Eduardo Rodrigues, da Agência Estado
Segundo o levantamento realizado pela CNI em parceria com o Ibope, apenas 20% das pessoas entrevistadas são a favor do retorno do tributo
BRASÍLIA - Setenta e dois por cento dos brasileiros são contra a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) para o financiamento da Saúde no País, de acordo com a pesquisa "Retratos da Sociedade Brasileira: Qualidade dos serviços públicos e tributação", divulgada hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo o levantamento realizado em parceria com o Ibope, 20% das pessoas entrevistadas são a favor do retorno do tributo. O restante não soube ou não respondeu. Apesar da grande maioria ser contrária à medida, apenas 37% dos entrevistados souberam responder o que é a CPMF. Segundo a CNI, o conhecimento é menor entre os mais jovens, os com menor escolaridade, os com menor nível de renda e os residentes na região Nordeste.
O levantamento também mostra que a maior parte da população brasileira não somente é contra a recriação da CPMF como também não gostaria do aumento de qualquer outro imposto para melhoria da saúde. Segundo a pesquisa, dois terços dos entrevistados discordam em parte ou totalmente com esta alternativa.
Da mesma forma, o brasileiro associa a má qualidade dos serviços públicos de saúde à má gestão dos recursos por parte dos governantes. Sessenta e três por cento dos entrevistados concordam totalmente com essa premissa e 18% concordam em parte. Além disso, a CPMF é vista como um imposto injusto por 75% dos entrevistados pela pesquisa.
Do total, 63% acreditam que a recriação do tributo aumentará os preços das mercadorias. Segundo a pesquisa, 45% das pessoas ouvidas veem a CPMF como um imposto que afeta somente as pessoas que têm conta bancária, enquanto 38% acreditam que afetam também a outras pessoas.
Serviços públicos
A população brasileira reprova a qualidade dos serviços públicos do País, segundo a pesquisa "Retratos da Sociedade Brasileira: Qualidade dos Serviços Públicos e Tributação", divulgada há pouco pela CNI. Segundo o levantamento realizado em parceria com o Ibope, os brasileiros aprovam apenas quatro de 12 serviços avaliados.
A pesquisa mostra que a população só está satisfeita com os fornecimentos de energia elétrica, água, iluminação pública e ensino superior. O pior resultado é o referente aos postos de saúde e hospitais, que foram reprovados por 81% dos entrevistados.
Entre os serviços que também precisam melhorar na opinião dos brasileiros ainda estão a limpeza e o transporte urbano, rodovias e estradas, conservação de ruas e avenidas, educação fundamental e ensino médio, segurança e atendimento em repartições públicas.
Segundo o levantamento, 81% dos entrevistados acreditam que, "considerando o valor dos impostos, a qualidade dos serviços públicos deveria ser melhor no Brasil". Da mesma forma, para 82% da população, o governo já arrecada o suficiente e, portanto, não precisa aumentar mais os impostos para melhorar a prestação de serviços. Além disso, 87% consideram que a carga tributária no País já é elevada e 79% revelam a percepção de que ela esteja aumentando nos últimos anos.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Eis aí algo para tanto o governo Dilma Presidente quanto, de resto, toda a classe política brasileira, pensarem com carinho. O resultado não deixa margem para dúvidas: se algum político aventureiro, seja de ele de qualquer partido, quiser arriscar seu pescoço em futura eleição, que continue apostando na reedição da CPMF. A reprovação estrondosa vale também para o governo rediscutir de que forma e com que meios irá qualificar os precários serviços de saúde pública do Brasil.
E a reprovação vale para CPMF, como também para qualquer tentativa malandra dos governos quererem elevar a já pesada carga tributária. É muito dinheiro que se tira da sociedade com resultado zero de retorno.