O Estado de São Paulo
Havia muita expectativa pelo resultado do comércio varejista de janeiro, para avaliar como as restrições creditícias afetaram o consumo. Os dados divulgados ontem pelo IBGE não permitem tirar uma conclusão plenamente convincente sobre os efeitos da atuação das autoridades monetárias. O que se verifica é apenas um arrefecimento das vendas, mas muito restrito.
Pelos dados dessazonalizados, tivemos em janeiro um aumento de 1,2% do volume das vendas varejistas e de 1,1% na receita nominal, em relação ao mês anterior. O volume de vendas vem aumentando por 9 meses consecutivos e a receita nominal, por 13 meses. Sem o ajuste sazonal o volume das vendas apresenta queda de 26,7% em janeiro, em relação a dezembro, diferença que mostra claramente as possibilidades de erro quando se trata de incluir o ajuste sazonal.
Uma comparação com o mesmo mês do ano anterior (sem ajuste) talvez seja mais importante para avaliar os efeitos das medidas das autoridades monetárias. E ela mostra que o consumo doméstico continua robusto, com crescimento de 8,3% em relação a janeiro de 2010, embora apresentando algum arrefecimento, pois, com a mesma comparação, novembro mostrou aumento de 9,9% e dezembro, de 10,2%.
Passadas as festas natalinas é normal que se registre um recuo (com ajuste sazonal) de 5,1% dos equipamentos de informática e comunicações e de 2,3% dos bens de uso pessoal e domésticos, cujas vendas aumentaram muito nos meses anteriores. O interessante é que as vendas de supermercados e produtos alimentícios cresceram 1,3% e as de móveis e eletrodomésticos, 2,7% - neste caso para equipar novas residências.
O efeito das medidas restritivas foi mais sentido no caso das vendas de veículos - queda de 7,1% - em razão da redução dos prazos de financiamento, mas sem esquecer o aumento de 5% do mês anterior.
Por enquanto, não há como chegar a uma conclusão absoluta quanto ao efeito macro das medidas. As vendas de carros, já se sabe, tiveram em fevereiro uma reação positiva. Numa visão mais ampla, persiste a dúvida quanto a uma queda do consumo: a elevação dos salários na indústria em janeiro e os dados do emprego do Caged e da Fiesp para o mês de fevereiro, altamente positivos, não deixam entrever aumento do desemprego no País. Apenas a inflação será capaz, no contexto atual, de contribuir para um recuo sensível da demanda doméstica, o que não se pode descartar para as próximas semanas.