Comentando a Notícia
Há coisa de um mês atrás mais ou menos, o acesso ao cadastro dos alunos inscritos do ENEM viraram porteira aberta. Claro que o ministro Haddad encontrou as costumeiras desculpas esfarrapadas para explicar o inexplicável. Resultado: explicou, mas não justificou.
No Estadão. Com.br/Educação, encontrei, em pleno 7 de setembro, esta pérola: Dezenas de Estudantes acusam candidato de usar banco de dados do ProUni - Gustavo Petta (PC do B-SP).
Declaração de um dos alunos foi sintomática:
“O que mais me revolta é que não são apenas dados como o meu nome e endereço, são os financeiros. Que outros usos podem fazer desses meus dados? Sinto-me como se meus direitos civis não valessem nada para essa administração.”
Sabem quem é o responsável pelo cadastro do PROUNI? Isto mesmo, o mesmo MEC do ministro Haddad. A assessoria do MEC, tentando se justificar e mostrando certa afetação, informou que “Esse acesso que a UNE tem é institucional”. Como é que é? Acesso institucional? Isto quem deveria ter somos todos nós. E por que o da UNE é especial? Que privilégio imerecido e injustificável pode ter a UNE que é vedado aos demais cidadãos?
Mas independente das desculpas imbecis, o fato é que sigilo neste país virou moeda de troca, de compra e venda para gatunos, larápios e fazedores de dossiês políticos. Mais do que outra qualquer coisa, fica caracterizado o estado policialesco a que o país se acha mergulhado desde a chegada de Lula ao poder. Aliás, ele por o responsável último pela preservação e respeito às leis, ao invés de indignar-se do comportamento criminoso dos servidores e outros pistoleiros, fica indignado é com as vítimas, que reclamam pelo crime que contra elas está sendo praticado nas teias e porões do Estado irresponsável e leniente com o crime. Isto representa uma total inversão de valores, se é que neste governo existe ainda algum valor decente para ser preservado. Por Rodrigo Alvares, para o Estadão.
PT fazendo escola: Estudantes acusam candidato de usar banco de dados do ProUni
Bolsistas dizem ter recebido propaganda não solicitada de ex-presidente da UNE, que tenta vaga de deputado pelo PCdoB
Dezenas de estudantes bolsistas do Programa Universidade para Todos (ProUni) receberam na terça-feira da semana passada propaganda eleitoral não solicitada, enviada pela equipe da campanha do candidato a deputado Gustavo Petta (PC do B-SP). A acusação dos universitários é de que houve uso do banco de dados do programa.
O estudante de publicidade Ibrahim Cesar, de 21 anos, foi um dos primeiros a alertar para a irregularidade. “Percebi que meu nome estava completo e que a mensagem não era personalizada. Comecei a perguntar às pessoas pelo Twitter e na faculdade”, contou.
O estudante não foi o único bolsista do ProUni a receber o spam. Outros beneficiados de São Paulo contatados pela reportagem encaminharam a mesma mensagem. Para Ibrahim, o Ministério da Educação, que gerencia o programa cedeu o endereço eletrônico dele e de outros bolsistas. “O que mais me revolta é que não são apenas dados como o meu nome e endereço, são os financeiros. Que outros usos podem fazer desses meus dados? Sinto-me como se meus direitos civis não valessem nada para essa administração.”
O e-mail, enviado pela campanha de Petta, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), tinha como campo de assunto “Mensagens aos Prounistas”. “Aos amigos e amigas bolsistas do ProUni, você é um dos 704 mil estudantes brasileiros que estão mudando o rumo da sua própria história e do nosso país com a oportunidade de se formar no ensino superior a partir do Programa Universidade Para Todos, o ProUni.”
Reação.
A assessoria do MEC disse que Petta “vai ter de se explicar” sobre o caso. “Não demos o mailing do ProUni para ele. Nenhum mailing do MEC está disponível”, disse a assessoria. Para o ministério, o candidato pode ter obtido acesso aos dados por meio da UNE. Cerca de 40% dos bolsistas são do Estado de São Paulo.
“Esse acesso que a UNE tem é institucional, não poderiam ter feito isso”, afirmou a assessoria. “Petta pode colocar a candidatura em risco e ser impugnado por causa disso.”