Adelson Elias Vasconcellos
Muito bem, como vimos na primeira parte desta série, ficou claro que:
1° Apesar das negativas do governo, o filme é sim eleitoral, foi feito sob medida para azeitar a campanha de Dilma Rousseff e contou com a participação de assessores tanto do presidente quanto de seu partido.
2° Para os empresários que financiaram a “grande obra”, o filme foi apresentado como um abridor de latas, ou melhor, de portas, é só relerem o testemunho dado por um deles na primeira parte deste artigo. Não se trata de incentivos ou mero patrocínio `a cultura coisa nenhuma, a estória que se contou foi de se tratar de peça chapa-branca. Apenas isto.
3° Sob os argumentos empregados, e não sendo nem incentivos fiscais para a cultura (tão escassos para os verdadeiros artistas do país), como também o filme não contaria com recursos públicos, se praticou uma verdadeira antecipação de arrecadação de campanha. Isto se evidencia a partir do momento em que assessores e ministros do presidente e dirigentes petistas, participaram, como ficou exposto, diretamente na montagem final do filme. E que, após sua primeira exibição em Brasília, já saíram a campo afirmando de que o filme vai ajudar na campanha de Dilma Roussef...
Só um completamente idiota seria capaz de acreditar de que o propósito do filme não visa a campanha eleitoral. Ah, dirão alguns, mas o filme foi feito por diretor do cinema brasileiro .já aclamado pela crítica. E daí? Em que isto invalida o objetivo final? Em nada. Só deixa evidente que se buscou cooptar empresas e representantes da indústria do cinema brasileiro para se produzir uma peça de propaganda eleitoral com muita eficiência e com muitos recursos finaceiros.
Agora vejam a belezura das empresas que “financiaram” a grande obra. A seguir a relação com a devida apresentação da relação custo/benefício. As conclusões? Bem compete a vocês chegarem a elas ou não. Conforme comentário anterior, o financiamento ou patrocínio pode até ser legal, mas moral JAMAIS.
Segue a relação conforme a revista Veja apurou:
Como dizer não?
Lula, o Filho do Brasil foi patrocinado e apoiado por um grupo de empresas, a maioria delas com negócios com o governo, que doou 10,8 milhões de reais.
AmBev – Em 2005, o BNDES destinou 319 milhões de reais para a empresa de bebidas.
Camargo Corrêa – A construtora participa das obras do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, tendo recebido, em 2008, 102,7 milhões de reais.
CPFL Energia – O controle da distribuidora de energia está dividido entre a Camargo Corrêa, o BNDES e fundos de pensão de estatais.
EBX – Os empréstimos feitos pelo BNDES às empresas de Eike Batista ultrapassam 3 bilhões de reais só neste ano.
GDF Suez – A empresa faz parte do consórcio responsável pelas obras da hidrelétrica de Jirau e recebeu do BNDES empréstimo de 7,2 bilhões de reais.
Grendene – O BNDES aprovou, em 2008, financiamento de 314 milhões de reais para a aquisição total do controle acionário da Calçados Azaléia pela Vulcabrás dos mesmos controladores da Grendene.
Hyundai – Em 2007, o governo federal deu uma mãozinha para a implantação da fábrica da montadora em Goiás.
Neoenergia – O Banco do Brasil e a Previ (fundo de pensão dos funcionários do BB) detêm, juntos, 61% da companhia. Em 2008, o BNDES aprovou crédito superior a 600 milhões de reais para a construção de usinas pelo grupo.
OAS – Foi uma das financiadoras da campanha de reeleição de Lula. Participa das obras do PAC, tendo recebido, em 2007, 107 milhões de reais.
Odebrecht – Venceu em 2007, em parceria com a estatal Furnas, a licitação para a construção da usina de Santo Antônio, no Rio Madeira. O valor do investimento foi definido em 9,5 bilhões de reais, com 75% do total financiado pelo BNDES.
Oi – O BNDES aprovou, na semana passada, financiamento de 4,4 bilhões de reais, o maior valor já concedido para uma empresa de telecomunicações. Desde a aquisição da Brasil Telecom (BrT), bancos públicos já aprovaram empréstimos de mais de 11 bilhões de reais ao grupo Oi. O BNDES e a Previ têm participação no bloco de controle da companhia de telefonia.
Volkswagen – Tem contrato com o governo para o programa Caminho da Escola para a renovação da frota de ônibus escolares. Em agosto, entregou o primeiro lote de 1 100 veículos, pelo qual recebeu 223 milhões de reais.
Na terceira parte, vamos comentar um pouco mais este tema e tratar da reportagem da Folha que mencionamos no início.