desrespeita o eleitor ao taxá-lo como incapaz e por que não dizer, inútil. Mantém em voga o hit do Ultraje a Rigor, dos anos 80: “A gente não sabemos tomar conta da gente. A gente somos inútil. Inútil!”
