Adelson Elias Vasconcellos
Durante a campanha eleitoral do ano passado, publicamos uma série de artigos nos quais jogamos no lixo toda a parafernalia de mentiras contadas pelos petistas sobre o processo de privatização ocorrido no Brasil que, registre-se, teve início ainda no governo Sarney, ganhou certa normatização com Collor e foi levado a efeito com muita competência no governo FHC.
Mostramos números oficiais, portanto, irrefutáveis. Comprovamos não só a extrema necessidade que tínhamos para que o processo fosse conduzido nos termos em que se deu, bem como, os imensos benefícios para todo o país, advindos daquele processo.
Publicamos também artigos sobre o sucateamento da infraestrutura do país, e estatísticas sobre o estado miserável dos serviços públicos em plena era Lula.
Demonstramos também que, tanto a estabilidade econômica, quanto os programas sociais de redistribuição de renda, foram criados e implementados no governo FHC. Lula apenas ampliou de maneira irresponsável aqueles programas, rebatizando-os com o propósito único de se apropriar indevidamente da obra alheia.
O trabalho então realizado aqui no blog tinha por objetivo único mostrar que a verdade sobre nossa história recente, com todas as suas grandes conquistas, estava sendo deturpada e falseada por Lula e seu bando. Lula e o PT sequer participaram dos comícios das Diretas Já. Na Constituição de 1988, que marcou e selou definitivamente a retomada do regime democrático no país, sequer se encontra assinatura desta gente. Até pelo contrário: os três petistas que se insuflaram contra a determinação do partido, acabaram expulsos.
Durante os governos que se seguiram, os petistas agiram como predadores contumazes de qualquer política, programa ou ação de governo. Sabotaram todos os governos, principalmente, os programas sociais e o plano de estabilidade econômica conduzidos por FHC.
Ao assumir, Lula adotou como máxima, a do que nunca antes. Se algum alienígena chegasse ao Brasil a partir de 2003, e nos julgasse apenas pelo discurso de Lula, imaginaria que o país houvera sido descoberta em 2003 por Lula, e não em 1500 por Cabral.
Pois bem, recentemente, o professor de economia da UFRJ, Reinaldo Gonçalves, publicou um estudo sobre a renda dos brasileiros no período em que Lula reinou no Planalto. O resultado deste estudo está publicado no resumo postado abaixo. E ele é derradeiro: mostra que o país anterior a Lula, em alguns aspectos, foi até melhor do que aquele imaginado e desenhado na fantasia do ex. Mais: considerando apenas o crescimento do PIB, Lula conseguiu ser apenas o 19º melhor presidente da História. Isto serve para demonstrar o quanto foi competente a campanha de publicidade que tinha por meta transformar Lula num mito. Mas também serve para comprovar toda a sua falsidade.
Como bem destaca o professor Gonçalves na parte final de seu resumo, o governo Lula quanto a evolução da renda no Brasil se caracterizou por:
1) fraco desempenho pelos padrões históricos do país;
2) muito fraco desempenho quando comparado com outros presidentes;
3) retrocesso relativo;
4) país fortemente atingido pela crise global em 2009.
Isto ilustra e assevera de modo taxativo que um governo jamais deve ser visto e analisado pelos discursos do governante de plantão. O que importa, o que pesa e o que deve contar na hora de sua avaliação são apenas os resultados consequentes de sua ação de governar. E, neste sentido, Lula ficou devendo. Vejam lá as avaliações que hoje os brasileiros fazem sobre a qualidade dos serviços públicos, com a fatal conclusão de que o governo arrecada muito e gasta mal. Já por aí se pode, tranquiliamente, duvidar sobre a veracidade das pesquisas de aprovação do governo Lula.
Mais recentemente ainda, demonstramos a evolução histórica do salário mínimo a partir de Fernando Henrique, comparado com a série histórica da tabela do imposto de renda na fonte, mais especificamente da faixa de isenção. Vimos que, FHC quando entregou o governo, a faixa de isenção do imposto ia até 5 salários mínimos. Desde que assumiu, Lula reduziu ano após ano esta isenção, caracterizando verdadeiro confisco sobre a faixa de menor salário dos trabalhadores. Isto também vai na contramão do discurso e da propaganda oficial que davam conta de que os trabalhadores só tiveram ganhos reais de salários a partir de Lula. Além do fato de que os aumentos reais tiveram início no governo FHC, o governo do “operário” foi carrasco ao tirar, de forma direta, grande parte destes ganhos via imposto de renda, e a tal ponto que hoje, com apenas 2,86 salários mínimos, o trabalhador já é tributado na fonte. É um acinte!
Portanto, está na hora das centrais sindicais também pararem com este discurso hipócrita em defesa de Lula. Os números oficiais estão aí para demonstrar que , na verdade, o “pai dos pobres” como se tenta alcunhar o senhor Luiz Inácio, jamais passou de mero carrasco dos trabalhadores. Não há discurso que resista à verdade. E esta passa longe do que se conta sobre o senhor Lula e seu governo. Quando muito Lula poderá ser pai é das centrais pelegas que infestam o país. A lei que assinou em favor delas dá bem o retrato de um país feito por muitos, mas para benefício de poucos.
Quanto ao recente reajuste mínimo do salário mínimo, em que o governo repôs apenas a inflação passada, sob a alegação de que não havia recursos para reajuste maior, que acima do índice considerado quebrariam as prefeituras e estouraria o já abalado e elevado déficit da Previdência Social, é preciso lembrar alguma coisinha que o governo de Dilma Presidente parece haver esquecido. Considerado o acordo firmado com as centrais, no próximo ano, em 2012, além da inflação, hoje em torno de 6%, haverá o acréscimo do crescimento do PIB em 2010, que cravou 7,5%. Somado tudo, o reajuste em 2012 será algo em torno de 12 a 14%, a depender da inflação que fechar o corrente ano. Ora, qual o milagre pretende o governo Dilma promover para, em menos de um ano, e sem comprometer o equilíbrio fiscal, arrumar recursos para bancar tamanho reajuste do salário mínimo? É preciso não esquecer que em 2012 teremos eleições, época em que a farra de gastos perde o controle. Contudo, e mesmo assim, bancar um índice como o que se prevê, obrigará o governo Dilma a cortar investimentos, manter os serviços públicos no estado de calamidade em que já se encontram e, claro, conceder o reajuste previsto, além de arrumar dinheiro para a farra das campanhas políticas que se realizarão.
Portanto, se alguém imagina que este país vai criar juízo em tão pouco tempo, é melhor esquecer. Não há discurso que resista a verdade. E a verdade é que o país terá que optar, de hoje a 2012, entre um projeto de país, em que a sociedade toda se beneficie, e um projeto de poder, em que apenas um grupo político, repleto de vigaristas e vagabundos, se locupleta mercê o sacrifício de toda a sociedade.